2018-03-19

Subject: Avanços no comportamento humano surgiram surpreendentemente cedo na Idade da Pedra

Avanços no comportamento humano surgiram surpreendentemente cedo na Idade da Pedra

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@ Nature/Human Origins Programme, Smithsonian

Os primeiros humanos no leste africano criaram ferramentas avançadas e revelaram outros comportamentos complexos dezenas de milhares de anos mais cedo do que antes se pensava, de acordo com um trio de artigos agora publicados na revista Science, Esses avanços coincidiram com, e podem mesmo ter sido conduzidos por, importantes alterações climáticas e de paisagem.

As evidências mais recentes surgem da bacia de Olorgesailie no sul do Quénia, onde os investigadores já tinham encontrado vestígios de parentes antigos do Homem moderno com 1,2 milhões de anos. As evidências recolhidas em vários locais na bacia sugerem que os primeiros humanos sofreram uma série de profundas alterações algures antes de há cerca de 320 mil anos. Abandonaram os machados de mão simples em favor de lâminas menores e mais avançadas feitas de obsidiana e outros materiais de fontes distantes. Essa mudança sugere que os primeiros humanos que aí viveram já tinham desenvolvido uma rede de comércio, prova de uma crescente sofisticação de comportamento. Os investigadores também encontraram fendas em rochas e minerais negros e vermelhos, indiciando que eram usados para o fabrico de pigmentos e, possivelmente, comunicar ideias.

Todas estas alterações no comportamento humano ocorreram durante um longo período de alterações ambientais, pontuado por fortes sismos e uma tendência para um clima mais variável e árido. Estas mudanças ocorreram ao mesmo tempo que os grandes animais desapareceram da zona e foram substituídos por outros menores: “É um impacto duplo, combinando alterações tectónicas e climáticas", explica Rick Potts, que liderou o trabalho como diretor do programa sobre as origens humanas do Smithsonian em Washington DC. “É o tipo de coisa que provoca evolução."

Os estudos empurram a linha de tempo desses comportamentos para trás em cerca de 100 mil anos, juntando-se a um crescente corpo de evidências que sugerem que as raízes da cultura humana são mais profundas e mais longas do que antes se pensava.

As mais recentes evidências “provavelmente não são suficientes para resolver a questão do efeito da variabilidade climática sobre o comportamento humano”, considera Nick Blegen, antropólogo no Instituto Max Planck de Ciência da História Humana em Jena, Alemanha. Mas ele acha que as descobertas de Olorgesailie fornecem evidências sólidas de uma mudança em direção a comportamentos complexos que antecede as anteriores para o Homo sapiens. Tradicionalmente, os investigadores pensavam que o H. sapiens teria surgido há cerca de 200 mil anos mas os fósseis descobertos em Marrocos podem atrasar essa data para há mais de 300 mil anos.

Blagen documentou o transporte de obsidiana no Quénia central há cerca de 200 mil anos e está a preparar outro estudo que levará esse registo até há 396 mil anos, no mesmo local. O registo de um comportamento tão complexo deverá estender-se ainda mais para trás, considera ele, mas não é claro se o ambientes está a moldar o comportamento humano ou se os avanços nesse comportamento lhes estão a permitir habitar ambientes mais arriscados.

  As escavações na bacia de Olorgesailie têm revelado artefactos da Idade da Pedra desde que Louis e Mary Leakey realizaram lá o seu trabalho pioneiro na década de 1940. Mas esta é a primeira vez que os cientistas têm provas documentadas de ferramentas e comportamentos mais avançados tipicamente associados à Idade da Pedra média, que durou até há 25 a 50 mil anos, diz Alison Brooks, antropóloga na Universidade George Washington em Washington DC, que liderou a datação e análise dos artefactos mais recentes.

Técnicas isotópicas de datação ajudaram a equipa a determinar a idade das ferramentas de pedra e a seguir a obsidiana até à sua fonte, na sua maioria localizada a 25 a 50 km de distância em várias direções: “São sas melhores evidências à data do comércio de materiais em bruto" em tempos tão antigos, diz Brooks.

Curtis Marean, paleoantropólogo na Universidade do Arizona em Tempe, não está ainda convencido com estes sinais de comércio: "Para demonstrar redes sociais complexas e alargadas gostaria de ver transporte regular e sistemático de materiais em bruto para vários tipos de artefactos na ordem das centenas de quilómetros."

Não é claro quanto tempo antes de há 320 mil anos estas alterações ocorreram pois um grande período de erosão destruiu o registo arqueológico no local entre 499 e 320 mil anos mas alguma informação pode provir de perfurações em lagos antigos no Quénia e na Etiópia para recolha de dados detalhados sobre alterações ambientais e ecológicas na região. "Os núcleos de perfuração espero que sejam fundamentais por causa da precisão do registo ambiental e da datação", diz Potts. Depois ter-se-á que trabalhar para perceber como animais e pessoas podem ter respondido às alterações do ambiente: “Só aí poderemos dizer alguma coisa sobre a forma como o clima afetou realmente a evolução humana.”

 

 

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