2018-04-16

Subject: Batata-doce migrou para a Polinésia milhares de anos antes das pessoas

Batata-doce migrou para a Polinésia milhares de anos antes das pessoas

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@ Nature

A humilde batata-doce Ipomoea batatas tem sido o centro de um debate com décadas sobre quando os povos antigos das Américas e Polinésia terão primeiro contactado. Agora, um estudo descobriu que o tubérculo, nativo da América do Sul, bateu as pessoas na chegada às ilhas do Pacífico Sul em pelo menos 100 mil anos.

Os investigadores originalmente estavam a estudar a história evolutiva da batata-doce pois ao perceber qual era o parente vivo mais próximo selvagem a equipa esperava ajudar os agricultores a aumentar a produção e a sua resistência a pragas e doenças. No entanto, acabaram por perceber que os seus dados também poderiam determinar quando as batatas-doces tinham chegado ao Pacífico sul.

Quando o capitão James Cook chegou à Polinésia no século XVIII, o tubérculo já era ubíquo na região e a explicação prevalente era que os viajantes polinésios tinham chegado à América do Sul e trazido batatas-doces para as ilhas, teoria aparentemente apoiada pela arqueologia, apesar das dúvidas recorrentes. As batatas-doces pareciam ser um evidência sólida em apoio do contacto pré-colombiano entre polinésios e sul-americanos, até agora.

O último estudo sugere que é possível que sementes de batata-doce atravessaram o Pacífico sem a ajuda humana. Estudos anteriores mostram que as sementes germinam mesmo depois de expostas a água salgada e as aves atravessam rotineiramente o Pacífico e espalham-nas.

“Não tínhamos planeado estudar esta questão antropológica mas percebemos que tínhamos os dados para isso”, diz Pablo Muñoz-Rodríguez, botânico na Universidade de Oxford, Reino Unido, e um dos autores do estudo. Ele e os seus colegas sequenciaram os genomas de batatas-doces e 39 dos seus parentes próximos, identificando a Ipomoea trifida como o parente selvagem vivo mais próximo desta cultura.

Entre os 199 espécimes usados no estudo estava uma batata-doce colhida em 1769 pelos botânicos Joseph Banks e Daniel Solander, membros da expedição Cook às Ilhas Sociedade na Polinésia francesa. Muñoz-Rodríguez e os seus colegas sequenciaram os genes dos cloroplastos das folhas secas desta amostra com perto de 250 anos.

Compararam estas sequências com o DNA de batatas-doces modernas das Américas para estimar há quanto tempo os tubérculos tropicais estavam geneticamente isolados dos seus parentes do continente. A equipa descobriu que as duas linhagens divergiram há pelo menos 100 mil anos, indicando que a batata-doce já estava na Polinésia dezenas de milhares de anos antes das pessoas.

 

As descobertas são controversas pois alguns investigadores questionam a manipulação da amostra de herbário com 250 anos usadas para gerar a estimativa de divergência. A equipa não seguiu procedimentos standard usados para manipular e analisar DNA antigo, diz Lisa Matisoo-Smith, antropóloga molecular na Universidade de Otago em Dunedin, Nova Zelândia. O seu trabalho com DNA antigo de galinha apoia a ideia de contacto entre polinésios e americanos antes de os europeus chegarem ao Pacífico sul. Ela questiona algumas das descobertas de Muñoz-Rodríguez dada a idade das amostras e gostaria de ver os testes replicados de forma independente.

Mas Robert Scotland, um dos autores do estudo e botânico na Universidade de Oxford, Reino Unido, defende que não é habitual usar técnicas de DNA antigo em amostras de herbário, pois elas tendem a fornecer material genético em boas condições.

Outros consideram os resultados intrigantes, apesar de concederem que o debate está longe de encerrado. “Este artigo mostra que as batatas-doces já estavam na Polinésia quando as ilhas foram colonizadas há milhares de anos”, diz Lars Fehren-Schmitz, paleogeneticista na Universidade da Califórnia, Santa Cruz. “Mas não consegue provar que não houve contacto entre polinésios e sul-americanos antes da chegada dos europeus.”

 

 

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