2007-04-02

Subject: Investigadores alertam para possível ligação entre futebol e doenças neuromotoras

 

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Investigadores alertam para possível ligação entre futebol e doenças neuromotoras

 

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Neurocientistas ingleses planeiam investigar se jogar futebol contribui para o desenvolvimento de doenças neuromotoras. A decisão surge após três futebolistas amadores que jogavam na mesma liga terem desenvolvido a doença, que normalmente afecta menos de uma pessoa em 50 mil por ano.

Peritos tencionam agora lançar um estudo epidemiológico dos jogadores profissionais e de pacientes de doenças neuromotoras (DNM), para verificar se o desporto realmente aumenta a incidência da doença entre os futebolistas.

Detalhes dos pacientes, todos futebolistas empenhados, foram publicados na revista Amyotrophic Lateral Sclerosis, uma publicação nomeada de acordo com a forma mais comum de DNM. Os pacientes têm idades entre os 56 e os 61 anos e foram todos diagnosticados com a doença no espaço de uma década.

"O que é mais invulgar acerca deste grupo é serem todos amigos e terem desenvolvido DNM simultaneamente", diz Ammar Al-Chalabi, do King's College de Londres, um dos peritos que descreveu os casos. "Um grupo destes pode ocorrer por acaso mas as probabilidades são muito baixas."

Os três têm vários potenciais factores de risco em comum, incluindo terem sido electrocutados em algum momento da vida, mas os autores salientam que todos eram grandes adeptos de futebol, jogando mais de duas vezes por semana (quase como se fossem profissionais).

"O próximo passo é um estudo epidemiológico adequado", acrescenta Al-Chalabi. Ele e a sua equipa estão a planear abordar a Associação de Futebolistas Profissionais para obter dados sobre antigos futebolistas profissionais e verificar se têm uma incidência acima da média da doença.

Uma possível ligação entre o futebol e as DNM, que levam à paralisia e em última análise à morte, já tinha sido encontrada antes. Em 2005, investigadores italianos relataram que os futebolistas profissionais que jogaram em Itália entre 1970 e 2001 tinham mais de seis vezes maior probabilidade de desenvolver a doença. Esta descoberta foi um subproduto de um estudo que procurava evidências de abuso de esteróides entre os futebolistas.

As DNM têm um vasto leque de possíveis causas, incluindo factores genéticos. A sugestão mais óbvia no caso dos futebolistas é que o cabecear repetido da bola pode causar lesões cerebrais. Muitos boxers, nomeadamente Muhammad Ali, que agora sofre de uma forma de doença de Parkinson, têm sofrido doenças cerebrais em resultado dos sucessivos golpes na cabeça.

Mas dois dos três pacientes ingleses dizem que evitavam cabecear durante os jogos e as DNM envolvem a morte de neurónios motores, a maioria dos quais está no interior do cérebro e da espinal medula, logo numa posição onde é pouco provável serem danificados por impactos no crânio.

 

Outra teoria considera que pesticidas perigosos na relva, ou compostos da tinta usada nas marcações, podem chegar à circulação sanguínea através de pequenas feridas ou mesmo através da pele, quando a bola lhe bate, sugere Al-Chalabi. É certo que alguns químicos podem matar neurónios, apesar de não existir uma ligação determinada com as DNM.

Uma outra possibilidade é que a actividade frequente dos neurónios motores nos desportistas de alta competição possa gerar grandes quantidades de resíduos químicos que danificam as células nervosas, conduzindo a um aumento da probabilidade de desenvolvimento de DNM mais tarde na vida.

"Basicamente, todas as teorias são válidas neste momento. Isso é parte do problema", comenta Brian Dickie, director de investigação na Motor Neurone Disease Association.

Dickie considera que "vale a pena verificar se o estudo italiano pode ser replicado" numa investigação com o objectivo de analisar uma ligação entre o futebol e as DNM. Actualmente ele está na linha da frente da criação de uma base de dados com 1500 pacientes com DNM e 1500 voluntários controlo cuidadosamente emparelhados, numa tentativa de detectar algumas das causas destas doenças raras.

Entretanto, Dickie está a ter dificuldade em fazer passar a mensagem de que os benefícios para a saúde da prática desportiva suplantam os possíveis danos. "Não permitam que este estudo vos leve a deixar de jogar futebol", diz ele. "Os italianos tinham um aumento de seis vezes na probabilidade de desenvolver DNM, o que parece muito mas isso continua a significar que se trata de doenças raras." 

 

 

Saber mais:

MRC Centre for Neurodegeneration Research

Motor Neurone Disease Association

Experiência sobre Parkinson dá resultados mistos

 

 

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