2018-01-28

Subject: Primeiros macacos clonados pela técnica que produziu a ovelha Dolly

Primeiros macacos clonados pela técnica que produziu a ovelha Dolly

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Biólogos em Xangai, China, revelaram ter criado os primeiros primatas clonados a partir de uma técnica semelhante à usada para clonar a ovelha Dolly e perto de outras duas dúzias de espécies desde então. O método tinha falhado, até agora, na produção de primatas vivos.

Os investigadores esperam usar a técnica revista para desenvolver populações de primatas geneticamente idênticos para fornecer modelos melhorados de doenças humanas, como o cancro. A tecnologia, descrita na revista Cell, também pode ser combinada com ferramentas de edição como a CRISPR–Cas9 para criar modelos do cérebro de primatas geneticamente modificados para doenças humanas como o Parkinson.

“Este artigo marca realmente o início de uma nova era na investigação biomédica”, diz Xiong Zhi-Qi, neurocientista perito em doenças cerebrais no Instituto de Neurociência da Academia Chinesa de Ciências em Xangai, que não esteve envolvido no projeto.

No entanto, este avanço também deverá originar receios entre os cientistas e o público de que possa ser usada para clonar humanos. “Tecnicamente não barreiras à clonagem humana", diz o diretor do Instituto de Neurociência Mu-Ming Poo, um coautor do estudo. Mas o instituto está apenas interessado em clonar primatas não humanos para grupos de investigação, continua ele.

Os primatas têm-se revelados complicados de copiar, apesar das muitas tentativas de usar a técnica standard de clonagem. Nesse método, o DNA de uma célula dadora é injetada num óvulo de onde se removeu o núcleo.

Os investigadores do instituto Qiang e Liu Zhen combinaram várias técnicas desenvolvidas para outros grupos de forma a otimizar o processo. Um dos truques foi remover as modificações químicas no DNA que ocorrem quando as células embrionárias se transformam em células diferenciadas.

Usando células fetais, criaram 109 embriões clonados e implantaram cerca de três quartos deles em 21 barrigas de aluguer. Isto resultou em seis gravidezes e dois macacos de causa longa Macaca fascicularis sobreviveram ao nascimento: Zhong Zhong, agora com oito semanas e Hua Hua, com seis semanas de idade. Poo refere que ambos parecem saudáveis e o instituto espera agora mais seis nascimentos de clones.

O especialista em clonagem Shoukhrat Mitalipov, da Universidade de Saúde e Ciência do Oregon em Portland, dá os parabéns à equipa chinesa: “Sei muito bem a dificuldade disto, usei mais de 15 mil óvulos de macaco em tentativas de clonagem nos anos 2000. Apesar de ter conseguido produzir linhagens de células estaminais a partir de embriões humanos e de macaco clonados, nunca conseguiu um nascimento vivo.

Os animais clonados oferecem vantagens significativas como modelos para o estudo de doenças humanas. Em experiências com animais não clonados é difícil saber se as diferenças entre os grupos de teste e controlo são causadas pelo tratamento ou por variações genéticas, explica Terry Sejnowski, neurobiólogo computacional no Instituto Salk de Estudos Biológicos em La Jolla, Califórnia. “Trabalhar com animais clonados reduz grandemente a variabilidade do fundo genético logo são precisos menos animais."

 

Sejnowski também considera os cérebros dos primatas os melhores modelos para estudar doenças mentais humanas e processos degenerativos. A capacidade de clonar macacos pode reanimar os estudos com primatas, que declinaram na maior parte do mundo, diz Poo. As experiências sobre Parkinson que atualmente usam centenas de macacos podem ser feitas com apenas dez clones, diz ele.

O neurocientista Chang Hung-Chun considera que a tecnologia de clonagem de primatas será em breve combinada com ferramentas de edição genética para estudar doenças genéticas em cérebros de primatas. A edição genética já é usada em embriões de macaco em desenvolvimento mas isso deixa em aberto a possibilidade de algumas células não terem sido editadas, o que afeta os resultados.

Com a clonagem, a célula dadora pode ser editada antes de ser injetada no óvulo. No espaço de um ano, Poo espera o nascimento de macacos clonados cujas células tenham sido editadas para modelar perturbações nos ritmos circadianos e Parkinson.

Estimulada pela promessa de investigação em primatas, Xangai está a planear criar um Centro Internacional de Investigação em Primatas, a anunciar nos próximos meses.

Apesar de a maioria dos biólogos reprodutivos não dever considerar a técnica para clonar humanos por objeções éticas, Mitalipov preocupa-se com a possibilidade de tal poder ser tentado em clínicas privadas.

A China tem diretrizes que proíbem a clonagem reprodutiva mas não existem leis, para além de pouca verificação do que é feito com células estaminais do ponto de vista terapêutico. Outros países, como os Estados Unidos, nem sequer proíbem a clonagem reprodutiva: “Só a regulamentação pode parar isto agora", diz Poo. “A sociedade tem que prestar mais atenção ao que se passa."

 

 

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