2018-01-25

Subject: Genes de tatu e coelho revelam a evolução da gravidez

Genes de tatu e coelho revelam a evolução da gravidez

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

@ Nature/Yukihiro Fukuda/NPL

Humanos, cães e cerca de 4 mil outras espécies de animais placentários distinguem-se das restantes pela sua capacidade de manter um feto no interior do corpo durante longos períodos de tempo. Esta adaptação vital permite o desenvolvimento lento de cérebros de grandes dimensões.

Agora, um estudo da expressão genética nas primeiras etapas da gravidez, quando o embrião se implanta no útero, sugere que os animais placentários desenvolveram a capacidade de transformar um ataque inflamatório ao embrião numa vantagem.

“A implantação parece uma reação inflamatória porque surgiu de uma reação inflamatória", explica Arun Chavan, biólogo evolutivo na Universidade de Yale em New Haven, Connecticut. Ele apresentou as suas descobertas no encontro da Sociedade de Biologia Integrativa e Comparativa em San Francisco, Califórnia. “Fizemos este estudo para aprendermos como, em vez disso, se tornou um processo de implantação."

Os biólogos evolutivos pensam que os mamíferos ancestrais punham ovos, como os ornitorrincos atuais. Os marsupiais, como os opossuns e os cangurus, surgiram depois: os seus fetos saem de um ovo com casca no interior do corpo da mãe, antes de serem expelidos do seu corpo mas essa saída do ovo parece desencadear o sistema imunitário.

Num artigo de Julho passado publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, Chavan e os seus colegas mostraram que um conjunto de de genes inflamatórios é ativado quando um feto de opossum Monodelphis domestica deixa o ovo e se liga ao revestimento uterino. Estudos anteriores em mamíferos placentários mostraram sinais de resposta imunitária quando o embrião se prende na parede do útero.

Mas em mamíferos placentários o embrião não se prende simplesmente à parede do útero. Em vez disso, destrói o revestimento do útero à medida que invade o tecido, desencadeando uma onda de proteínas inflamatórias. Durante infeções e ferimentos estas proteínas geralmente combatem o invasores e reparam os ferimentos.

Algumas delas podem ser danosas para um a vida a começar mas estudos sugerem que a inflamação é necessária ao embrião. Por exemplo, mulheres que tomam medicamentos anti-inflamatórios nos primeiros dias de gravidez têm um risco superior de aborto porque o embrião não se implanta no útero. Os biólogos reprodutivos defendem que certos aspetos da inflamação, como o crescimento de novos vasos sanguíneos, ajudam o embrião em desenvolvimento a obter o oxigénio e nutrientes de que precisa.

Para descobrir de que forma os mamíferos placentários são capazes de suportar o assalto das proteínas nesses primeiros dias, Chavan analisou a resposta inflamatória em três espécies: o coelho Oryctolagus cuniculus, o tatu Dasypus novemcinctus e o tenrec Echinops telfairi.

  Uma proteína inflamatória, a interleucina-17, que estava presente em níveis elevados no opossum parecia inativa nos placentários. A proteína geralmente atrai glóbulos brancos que fagocitam os invasores. “Provavelmente é importante desativá-las antes que destruam o embrião", diz Chavan.

Os seus estudos preliminares descobriam que as células do revestimento uterino dos placentários suprimem a produção de interleucina-17 e outros aspetos da resposta inflamatória amainam posteriormente na gravidez, apesar de não ser claro por que razão. Os resultados sugerem que os placentários afinaram a inflamação ao longo da gravidez até que desapareça. “Os mamíferos descobriram uma forma de manter alguns aspetos da inflamação favoráveis ao feto mas bloqueiam as partes destrutivas da resposta", diz Gunter Wagner, biólogo evolutivo de Yale e investigador sénior nos estudos.

Estas descobertas são fascinantes, diz Gil Mor, imunologista reprodutivo em Yale. Ele espera que forneçam detalhes que ajudem os clínicos a reduzir os abortos espontâneos e melhorar as taxas de implantação em mulheres que recorrem à fertilização in vitro. Apesar da inflamação parecer ser necessária durante a implantação, é a principal casa de aborto e de nascimentos prematuros durante os segundo e terceiro trimestres. "Precisamos de encontrar formas de passar de estados pró-inflamatórios a anti-inflamatórios para as mulheres manterem os seus bebés", diz Mor.

 

 

Saber mais:

Gigantesco estudo genético mostra como estamos a evoluir

Insónia associada a nascimentos prematuros

Emerge uma nova perspetiva do sistema imunitário fetal

Infeções revelam desigualdade entre sexos

Mãe polvo estabelece recorde de gestação

Fome em ratas grávidas deixa marcas no DNA da descendência

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgPinterest simbiotica.orgInstagram simbiotica.orgYouTube simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2018


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com