2018-03-12

Subject: Notícias espalham-se mais depressa se forem falsas

Notícias espalham-se mais depressa se forem falsas

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

@ Nature/NurPhoto/Getty

As notícias falsas espalham-se mais depressa e de forma mais generalizada que as notícias verdadeiras, de acordo com um estudo que examinou de que forma 126 mil itens noticiosos circularam entre 3 milhões de utilizadores do Twitter.

“Este é relato descritivo mais abrangente da propagação de informação verdadeira e falsa nas redes sociais até à data”, diz Dean Eckles, sociólogo no Instituto de Tecnologia do Massachusetts em Cambridge (MIT) que não esteve envolvido no trabalho.

As notícias falsas são tão antigas como a bisbilhotice mas a sua proliferação tem-se tornado especialmente perturbadora na era das redes sociais. Histórias falsas amplificadas no Facebook e no Twitter, como a alegação de que o papa Francisco apoiava a candidatura de Donald Trump à presidência americana, têm sido implicadas no desvio do resultado das eleições americanas.

O papel das histórias falsas na surpreendente eleição de Donald Trump em 2016 ou no Brexit, por exemplo, tem sido objeto de intenso debate. Parte da resposta depende da compreensão da forma como as notícias falsas se propagam, diz Sinan Aral, do MIT, cujo estudo foi agora publicado na revista Science.

Ele classificou a propagação de notícias no Twitter como "verdadeira" ou "falsa" de acordo com análises feitas com a ajuda de seis fontes fidedignas de verificação de factos. Desta forma, ele investigou a disseminação de 126 mil itens noticiosos entre 3 milhões de utilizadores do Twitter entre 2006 e 2017, usando dados fornecidos pela companhia.

A sua análise mostrou que a notícias consideradas verdadeiras (com 95 a 98% de acordo entre os verificadores de factos) se dispersavam mais lentamente que as falsas e alcançavam menos pessoas.

Mesmo as notícias verdadeiras mais populares raramente alcançavam mais de mil pessoas, enquanto o 1% de notícias falsas mais populares alcançaram entre mil e 100 mil pessoas. As notícias falsas que alcançavam 1500 pessoas faziam-no seis vezes mais depressa que as verdadeiras. As falsidades tinham 70% mais probabilidade de ser reencaminhadas que as verdades, de acordo com o modelo dos dados.

A equipa de Aral usou software para detetar contas automáticas ou ‘bots’ no Twitter, que se suspeita terem distorcido a forma como as notícias se espalhavam mas mesmo com esses dados removidos as notícias falsas geradas por pessoas e não por bots continuavam a espalhar-se mais depressa que as verdadeiras, revelando que esta capacidade deriva do comportamento humano.

 

Para compreender o porquê desta situação, os investigadores quantificaram a novidade dos tweets e descobriram que as notícias falsas se destacavam num corpo aleatório de tweets. Uma análise das palavras usadas nesses tweets sugere que as notícias falsas instilam medo, nojo e surpresa, enquanto as notícias verdadeiras têm maior probabilidade de causar sentimentos de tristeza, alegria e confiança. Estas características, especialmente a maior novidade, deverão atrair mais atenção para as notícias falsas, dizem os investigadores.

Poderão as descobertas do estudo significar que há uma fórmula de notícias falsas à espera de ser explorada? É pouco provável, diz Duncan Watts, especialista em redes sociais na Microsoft Research em Nova Iorque. Trabalhos anteriores tinham já sugerido que é muito difícil estabelecer uma ligação entre a penetração de uma história em particular e o seu conteúdo e Watts pensa que seria muito difícil prever de que forma uma dada história se vai espalhar.

O menor alcance aparente das notícias verdadeiras também pode ser devido aos utilizadores partilharem uma ligação a uma fonte primária e não apenas reencaminharem, diz ele. Se assim for, as notícias verdadeiras espalhar-se-iam através de cascatas menores, enquanto as notícias falsas saltam em frente como uma fonte.

Watts não contesta que as notícias falsas são um problema mas ele considera que devem ser olhadas com algum desconto. Outros estudos confirmam que a maioria das pessoas, sejam elas moderadas ou fanáticas, consomem de forma esmagadora notícias legítimas de fontes confiáveis: “Parece-me errado entrar em pânico com as notícias falsas no Twitter.”

 

 

Saber mais:

Teste sanguíneo simples deteta proteína da demência

Infusões de sangue novo testadas em pacientes com demência

Neurocientistas reavaliam a forma como o cérebro reconhece rostos

Perseguição aos imigrantes causa danos à saúde

Estimulação cerebral externa vai fundo

Cérebro humano mapeado com detalhe sem precedentes

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgPinterest simbiotica.orgInstagram simbiotica.orgYouTube simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2018


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com