2018-04-06

Subject: Tesouro de vírus descoberto em peixes, répteis e anfíbios

Tesouro de vírus descoberto em peixes, répteis e anfíbios

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@ Nature/Martin Gabriel/NPL

Os investigadores descobriram mais de 200 vírus até agora desconhecidos pertencentes à categoria dos causadores de doenças como a gripe ou as febres hemorrágicas. Os cientistas também revelaram as origens destes vírus de RNA até há centenas de milhões de anos, quando os primeiros animais modernos começaram a surgir.

As descobertas, publicadas online na Nature, podem ajudar os cientistas a identificar vírus de RNA que poderão vir a infetar humanos no futuro, diz Mya Breitbart, virologista ambiental na Universidade do Sul da Florida em St Petersburg.

Dado que os vírus de RNA causam um vasto leque de doenças em humanos e gado, os investigadores têm vindo a estudar principalmente os que atacam mamíferos e aves mas, numa tentativa de compreender a sua evolução, começaram agora a analisar outras classes de vertebrados, incluindo peixes, anfíbios e répteis.

O panorama que daí emerge, diz Edward Holmes, virologista evolutivo na Universidade de Sydney, Austrália e coautor do estudo, é que os vírus de RNA são muito mais abundantes e generalizados do que antes se pensava. Com tantos deles por aí, estimar qual deles pode vir a infetar humanos é complicado.

Estudos anteriores já tinham revelado vírus de RNA em salamandras e tritões mas os cientistas não sabiam muito sobre os que infetavam outros anfíbios, répteis e peixes. Assim, Holmes e os seus colegas analisaram perto de 190 animais de outras classes de vertebrados, incluindo lampreias que mudaram muito pouco em relação aos seus ancestrais evolutivos ou tartarugas.

Analisando o RNA extraído dos seus intestinos, fígado, pulmões ou guelras, a equipa descobriu 214 novos vírus de RNA e a maioria pertence a famílias de vírus conhecidas por infetarem aves e mamíferos. Po exemplo, alguns peixes transportam vírus aparentados com o ébola, que provoca a doença mortal em primatas: “Isso é surpreendente", diz Holmes, mas não significa que esses vírus sejam uma ameaça para a saúde humana. Humanos e peixes são tão diferentes que os vírus que infetam um grupo não são capazes de infetar o outro, explica ele.

Esta situação acontece porque os vírus de RNA evoluíram com os seus hospedeiros desde há milhões de anos. Quando os investigadores construíram uma árvore filogenética com os novos vírus de RNA e a compararam com a dos seus hospedeiros vertebrados, as duas histórias evolutivas tinham uma correspondência perfeita.

  A equipa concluiu que os vertebrados se deslocaram do mar para terra trazendo consigo os seus vírus: os vírus de RNA que infetam humanos atualmente provavelmente terão evoluído a partir de vírus que infetaram os nossos ancestrais vertebrados há 500 milhões de anos.

Os cientistas suspeitaram que os vírus de RNA eram muito antigos por terem sido descobertos em amibas e invertebrados, de insetos a vermes, mas este estudo mostra-o de forma “muito convincente", diz Eric Delwart, virologista no Instituto de Investigação de Sistemas Sanguíneos em San Francisco, Califórnia.

Este estudo apenas arranha a superfície do vasto número e variedade de vírus que andam por aí, diz o autor principal do estudo Yong-Zhen Zhang, virologista no Centro Chinês de Controlo e Prevenção de Doenças em Beijing. A sua equipa recolheu amostras principalmente na China, procurando novos vírus de RNA comparando sequências genéticas com as dos vírus conhecidos. Vírus cuja sequência de RNA não tenha qualquer semelhança com outros vírus são invisíveis para esta análise, explica Zhang, e os vertebrados que andam por outras zonas do planeta podem ter outros tipos de vírus de RNA ainda por descobrir.

 

 

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