2017-10-05

Subject: Prémio Nobel para trabalho sobre relógios circadianos

Prémio Nobel para trabalho sobre relógios circadianos

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@ Nature/Nora Tam/SCMP

Os três cientistas que estudaram o funcionamento dos relógios circadianos internos dos organismos ganharam o prémio Nobel da Medicina de 2017. Jeffrey Hall e Michael Rosbash, ambos da Universidade Brandeis em Waltham, Massachusetts, vão dividir o prémio de 9 milhões coroas suecas (US$1,1 milhões) com Michael Young, da Universidade Rockefeller em Nova Iorque.

Começando na década de 1980, os três investigadores isolaram e caracterizaram um gene nas moscas da fruta, o período, que codifica uma proteína que se acumula todas as noites para acabar por ser decomposta no dia seguinte. Em trabalhos subsequentes, o trio estudou a regulação molecular do gene período (e da proteína que codifica, chamada PER) e identificaram componentes adicionais do relógio circadiano.

Todos os organismos multicelulares possuem relógios circadianos e as versões humanas dos genes que compõem os seus relógios têm sido implicadas em perturbações do sono e outras questões médicas.

Rosbash, Hall e Young têm vindo a acumular prémios nos últimos cinco anos. Em 2013, por exemplo, pertilharam o prémio Shaw de Medicina e Ciências da Vida, então no valor US$1 milhões, o que deixou logo a expectativa da atribuição do Nobel, diz Herman Wijnen, que estuda relógios circadianos na Universidade de Southampton, Reino Unido, e fez o postdoc no laboratório de Young.

O trabalho tem as suas raízes nas análises genéticas feitas pelo médico e biólogo molecular Seymour Benzer e pelo geneticista Ronald Konopka (ambos já falecidos), que juntos descobriram moscas da fruta mutantes com ritmos anormais de choco. Na altura, a ideia a ideia de que o comportamento podia ter uma base genética era controversa, diz Wijnen. Anos depois, duas equipas (uma liderada por Young e a outra por Hall e Rosbash) iriam clonar os genes responsáveis, “o que realmente mudou a situação", diz Wijnen. “Desde então, tornou-se claro como este sistema está conservado e como conceptualmente pode funcionar."

A competição entre as duas equipa, cada uma com ambições de ser a primeira a identificar o gene, foi inicialmente intensa, diz Charalambos Kyriacou, geneticista comportamental na Universidade de Leicester, Reino Unido, que trabalhou com Hall no final da década de 1970: “À medida que foram envelhecendo tornaram-se amigos."

  Subsequentemente ficou esclarecido de que forma a abundância da proteína PER atinge o seu pico à noite e se reduz durante o dia. Os investigadores criaram gradualmente um modelo em que a acumulação da PER serve de sinal que reprime a expressão do gene que a codifica. Este tipo de feedback negativo tornou-se o tema prevalente no estudo dos ritmos circadianos, pois os investigadores identificaram outros feedbacks e proteínas relógio ao longo dos anos.

Joseph Takahashi, do Centro Médico da Universidade Texas Southwestern em Dallas levou o trabalho das moscas da fruta para os mamíferos, e mostrou que o sistema é espantosamente semelhante nas várias espécies. Desde então, os investigadores associaram os relógios circadianos a muitos aspectos do bem-estar mental e físico: “Expomo-nos a luz desadequada, viajamos através de diferentes fusos horários, trabalhamos por turnos e tudo isso tem impacto negativo na nossa saúde", diz Wijnen.

As ligações entre o relógio circadiano e a saúde humana são tão persuasivas que as faculdades de medicina deveriam dar mais atenção à cronobiologia, diz Martha Merrow, professora de psicologia médica na Universidade Ludwig Maximilian de Munique, Alemanha. Esta pode ser uma especialidade por si só ou incorporada no treino médico de outras especialidades, como a endocrinologia ou a reumatologia, acrescenta ela. O prémio Nobel pode dar a Merrow mais força na defesa desta ideia.

 

 

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