2018-04-01

Subject: Painel das Nações Unidas pinta quadro negro dos ecossistemas

Painel das Nações Unidas pinta quadro negro dos ecossistemas

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@ Nature/Sebastian Liste/NOOR/eyevine

A biodiversidade está a desaparecer a um ritmo alarmante por todo o mundo, revelam as avaliações mais abrangentes da saúde dos ecossistemas globais feitas desde há décadas.

Os cinco relatórios, publicados na semana passada, são o culminar do trabalho de três anos da Plataforma Intergovernamental de Ciência e Política da Biodiversidade e Serviços dos Ecossistemas (IPBES), um corpo global de ciência criado pelas Nações Unidas em 2012 para seguir a saúde ecológica do planeta.

As avaliações examinaram a perda de biodiversidade em África, Américas, Europa e Ásia central e do Pacífico. “Estamos a perder espécies mil vezes mais depressa do que a taxa natural de extinção, estamos perante uma extinção em massa que vai minar o bem-estar humano", diz Robert Watson, secretário-geral da IPBES, sediada em Bona, Alemanha.

As avaliações, escritas por mais de 500 cientistas em 100 países, surgem à medida que a IPBES se aproxima do fim do seu primeiro programa de trabalho, que decorreu entre 2014 e 2018. Cientistas conservacionistas e a IPBES estão agora a refletir sobre o desempenho do corpo até este momento e muitos estão céticos sobre se está a alcançar os seus objetivos de influenciar a política e conduzir alterações de nível global.

As análises mais recentes  do grupo, dadas a conhecer num encontro dos 129 estados-membro da plataforma em Medellín, Colômbia, pintam um quadro negro da situação: a. IPBES relata que, das espécies avaliadas na Europa e Ásia central, 28% estão ameaçadas de extinção. Entre os grupos em maior risco estão os musgos, hepáticas e peixes de água doce, sendo as alterações climáticas a causa da perda de mais de metade das espécies de aves e mamíferos em África até 2100.

Entretanto, a degradação das terras, como a perda de solo saudável, atingiu níveis críticos e ameaça a a sobrevivência de 3,2 mil milhões de pessoas. A destruição dos ecossistemas vai limitar os seus produtos e serviços, como alimentos e medicamentos, que poderemos obter do ambiente no futuro. As zonas húmidas estão entre os ecossistemas mais danificados, com perdas de perto de 50% desde 1900. As produções globais das culturas agrícolas deverão cair em média 10% ao longo dos próximos 30 anos, em resultado da degradação das terras e alterações climáticas.

Em muitas regiões, práticas agrícolas e de aquacultura gananciosas são em grande medida as culpadas, diz Watson. Se as tendências atuais continuarem, a região da Ásia-Pacífico terá devorado por completo os seus stocks pesqueiros em 2048. A utilização excessiva de pesticidas e fertilizantes na Europa é promovida por subsídios que encorajam os agricultores a produzir excedentes alimentares, acrescenta Watson.

Os relatórios da IPBES sugerem que muitos países vão falhar a maioria da sua parte das metas da ONU para conter a perda de espécies até 2020 e promover o crescimento sustentável até 2030.

Ainda assim, as valiações encontraram alguns progressos: por exemplo, na Ásia-Pacífico entre 2004 e 2017 as áreas protegidas terrestres aumentaram 0,3% e as marinhas em 13,8% mas criá-las não é suficiente, diz Watson. As questões da biodiversidade têm que ser incorporadas nas políticas de desenvolvimento de áreas como a agricultura ou os transportes, explica ele.

  Thomas Brooks, chefe de ciência e conhecimento da União Internacional para a Conservação da Natureza em Gland, Suíça, diz que a IPBES está demasiado focada nas avaliações científicas. Ele sugere que passe a gastar mais tempo com as suas outras funções, como apoiar o desenvolvimento de políticas e construindo conhecimento local, um ponto ecoado numa revisão interna. Em 2016 e 2017 a IPBES gastou US$4,3 milhões em avaliações e apenas US$1,9 milhões nessas outras funções. “Gerar simplesmente uam enorme pilha de relatórios não é o suficiente para voltar a enpurrar o mundo para a sustentabilidade", diz Brooks.

Watson refere que estas questões serão consideradas por uma revisão externa da IPBES que deve começar para o ano. Entretanto, o plenário concordou em avançar com três novas avaliações já planeadas, incluindo uma sobre a utiliação sustentada de espécies selvagens.

A IPBES espera trazer atenção política para a biodiversidade da mesma forma que o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) fez com a ciência climática. A biodiversidade precisava urgentemente de um corpo como a IPBES, diz James Mayers, perito em recursos naturais no Instituto Internacional para o Ambiente e Desenvolvimento (IIED) em Londres, apesar de ainda não ter o peso da sua organiação-irmã: “Ainda não é levada a sério, há esperança mas não está realizada."

Watson concorda que a organização ainda está a ganhar pé mas atraiu mais governos-membros nos seus primeiros cinco anos do que o IPCC no mesmo período de tempo.

Quando os desafios surgem temos que lidar com eles de frente, diz Watson. Por exemplo, depois de os investigadores se terem queixado de que havia poucos sociólogos a trabalhar nas avaliações, os peritos do painel ajudaram os governos a encontrar alguns, de forma a “avançarmos na direção certa", diz ele.

 

 

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