2018-02-13

Subject: Deslocação de peixe primitivo ilumina a origem do caminhar

Deslocação de peixe primitivo ilumina a origem do caminhar

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

@ Nature/Jung, Baek, Dasen et al./Cell

Os genes e neurónios que permitem aos humanos e a outros mamíferos caminhar também podem ser encontrados numa pequena raia, de acordo com o estudo agora conhecido. As descobertas sugerem que os neurónios essenciais para a caminhada evoluíram milhões de anos antes do que se pensava.

Ao estudar a raia Leucoraja erinacea, que consegue andar no fundo do mar, uma equipa de neurocientistas percebeu que as redes neurais que controlam esta capacidade são as mesmas que as dos mamíferos. Os resultados, publicados na revista Cell, apoiam o argumento que os nervos que controlam a caminhada surgiram pela primeira vez nos peixes pelo menos há 420 milhões de anos, mais de 20 milhões de anos antes de os primeiros animais com quatro patas rastejarem pelo fundo do mar.

A análise fornece algumas das poucas evidências diretas que mostram que os nervos para caminhar surgiram antes de os vertebrados se deslocarem para terra. Ossos, dentes e outras estruturas corporais rígidas são bem preservadas no registo fóssil mas os tecidos moles como músculos e nervos degradam-se rapidamente e ficam perdidos no tempo, explica Tetsuya Nakamura, biólogo evolutivo na Universidade Rutgers em Piscataway, Nova Jérsia.

Assim, se os investigadores querem estudar os nervos que controlam a locomoção num animal antigo viram-se quase sempre para animais modernos que os cientistas acreditam serem boas aproximações dos seus ancestrais. “Este estudo é o primeiro olhar para as origens dos circuitos de controlo dos membros", diz o neurocientista Joseph Fetcho, da Universidade de Cornell em Ithaca, Nova Iorque. Existem algumas espécies de peixes mais aparentadas com os mamíferos que conseguem andar no fundo do mar mas é "mesmo giro" que as raias, que são relativamente primitivas, sejam capazes de mover os membros da mesma forma que os humanos, diz Fetcho. “Não somos tão especiais como pensamos."

As raias mudaram muito pouco desde o tempo em que os seus ancestrais habitavam os oceanos há centenas de milhões de anos. Usam um par de grandes barbatanas para nadar e um par mais pequeno para andar no fundo do mar. “Quando vemos vídeos de raias a andar, as barbatanas parecem-se muito com patas", diz Jeremy Dasen, neurocientista na Faculdade de Medicina da Universidade de Nova Iorque e um dos coautores do estudo.

E isso não é uma coincidência: os investigadores descobriram que os neurónios que controlam os músculos que fazem as patas dobrar e esticar nos mamíferos também estão presentes nas raias. Mais, quando Dasen analisou os genes expressos nos neurónios que permitem à raia mover-se, descobriram que a maioria era igual.

  Devido a estas semelhanças, as redes neurais necessárias à caminhada podem já ter estado presentes no ancestral comum de raias e mamíferos, há cerca de 420 milhões de anos, concluem os cientistas. Continua um mistério, no entanto, a forma como as raias e os humanos desenvolveram a capacidade de andar em dois membros, podem te-la desenvolvido independentemente mas usando genes e neurónios presentes no ancestral comum.

Outros investigadores são mais cautelosos na interpretação dos resultados: “Temos que ter cuidado ao olhar para qualquer grupo vivo e pensar que representa as condições ancestrais”, diz Michael Coates, biólogo evolutivo na Universidade de Chicago, Illinois. Para o confirmar, a equipa deverá analisar mais animais, incluindo peixes mais próximos dos mamíferos, diz ele.

Dasen continua, ainda assim, esperançado que esta linha de investigação conduza a algo maior: ao estudar as raias, que apenas usam seis grupos de músculos por barbatana para andar, os cientistas podem descobrir de que forma as redes neurais funcionam em ratos e pessoas, que usam centenas de músculos, diz ele. Esse conhecimento poderá vir a ajudar os médicos a reparar circuitos danificados devido a danos na espinal medula ou a tratar perturbações neurológicas que afetam a locomoção.

 

 

Saber mais:

Anatomia dos primeiros tetrápodes invertida

Tubarões criam e usam mapas mentais do seu território

Como as barbatanas se tornaram membros

Pegadas fósseis revelam os mais antigos a caminhar em terra firme

Peixe fóssil dá pistas quanto à origem da cópula

O peixe que rastejou para fora da água

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgPinterest simbiotica.orgInstagram simbiotica.orgYouTube simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2018


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com