2018-02-14

Subject: Primatas selvagens ameaçam esforços para erradicar doença de pele

Primatas selvagens ameaçam esforços para erradicar doença de pele

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@ Nature/ackie Lewin, EM Unit, Royal Free Hospital/SPL

Prestadores de cuidados de saúde estão a intensificar os esforços para erradicar a bouba, uma doença de pele desfigurante que infeta mais de 64 mil pessoas por ano em 14 países africanos e do sudeste asiático mas alguns críticos consideram que estes planos podem vir a falhar porque não têm em conta as descobertas feitas nos últimos anos de que populações de primatas selvagens também albergam a infeção.

Responsáveis pela saúde pública reuniram-se em Genebra, Suíça, no final de Janeiro para discutir como expandir o programa de erradicação em 6 dos 14 países onde a bouba é endémica. No entanto não discutiram a parte relacionada com os animais selvagens: “Mesmo que esta não seja a principal causa do resurgimento da bouba atualmente, pode colocar em risco a erradicação global”, diz Sascha Knauf, que estuda doenças tropicais negligenciadas no Instituto Leibniz de Investigação em Primatas de Göttingen, Alemanha.

Há cinco anos, a Organização Mundial de Saúde (OMS) comprometeu-se a erradicar a bouba até 2020, motivada em parte pela descoberta que podia ser tratada com um antibiótico oral fácil de administrar, a azitromicina. A OMS estimou que a iniciativa custaria pelo menos US$100 milhões mas, nessa altura, pensava-se que a doença era exclusivamente humana. A erradicação de uma doença que afeta apenas as pessoas é muito mais fácil do que no caso de também afetar animais, domésticos ou selvagens.

No entanto, Knauf relatou em 2011 e 2013 que gorilas, chimpanzés, babuínos e outros primatas menores com populações em vários países da África ocidental e central estavam infetados com a mesma bactéria que provoca a bouba, a Treponema pallidum pertenue.

O epidemiologista Michael Marks, da Faculdade de Higiene e Medicina Tropical de Londres, que esteve presente no workshop, diz que a OMS não tratou das ameaças colocadas pelas populações de animais selvagens à erradicação da bouba mas considera que os cientistas ainda não demonstraram que os humanos podem contrair a doença a partir de primatas selvagens. Ainda assim, “seria desplicente não prestar atenção a isso".

  Um problema semelhante surgiu o programa com décadas de duração para erradicar a dracunculíase em 2010, quando responsáveis pela saúde pública descobriram que o nemátodo Dracunculus medinensis, causador da doença, pode ser transportado por cães e outros mamíferos. As autoridades de saúde tiveram que investir numa campanha de informação e monitorização e tratamentos extraordinários mas a doença ainda não foi erradicada.

A OMS ainda aguarda provas de que os animais transmitem a bouba aos humanos, diz o responsável para a doença Kingsley Asiedu. Entretanto, diz Asiedu, “não estamos a levar isso em conta pois não temos provas de uma ligação epidemiológica entre esses casos do tipo bouba encontrados em primatas e humanos”.

 

 

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