2007-03-28

Subject: Desaparecimento dos dinossauros não abriu caminho aos mamíferos

 

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Desaparecimento dos dinossauros não abriu caminho aos mamíferos

 

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A extinção dos dinossauros teve pouco impacto na evolução dos mamíferos actuais, dizem os investigadores. Após construir a árvore filogenética do praticamente todos os mamíferos vivos, mostraram que os principais grupos surgiram milhões de anos antes da extinção dos dinossauros e não se tornaram dominantes antes de muitos milhões de anos passarem após essa extinção.

O desaparecimento dos dinossauros no final do Cretácico, há cerca de 65 milhões de anos, deixou espaço e recursos para outros mas não abriu caminho especificamente para a diversidade de animais que evoluíram para os mamíferos actuais, diz o biólogo evolutivo Olaf Bininda-Emonds, da Universidade Técnica de Munique. "Após a extinção dos dinossauros, ainda assim os mamíferos não se diversificaram."

Houve um surto de evolução nos mamíferos após a extinção dos dinossauros, relata Bininda-Emonds e os seus colegas na revista Nature. Mas ocorreu em grupos que se extinguiram, como um grupo de carnívoros com cascos conhecidos por mesonychidos, ou que têm poucas espécies actualmente, como as preguiças.

Os grupos actuais de mamíferos bem sucedidos, incluindo os primatas, mantêm-se discretos nessa altura, apenas se começam a diversificar até há cerca de 50 milhões.

A maioria dos grupos principais de mamíferos, incluindo os primeiros roedores, morcegos e primatas, começaram a desenvolver-se 20 milhões de anos antes da extinção dos dinossauros, acrescentam eles.

A equipa de Bininda-Emond construiu a árvore filogenética com base em dados de DNA para 99% das 4554 espécies conhecidas de mamíferos. Identificaram datas para as divergências evolutivas usando tanto dados de fósseis como estudos de DNA, que indicam até que ponto um animal mudou e, portanto, quando se separou dos seus parentes mais próximos.

Os dados de DNA mostram que os primeiros roedores e outros mamíferos já caminhavam com os dinossauros mas nenhum dos registos fósseis desses grupos remontam a essa data, salienta Michael Benton, paleontólogo da Universidade de Bristol. "O desafio agora para os paleontólogos é ir descobrir esses fósseis."

Não é claro qual será a causa para a explosão evolutiva inicial dos mamíferos, há cerca de 85 milhões. Há dezenas de possibilidades, incluindo a separação dos continentes, a origem das plantas com flor ou uma descida nas temperaturas globais.

A explosão evolutiva posterior, há 50 milhões de anos, coincide com um dos maiores e mais rápidos aquecimentos globais da história da Terra, em alguns locais as temperaturas subiram 7°C. Este evento parece ter conduzido muitas espécies à extinção, dando uma hipótese a outras.

 

Relativamente à época da extinção dos dinossauros, não é totalmente inesperado que os mamíferos tenham tido uma expansão que não tenha levado a muito. As espécies que evoluíram após a extinção em massa são frequentemente de vida curta, diz Benton. "O começo da recuperação é um período de instabilidade."

É provável que as ramificações e as datas da árvore filogenética construída por Bininda-Emond se altere com mais estudos, diz o biólogo evolutivo Mark Springer, da Universidade da Califórnia, Riverside. 

Por exemplo, diz Springer, a equipa estima que a maior clivagem na árvore filogenética dos mamíferos, entre os monotrématos e os restantes, ocorreu há 166 milhões mas algumas análises moleculares sugerem que aconteceu há mais de 200 milhões de anos. Springer pensa que a data mais antiga deve ser a verdadeira, logo se essa referência se alterar, muito tem que ser alterado.

"A árvore no total deve estar errada", admite Bininda-Emonds, mas ter uma ideia mais correcta da forma como os mamíferos se relacionam uns com os outros e evoluíram é importante para os estudos futuros.

A árvore filogenética vai ter muitas utilizações para além da reconstrução da evolução dos mamíferos, diz ele. O programa 'EDGE of Existence' da Zoological Society de Londres, por exemplo, está  trabalhar no estabelecimento de prioridades de conservação com base em que espécies são simultaneamente invulgares do ponto de vista evolutivo e mais ameaçadas. "A árvore filogenética completa é muito importante", diz ele, para avaliar o grau de unicidade evolutiva de uma espécie.

 

 

Saber mais:

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