2017-10-06

Subject: Cientistas chineses revertem doença genética em embriões humanos clonados

Cientistas chineses revertem doença genética em embriões humanos clonados

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Uma equipa chinesa usou uma nova abordagem para tratar genes doentes em embriões humanos. Os investigadores criaram embriões clonados com uma mutação genética que origina uma doença sanguínea potencialmente fatal e posteriormente corrigiram o DNA de forma precisa para demonstrar que a doença pode ser prevenida nas etapas iniciais do desenvolvimento.

O trabalho, publicado na revista Protein & Cell, é o mais recente numa série de experiências de edição de genes em embriões humanos e empregou uma série de impressionantes inovações, dizem os cientistas. Em vez de substituir secções inteiras dos genes, a equipa liderada por Junjiu Huang, da Universidade Sun Yat-sen em Guangzhou, China, alterou bases individuais do DNA usando uma tecnologia de edição de genes desenvolvida nos Estados Unidos.

A equipa de Huang também foi a primeira a retirar uma mutação responsável por uma doença recessiva. Como seria difícil aos investigadores encontrar dúzias de embriões com esta dupla mutação rara, a equipa ultrapassou esta dificuldade desenvolvendo clones embrionários a partir de células da pele dos seus pacientes.

“Pensei cá para mim 'para quê clonar?' mas depois li o artigo e achei fascinante”, diz Shoukhrat Mitalipov, especialista em biologia reprodutiva na Universidade de Saúde e Ciência do Oregon em Portland, pioneiro na clonagem humana e que também trabalha em edição genética em embriões. “Eu nunca teria pensado em fazer as coisas desta forma."

Cientistas de todo o mundo já publicaram oito estudos sobre edição genética em embriões humanos, cinco deles nos últimos cinco meses. Nenhum deles permitiu que os embriões crescessem para além dos 14 dias e as pesquisas tiveram diferentes objetivos: algumas testaram as tecnologias de edição genética, outras editaram vários genes relacionados com doenças e outras ainda tentam revelar os mecanismos do desenvolvimento embrionário. A equipa de Huang publicou o primeiro artigo em Abril de 2015, em que usaram a CRISPR–Cas9 para cortar cromossomas em locais específicos, retirando DNA e substituindo-o com outro material genético.

Neste último estudo, a equipa de Huang usou uma edição de bases, uma modificação da técnica CRISPR–Cas9. Este sistema guia a enzima a localizações genéticas específicas mas não corta o DNA. Em vez disso, a Cas9 é desativada e ligada a outra enzima, que troca bases individualmente. Neste momento, a técnica pode converter guanina em adenina e citosina em timina. Centenas de doenças genéticas são causadas por alterações numa única base (mutações pontuais), pelo que editá-las nesta etapa embrionária pode afastar esses problemas.

A equipa de Huang escolheu uma mutação vulgar na população chinesa, uma troca de adenina por guanina numa região do gene HBB, que pode provocar β-talassémia, uma doença sanguínea recessiva associada a anemia grave ou mesmo fatal.

Geralmente os investigadores procuram embriões em clínicas de fertilização in vitro mas é raro que estas tenham embriões com duas cópias de uma dada mutação rara. Por isso, a equipa de Huang descobriu uma pessoa com a doença, extraiu dela células de pele e usou técnicas de clonagem para desenvolver embriões com a mesma composição genética.

  Os investigadores relataram que em 8 dos 20 embriões clonados conseguiram converter a guanina errada numa adenina em uma ou em ambas as cópias do gene, recordando que quando a doença é recessiva, reparar uma cópia pode ser suficiente para curar. Essa taxa é demasiado baixa para a técnica ser considerada para utilização clínica mas a eficiência foi alta quando comparada com outros estudos de edição genética.

Mas os cientistas alertam para o facto de nem todas as células dos 8 embriões terem sido corrigidas e esses embriões mosaico podem ser potencialmente perigosos. "Parece um trabalho sólido mas salienta que a questão dos mosaicos continua a ser um desafio na edição genética de embriões humanos", diz Dieter Egli, biólogo de células estaminais na Universidade de Colúmbia em Nova Iorque.

Também tem sido questionado se Huang analisou com a devida atenção se ocorreram alterações genéticas não pretendidas que possam ter sido devidas aos processo de edição, apesar de ter relatado que não foram encontradas.

Huang diz que futuras experiências serão mais rigorosas mas que este primeiro estudo foi uma bem sucedida prova do princípio que a técnica de edição genética apode ser usada para corrigir mutações causadoras de doenças em embriões humanos. Pode ser que a CRISPR–Cas9 convencional não consiga corrigir ambas as cópias mas isso ainda não é claro.

Futuramente, Huang tenciona pedir oócitos e espermatozoides a dadores com uma cópia mutada do gene (portanto são saudáveis mas portadores da doença) e usá-los para obter embriões e editá-los. Isso levanta a polémica questão de a edição genética puder ser usada para mais que prevenção de doenças mas também para evitar que as pessoas sejam portadoras.

 

 

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