2017-11-12

Subject: Infusões de sangue novo testadas em pacientes com demência

Infusões de sangue novo testadas em pacientes com demência

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O primeiro teste clínico controlado, ainda que pequeno e controverso, de injeção de sangue novo em pessoas com demência relatou que o procedimento parece ser seguro e indiciou que pode até produzir melhorias modestas na vida diária de doentes de Alzheimer.

Os investigadores que realiaram o teste alertam, no entanto, para o facto de os resultados se basearem em apenas 18 pessoas e, portanto, serem apenas um primeiro passo na exploração deste tipo de tratamento. "Este foi um teste clínico muito pequeno e os resultados não devem ser exagerados", diz Tony Wyss-Coray, neurocientista na Universidade de Stanford, Califórnia. O teste foi realizado pela start-up Alkahest, sediada em San Carlos, Califórnia, e foi liderada pela nuerologista de Stanford Sharon Sha.

Os resultados sugerem que o procedimento é seguro e indicam que pode mesmo aumentar a capacidade das pessoas com demências para realizar tarefas do dia a dia, como fazer compras ou preparar uma refeição. A equipa tenciona apresentar os seus resultados na 10ª conferência de testes clínicos sobre Alzheimer em Boston, Massachusetts.

A equipa testou pessoas com idades entre os 54 e os 86 anos, todas com sintomas suaves a moderados de Alzheimer, que receberam infusões semanais durante quantro semanas. Receberam um placebo salino ou plasma (sangue de onde foram retirados os glóbulos vermelhos) de dadores com idades entre os 18 e os 30 anos. Durante o estudo, a equipa monitorizou os pacientes para avaliar as suas capacidades cognitivas, disposição e capacidades gerais para gerir a sua vida de forma independente.

O estudo não detetou reações adversas graves, nem efeitos significativos na cognição mas duas baterias diferentes de testes de avaliação de competências do dia a dia revelaram melhorias significativas.

O teste em humanos surgiu na sequência de experiências em parabiose, em que os sistemas circulatórios de roedores foram unidos cirurgicamente para ver o que acontecia quando moléculas em circulação num animal entravam noutro.

Alkahest tenciona agora realizar um teste maior usando plasma em que muitas das proteínas foram removidas. Wyss-Coray, cujo grupo realizou a maior parte dos estudos em ratos que inspiraram o teste clínico, refere que as suas experiências sugerem que o tratamento pode ser mais eficiente usando plasma completo.

Os testes de transfusões de sangue são controversos porque as moléculas ativas do plasma que parecem conduzir aos efeitos relatados são desconhecidas.

  Irina Conboy, neurologista na Universidade da Califórnia, Berkeley, realizou longas experiências em parabiose juntando ratos jovens e velhos geneticamente compativeis. Descobriu que o sangue novo claramente rejuvenesce tecidos no rato, como o coração e o cérebro, mas considera que os efeitos são provavelmente coordenados por um conjunto complexo de fatores sanguíneos que têm que ser compreendidos melhor antes de se passar à clínica.

“A base científica para o teste não existe", diz ela. “Os efeitos do sangue novo na cognição não foram replicados por um grupo independente e nunca houve um teste em modelo rato do Alzheimer.” Ela considera que expor os idosos frequentemente a plasma estranho pode não ser seguro pois a hiperativação do seu sistema imunitário pode levar a doenças inflamatórias ou autoimunes.

Mas Wyss-Coray replica que “os doentes com Alzheimer não querem esperar até que o modo exato de ação seja descoberto". Ele di que esta é a primeira nova abordagem para o Alzheimer que não se baseia na teoria prevalente de que a doença é causada por moléculas amilóide-β ou tau desgovernadas no cérebro, que até agora não revelou resultados em nenhum tratamento.

As transfusões sanguíneas usadas com este objetivo não exigem a aprovação pela Administração Americana para a Alimentação e Medicamentos e algumas companhias já estão a cobrar valores elevados por transfusões de sangue novo.

 

 

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