2018-02-11

Subject: Anéis das árvores revelam aumento do risco de fogo no sudoeste americano

Anéis das árvores revelam aumento do risco de fogo no sudoeste americano

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Hawk flying over burnt landscape in New Mexico

A secretária de Ellis Margolis está coberta de pedaços de madeira. Os anéis dos troncos e as cicatrizes de fogo marcadas na madeira ajudam o ecologista a prever futuros fogos no sudoeste americano analisando os do passado.

Este ano, à medida que Margolis e os seus colegas do US Geological Survey (USGS) de Santa Fe, Novo México, vão para o campo expandir a sua base de dados, o trabalho parece uma corrida contra o tempo. O coberto de neve está perigosamente baixo em muitas zonas do Arizona e do Novo México, preparando o terreno para as condições extremamente secas que alimentam estas deflagrações. Os maiores fogos florestais da história do Novo México surgiram na última década, queimando centenas de milhares de hectares, incluindo nas montanhas estudadas por Margolis: "A falta de neve é assustadora, tudo propicia um ano terrível em termos de fogo se as coisas não mudarem dramaticamente."

As tempestades que poderiam trazer quantidades importantes de chuva não devem chegar e os resultados preliminares da rede de recolha de amostras sugerem que os fogos futuros, os deste Verão mesmo, podem ser ainda piores que os mais recentes.

Desde o final dos anos 1970, que os investigadores têmvindo a usar os anéis das árvores e as cicatrizes de fogo para reconstruir a história dos fogos numa dada área e compreender de que forma o clima controlola as deflagrações. Os anéis de crescimento das árvores variam em largura com a precipitação anual, fornecendo um registo do clima passado. Quando o fogo queima a árvore sem a matar, deixa cicatrizes que podem ser datadas juntamente com os anéis.

Inicialmente, os investigadores tentaram simplesmente compreender com que frequência os fogos queimavam certos grupos de árvores, diz Tom Swetnam, ecologista do fogo na Universidade do Arizona em Tucson, agora sediado no Novo México. As agências de gestão das terras, como o Serviço Nacional de Parques e o Serviço Florestal, seguiam políticas rigorosas de supressão de fogo há décadas mas começaram a reconhecer os benefícios ecológicos do fogo. As agências queriam saber de que forma o fogo se tinha comportado historicamente para o usar como ferramenta para promover a saúde da floresta.

À medida que Swetnam e outros construíam cronologias, os padrões surgiram: as florestas do Arizona, Nova México, oeste do Texas e norte do México tendiam a arder nos mesmos anos, por exemplo. Swetnam eventualmente associou os anos de fogos ativos aos ciclos de circulação oceânica no Pacífico que secavam o sudoeste americano.

Vários estudos nas florestas a média altitude de pinheiros Ponderosa Pinus ponderosa no Arizona e no Novo México descobriram que antes da supressão generalizada do fogo, os fogos de baixa intensidade grassavam nestas florestas icónicas aproximadamente a cada década. O fogo ajudava a manter a estrutura aberta dos agrupamentos Ponderosa e sem ele as florestas ficavam muito cerradas, tornando-as vulneráveis a fogos de elevada intensidade e temperatura.

Um desses fogos começou nas montanhas Jemez no Novo México em Junho de 2011, quando uma árvore caiu sobre uma linha elétrica. Conhecido como o fogo de Las Conchas, devorou cerca de 63 mil hectares, tornando-o o maior na história conhecida do Novo México até à data. Atingiu temperaturas incrivelmente elevadas e matou tantas árvores que os cientistas temem que, em certs locais, a floresta nunca mais volte a crescer.

  De certa forma, o fogo de Las Conchas foi inusitado, pois as temperaturas foram garantidamente invulgares, diz Craig Allen, ecologista do fogo no USGS nas montanhas Jemez, especialmente nas zonas onde os pinheiros Ponderosa foram incinerados.

No entanto, noutros aspetos, fogos da escala do de Las Conchas podem ser consistentes com as nromas históricas. Por exemplo, diz Margolis, os investigadores não sabem bem se a dimensão deste fogo foi verdadeiramente excecional.

Esta é uma das questões que Margolis tem seguido ao amostrar sistematicamente árvores por todas as montanhas Jemez e expandindo uma rede semelhante nas montanhas Sangre de Cristo nos arredores de Santa Fe. “É muito básico", diz ele, “mas são precisos muitos dados para lá chegar." Apesar da sua análise não estar completa, Margolis encontra fortes evidências de fogos tão grandes ou mesmo ainda maiores que o de Las Conchas ao longo dos séculos.

Este ano é o potencial de fogo nas montanhas Sangre de Cristo que realmente preocupa Margolis. Muitas das florestas da zona não ardem há mais de 100 anos, um período de dormência muito pouco natural, de acordo com a história do fogo que reconstruiu, o que significa que as montanhas estão carregadas de material combustível.

Os fogos de grandes dimensões do passado vieram a seguir a Invernos extremamente secos que se seguiram a dois ou três Invernos húmidos e é esse o padrão que o Novo México está a seguir agora. “Se tivéssemos um fogo como o de Las Conchas nos arredores de Santa Fe seria devastador”, diz Margolis. O fogo podia ter ameaçado vidas e bens, a perda de vegetação deixaria a zona vulnerável a inundações que afetariam infrastruturas de fornecimento de água.

 

 

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