2018-01-29

Subject: Fóssil israelita é o Homem moderno mais antigo encontrado fora de África

Fóssil israelita é o Homem moderno mais antigo encontrado fora de África

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@ Nature/Israel Hershkovitz, Tel Aviv Univ.

Os fósseis humanos mais antigos alguma vez encontrados fora de África sugerem que o Homo sapiens pode ter-se espalhado até à península arábica há cerca de 180 mil anos, muito antes do que antes se considerava. A mandíbula superior e dentes, encontrados numa gruta israelita e relatados na revista Science, são anteriores a outros fósseis humanos da mesma região em pelo menos 50 mil anos mas os cientistas dizem que não é claro se representam uma breve incursão ou uma expansão duradoura da espécie.

Os investigadores pensaram originalmente que o H. sapiens emergiu na África oriental há 200 mil anos e daí partiu para povoar o resto do mundo. Até descobertas feitas na última década contrariarem esta história, os cientistas pensavam que um pequeno grupo teria deixado África há cerca de 60 mil anos e que sinais de viagens anteriores, incluindo crânios e outros vestígios com 80 a 120 mil anos descobertos em Israel na década de 1920, eram migrações falhadas.

No entanto, as descobertas mais recentes baralharam essa narrativa simplista. Alguns fósseis semelhantes a H. sapiens de Marrocos com mais de 300 mil anos relatados no ano passado colocam a possibilidade de que os humanos modernos evoluíram mais cedo e, talvez, noutro local de África. Dentes do sul da China, descritos em 2015, indiciam migrações de longa distância há 120 mil anos e estudos genéticos acrescentaram confusão com as comparações de populações mundiais a apontarem para uma única migração para fora de África  e outras a apontarem para múltiplas vagas.

No início da década de 2000, a arqueóloga Mina Weinstein-Evron, da Universidade de Haifa, e o paleoantropólogo Israel Hershkowitz, da Universidade de Telavive, começaram um projeto para escavar uma série de grutas israelitas. “Chamamos-lhe 'Em busca das origens dos primeiros Homens modernos' pois era disso que andávamos à procura", diz Weinstein-Evron.

A sua equipa descobriu o fragmento de mandíbula em 2002 na gruta Misliya, a mais alta da do monte Carmel. Está a poucos quilómetros da gruta Skhul, um dos locais onde os vestígios com 80 a 120 mil anos foram encontrados nas décadas de 1920 e 1930. Usando vários métodos a equipa estima que o fóssil tenha entre 177 e 194 mil anos de idade.

  Os vestígios são inegavelmente H. sapiens, diz María Martinón-Torres, paleoantropóloga da equipa e do  Centro de Investigação da Evolução Humana em Burgos, Espanha. A datação parece sólida e os fósseis são de H. sapiens, concorda Huw Groucutt, arqueólogo na Universidade de Oxford, e não está surpreso de os encontrar em Israel. Ele já tinha alegado que as ferramentas de pedra com 175 mil anos encontradas noutros locais do Médio Oriente eram semelhantes às do H. sapiens.

Hershkowitz considera que o fóssil indica um ocupação a longo prazo no Próximo Oriente pelos primeiros H. sapiens: “Era um ponto central, as pessoas iam e vinham por este corredor terrestre de um continente para o outro e esteve ocupado o tempo todo." Uma vez lá, os humanos devem ter encontrado e cruzado com Neanderthal, diz ela, apontando um estudo do DNA de 2017 que sugere que esses cruzamentos devem ter ocorrido há mais de 200 mil anos.

O fóssil pode indicar que Israel e o resto da península arábica foram parte de uma região em que o H. sapiens evoluiu, diz John Shea, arqueólogo na Universidade Stony Brook em Nova Iorque: "Israel é uma zona de transição entre o norte de África e a Ásia ocidental, muitos animais afro-árabes lá viveram ou vivem e o Homo sapiens é outra dessas espécies."

 

 

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