2017-10-08

Subject: Queda dramática nos nascimentos de tartarugas marinhas intriga cientistas

Queda dramática nos nascimentos de tartarugas marinhas intriga cientistas

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@ Nature/Jurgen Freund/NPL/Getty

O mistério por trás da dramática queda no número de nascimentos de tartaruga-de-couro Dermochelys coriacea nas Ilhas Virgens americanas permanece por resolver, apesar dos mais recentes esforços dos investigadores.

A subida das temperaturas e as alterações nos padrões de precipitação, os dois principais suspeitos, não parecem ter relação com o declínio, de acordo com um estudo agora publicado. A descoberta contradiz trabalhos anteriores, deixando os investigadores a coçar a cabeça sobre o que pode estar a acontecer.

Este último estudo foca-se numa praia de postura no Refúgio Nacional da Vida Selvagem de Sandy Point na ilha de St Croix no mar das Caraíbas. Os investigadores descobriram que cerca de 74% dos ovos de tartaruga-de-couro postos nesse local em 1990 nasceram mas a taxa caiu para 55% em 2010.

O estudo analisou dados detalhados de temperatura e precipitação nestes ninhos ao longo de 20 anos e não descobriram qualquer tendência correspondente em qualquer desses fatores das alterações climáticas que pudesse ser completamente responsabilizada pelo declínio. Os investigadores relatam os seus resultados na Royal Society Open Science.

O aumento da temperatura e padrões mais erráticos de precipitação afetam realmente os ninhos mas não são a única razão para o declínio dos nascimentos, diz Anthony Rafferty, biólogo marinho na Universidade Monash em Melbourne, Austrália, e um dos coautores do estudo.

Esta tendência é especialmente intrigante à luz do aumento da população das tartarugas marinhas adultas: “O número de fêmeas a fazer ninho e o tamanho da população têm vindo a aumentar neste local”, diz Rafferty. “Mas tem vindo a observar-se uma redução no sucesso de nascimentos que nos tem preocupado.” Isso pode ter efeitos negativos nas populações de tartarugas-de-couro no espaço de uma ou duas décadas, diz ele, quando essas crias atingirem a maturidade.

“É difícil dizer quanto do que está a acontecer se deve às alterações climáticas", diz Vincent Saba, perito climático na Administração Nacional Oceânica e Atmosférica americana em Princeton, Nova Jérsia. Ele foi coautor de um estudo em 2015 que descobriu uma relação entre a temperatura do ar, os padrões de precipitação e o declínio no sucesso dos nascimentos das tartarugas-de-couro. Esse estudo examinou dados de 1982 a 2010 e analisou a precipitação sazonal, ao contrário do estudo mais recente, que analisou apenas a precipitação durante a época de postura. O estudo previu que, até 2100, Sandy Point terá as condições climáticas mais adversas de todos os locais de nidificação das tartarugas-de-couro por todo o mundo.

  “Eu gosto do estudo, eles analisaram o efeito do clima com mais detalhe", diz Pilar Santidrián Tomillo, bióloga marinha e diretora de ciência do Leatherback Trust, sediado em Playa Grande, Costa Rica. Ela foi coautora do estudo de 2015 e aprecia a imagem mais completa do que pode estar a acontecer em Sandy Point que o estudo mais recente forneceu.

Os ovos de tartaruga marinha são espantosamente sensíveis ao clima pois o calor, o dióxido de carbono, o oxigénio e a água passam livremente através das suas cascas permeáveis. As temperaturas envolventes determinam o sexo das crias: condições mais quentes originam fêmeas e as mais frias machos.

A precipitação pode influenciar o desenvolvimento dos embriões e a capacidade das crias de escapar do ninho, diz Rafferty. Demasido pouca chuva pode fazer com que a areia fique muito seca para as jovens tartarugas saírem, demasiada chuva nas primeira etapas do desenvolvimento do ovo pode levar a uma redução do teor de oxigénio disponível para o embrião.

“Penso que alterações nos níveis de precipitação ou nos seus padrões podem explicar o declínio no sucesso dos nascimentos em parte mas podem existir outras raões, como o declínio da fertilidade ou o aumento dos poluentes, por exemplo”, diz Santidrián Tomillo.

Rafferty, especialista em pesquisa nos embriões, tenciona agora analisar de que forma a idade e a saúde da fêmea pode afetar a sua fertilidade ou o local onde põe os seus ovos.

 

 

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