2018-02-04

Subject: Ursos polares definham num clima em mudança

Ursos polares definham num clima em mudança

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@ Nature/Ole Jorgen Liodden/NPL

Os ursos polares tornaram-se os ícones das alterações climáticas mas a sua situação pode ser pior do que os cientistas pensavam, de acordo com um estudo recente. Estes mamíferos árticos precisam de muito mais calorias do que tinha sido antes estimado mas com o gelo marinho a derreter debaixo das suas patas os ursos têm muita dificuldade em arranjar comida suficiente.

Os resultados do estudo, publicado na edição de Fevereiro da revista Science, capturaram a melhor imagem à data da energia que é precisa para se ser um urso polar Ursus maritimus e os ecologistas estão a tentar incorporar as descobertas no seu próprio trabalho no ártico. O estudo também apoia as preocupações dos cientistas de que o gelo em recuo prejudique os ursos ao dificultar as suas caçadas de focas ricas em gordura.

Se os ursos polares não conseguirem alcançar os seus objetivos energéticos, o seu efetivo já em declínio pode cair mais de 30% nas próximas quatro décadas, diz Andrew Derocher, ecologista na Universidade de Alberta em Edmonton, Canadá. “Este estudo vai tornar-se um marco na compreensão da ecologia dos ursos polares", diz ele.

O último estudo destaca-se por medir as reais calorias que os animais precisam e explica como a perda de gelo marinho pode levá-los a definhar, diz o ecologista Ian Stirling, da Universidade de Alberta, que estuda as exigências energéticas dos ursos polares. Os estudos anteriores apenas estimaram quanta energia os ursos polares precisam oara sobreviver.

Para medir as necessidades de energia dos ursos polares selvagens, uma equipa de biólogos seguiu ursos que deambulavam pelo gelo marinho perto da costa norte do Alasca durante a Primavera, a principal estação de caça dos animais. Em Abril de 2014, 2015 e 2016 os investigadores colocaram coleiras equipadas com câmaras de vídeo e GPS em 9 fêmeas. A equipa também mediu os custos energéticos de atividades como caminhar e caçar, e monitorizaram alterações na massa corporal ao longo de 8 a 11 dias, diz Anthony Pagano, biólogo no Centro de Ciência do Alasca do US Geological Survey em Anchorage, que liderou a investigação.

Em média, os ursos precisaram de perto de 12325 quilocalorias por dia, 1,6 vezes mais energia do que antes se pensava. Para alcançar essas exigências de energia, uma ursa no gelo marinho primaveril pode comer uma foca anelada adulta ou 19 crias a cada 10 a 12 dias, concluíram os cientistas.

  Mas perto de metade das ursas não capturaram comida suficiente e foram forçadas a jejuar ou alimentar-se de carcassas. Estes animais perderam 10% da sua massa corporal ao longo de 10 dias, o que “é dramático", diz o fisiológo John Whiteman, da Universidade do Novo México em Albuquerque. É como se uma pessoa que pesasse 80 kg perdesse 8 kg em apenas uma semana, explica ele.

Capturar o suficiente para comer não é o único desafio que os ursos polares enfrentam. À medida que a subida da temperatura torna o gelo marinho cada vez mais fino, o vento e as correntes fazem-no derivar mais rápido na superfície do mar: “Lembra-me uma passadeira rolante", diz Merav Ben-David, ecologista da vida selvagem na Universidade do Wyoming em Laramie. Se o gelo marinho se desloca mais rápido debaixo das suas patas, os ursos polares têm que andar mais depressa (ou maior distância) para permanecer no mesmo local, o que os força a dispender mais energia, diz ela.

Os dados recolhidos pelos GPS confirmam que as ursas polares precisam de mais calorias quanto mais andam: “Se tivesse que andar mais mil quilómetros este ano eu seria muito mais magro ou a minha ingestão de energia teria que subir para o compensar", diz Derocher.

Este estudo é apenas um instantâneo, alerta Pagano. Ele tenciona seguir as atividades dos ursos polares ao longo de todo o ano para perceber se, e de que forma, se alteram as suas necessidades energáticas.

 

 

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