2017-11-13

Subject: Maçãs geneticamente modificadas chegam ao mercado americano

Maçãs geneticamente modificadas chegam ao mercado americano

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@ Nature/Okanagan Specialty Fruits, Inc.

Este mês, sacos de fatias de maçã vão chegar aos  supermercados americanos pela primeira vez. Quem os comprar pode deixar as  fatias fora da embalagem para ir comendo graças ao feito da engenharia genética  que impede que a sua polpa de escurecer quando exposta ao ar.

A maçã ártica é um dos primeiros alimentos a receber  uma característica destinada a agradar mais aos consumidores que aos  agricultores e junta-se a um pequeno número de organismos geneticamente  modificados (OGM) a ser vendido como produto completo e não como ingrediente.  Desde que a Okanagan Specialty Fruits de Summerland, Canadá, plantou as suas  primeiras maças de teste em 2003, o leque de alimentos modificados em  laboratórios expandiu-se para incluir hambúrgueres sem carne (feitos com proteína  de soja produzida por leveduras recombinantes), filetes de peixe criados por  células estaminais de organismos marinhos e cogumelos cujos genomas foram  editados por tecnologia CRISPR. A maioria deste ainda não chegou ao mercado, no  entanto.

Agora, muitas pequenas companhias biotecnológicas que  desenvolvem estes alimentos estão de olho no lançamento da maçã ártica, ansiosas  por pistas sobre a forma como os consumidores irão reagir aos frutos do seu  trabalho. “Se as maçãs se venderem, isso vai abrir caminho a outros”, diz Yinong  Yang, patologista vegetal na Universidade Estadual da Pensilvânia em University  Park, que usou a CRISPR para modificar um cogumelo que resiste ao escurecimento.  Ele espera obter um dia a licença para o vender aos criadores comerciais.

Mary Maxon, que supervisiona o programa de biociências no Laboratório Nacional Lawrence Berkeley na Califórnia, concorda: “A maçã não é o primeiro OGM que as pessoas comerão mas é o primeiro que os consumidores poderão valorizar", explica ela.

Quando o cofundador da Okanagan, Neal Carter, comprou um pomar em 1995, pensou muito em como poderia vingar no mercado americano. Descobriu a resposta na Austrália, onde os investigadores da Organização de Investigação Científica e Industrial da Commonwealth tinham descoberto como remover um gene que codifica a enzima que provoca a oxidação das células vegetais quando expostas ao ar. Carter percebeu que suprimindo a enzima nas maçãs permitir-lhe-ia vende-las em fatias como um aperitivo sem utilização de conservantes.

Só depois percebeu que para os consumidores se convencerem a comprar tinha que ultrapassar a desconfiança em relação aos OGM. As pesquisas da Okanagan nos maiores estados produtores de maçãs (Nova Iorque e Washington) revelaram que cerca de 20% das pessoas desconfiavam dos OGM mas a companhia também descobriu que muitas mudavam de opinião quando lhes explicavam que se impedia a oxidação e havia testes de segurança.

Mike Seldon, o cofundador da Finless Foods de Nova Iorque que está a desenvolver filetes de peixe criados a partir de células estaminais, concorda que fornecer mais informação ajuda a conquistar os consumidores: "Não vamos repetir os erros da indústria de OGM do passado, que colocou alimentos no mercado sem qualquer debate público. Se o fizermos temos garantida uma reação negativa."

 

Seldon nota um paralelo entre a maçã ártica e os seus filetes: ambos foram criados com atributos que agradam aos consumidores. A Finless Foods, que criou protótipos de filetes de atum, espera que as pessoas sejam conquistadas pela ideia de comer peixe sem se preocuparem com pesca excessiva, morte de animais ou poluição ambiental.

Mas outros consideram que a Okanagan não foi suficientemente longe na informação sobre a forma como a sua maçã foi obtida. A companhia não menciona que se trata de um OGM na embalagem, apresenta antes um código QR que encaminha para informação online: “Nem todos têm um smartphone e, mesmo que o tenham, vão verificar todos os artigos dessa forma?", diz Bill Freese, analista de política científica no Centro de Segurança Alimentar, um grupo ativista de Washington DC. Ele acha que as maçãs deviam ser claramente identificadas como OGM.

A reação dos consumidores não é a única preocupação para quem desenvolve alimentos geneticamente modificados ou de outra forma fabricados em laboratório que pretendem vender os seus produtos nos Estados Unidos. Uma importante pedra nesse caminho é o processo regulatório americano, que envolve uma rede complicada de agências federais e não oferece garantias d celeridade. Os reguladores americanos avaliaram a maçã ártica durante cinco anos, antes de a aprovarem para venda, mas demoraram apenas dois anos a analisar uma batata OGM que também não oxida desenvolvida pela J. R. Simplot de Boise, Idaho.

Ainda assim, Carter está otimista em relação à resposta à sua maçã ártica: “Já é raro recebermos e-mails a dizer que somos Satanás mas já começámos a receber perguntas sobre onde as comprar."

 

 

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