2007-03-03

Subject: Cérebro viciado está "concebido para as drogas"

 

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Cérebro viciado está "concebido para as drogas"

 

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As diferenças físicas no cérebro podem aumentar as hipóteses de uma pessoa optar por se drogar, dizem os cientistas da Universidade de Cambridge. Um estudo em ratos mostrou variações na estrutura do cérebro que antecediam a exposição aos narcóticos e os tornavam mais adeptos da cocaína.

Escrevendo na revista Science, a equipa diz que o genoma pode ser a origem destas diferenças nos humanos. Este conhecimento pode ajudar a reduzir o efeito mas não é provável que surja um teste de vulnerabilidade às drogas.

Até 500 mil pessoas são actualmente viciadas em drogas classe A, como a cocaína, a heroína ou as anfetaminas, só no Reino Unido e uma das questões mais importantes questões no estudo da dependência é a origem das diferenças no cérebro dos viciados em drogas.

Enquanto essas diferenças são importantes na forma como os humanos reagem às drogas, é difícil provar se são parte da química natural do cérebro de um indivíduo ou se se desenvolvem como resultado da exposição às drogas.

Para esclarecer o problema, os investigadores de Cambridge analisaram o cérebro de ratos e descobriram diferenças semelhantes em receptores de neurotransmissores em certas zonas do cérebro. Alguns dos ratinhos tinham menos receptores de dopamina, locais de acção de drogas como a cocaína ou a heroína.

Os cientistas usaram um jogo em que os ratos tinham de esperar para carregar num botão e receber uma recompensa, associado a análises detalhadas do cérebro, com o forma de verificar se os que tinham menos receptores de dopamina eram impulsivos, um tipo de comportamento vulgarmente associado ao consumo de drogas em humanos.

Concluíram que esse era o caso, mesmo em ratos sem qualquer contacto anterior com drogas.

Quando os ratos impulsivos eram introduzidos às drogas, e tendo uma oportunidade para as tomar, tinham muito mais probabilidade de o fazer do que quando os ratos tinham mais receptores de dopamina.

Jeff Dalley, que liderou o estudo financiado pelo Medical Research Council e pelo Wellcome Trust, diz que os resultados mostram claramente que as diferenças no cérebro, e a impulsividade a elas associadas, são anteriores a qualquer exposição a drogas com a possibilidade de a situação ser a mesma nos humanos.

"O que estamos a falar é da existência de uma possível característica física que conduz a uma vulnerabilidade à dependência de drogas. O próximo passo é identificar o gene ou genes que causam esta diminuição de receptores cerebrais, o que pode fornecer pistas importantes na busca de terapias para o déficit de atenção/síndroma de hiperactividade e perturbações cerebrais compulsivas, como a dependência de drogas e o jogo patológico."

 

Mas ele considera que as razões porque os humanos se estão a tornar dependentes de tantas drogas são mais complexas do que o genoma de cada indivíduo, pelo que um teste de detecção de um dado gene descoberto por pesquisas posteriores não funcionaria obrigatoriamente.

"Existem muitas razões que não têm qualquer ligação com genes para as pessoas consumirem drogas logo não me parece que qualquer teste tivesse alguma utilidade."

Lesley King-Lewis, chefe-executivo da Action on Addiction, comenta: "É sabido que alguns traços de personalidade estão associados a uma vulnerabilidade à cocaína e a outras dependências. Este estudo é extremamente interessante porque identificou a base biológica em ratos de alguns dos comportamentos que sabemos estarem associados a mostra que eles podem conduzir à dependência."

Gerome Breen, do Institute of Psychiatry de Londres, considera que as diferenças encontradas em ratos devem ter o seu equivalente no cérebro humano.

"É um estudo muito interessante porque identificou com sucesso a base biológica de alguns comportamentos que sabemos estar associados com um aumento do risco de dependência de cocaína e outras dependências em humanos."

"Isto também identifica a potencial causa das recaídas nos drogados, o que faz com que recomecem a drogar-se novamente apesar de todos os problemas que sabem que vão ter. Isto significa que podemos começar a investigar tratamentos que, pelo menos em parte, corrijam este déficit na esperança de que possamos impedir as recaídas." 

 

 

Saber mais:

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