2007-03-01

Subject: Homem primitivo adulto não tolerava a ingestão de leite

 

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Homem primitivo adulto não tolerava a ingestão de leite

 

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Beber leite não constava do menu dos europeus até há poucos milhares de anos, revelaram investigadores ingleses. A análise de vestígios do Neolítico, publicados na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, sugerem que os europeus adultos não conseguiam digerir o leite na época.

Os cientistas da University College de Londres dizem que a rápida propagação do gene que nos permite colher os benefícios de beber leite mostram a evolução em acção mas a intolerância ao leite permanece comum nos tempos modernos.

Para digerir o leite, os humanos adultos precisam de ter um gene que produz a enzima lactase (que degrada a lactose, um dos principais glícidos do leite, em monossacáridos).

Sem essa enzima, um golo de leite torna-se uma experiência muito desconfortável, com uma sensação de inchaço, dores de estômago e diarreia. Actualmente, mais de 90% das pessoas de origem norte europeia têm esse gene.

Trabalhando com cientistas da Universidade Mainz, Alemanha, a equipa da UCL procurou o gene que produz a enzima lactase em esqueletos neolíticos datando de 5480 a.C. a 5000 a.C., o que se crê serem algumas das primeiras comunidades agrícolas da Europa.

O gene da lactase estava ausente do DNA extraído destes esqueletos, sugerindo que os primeiros europeus não seriam tolerantes ao leite.

Mark Thomas, da UCL, refere: "A capacidade de beber leite é uma das características mais vantajosas que evoluíram nos europeus num passado recente. Apesar dos benefícios da tolerância ao leite não serem completamente compreendidos, provavelmente incluem a vantagem de um fornecimento contínuo comparado com o ciclo de abundância e carência das colheitas sazonais, as suas qualidades nutritivas e o facto de, ao contrário da água corrente, não ser contaminado por parasitas, o que o torna mais seguro de beber. Por tudo isto, a capacidade de beber leite deu aos primeiros europeus uma enorme vantagem de sobrevivência."

A grande questão para os cientistas é a forma como a população humana se alterou e passou a tirar vantagem do consumo de leite.

Uma teoria sugere que pequenos grupos de indivíduos tolerantes à lactose se teriam tornado dominantes pois, de seguida, podiam criar gado para a obtenção de leite mas a equipa da UCL considera mais provável que a mutação genética que permite a digestão do leite tenha surgido algures depois do início da criação de gado leiteiro.

 

Thomas diz que a ausência do gene nos vestígios fossilizados apoia esta teoria: se a tolerância à lactose tivesse surgido primeiro, os agricultores e criadores de gado já teriam o gene mas tal não acontece, ele sugere que a mutação surgiu posteriormente.

Ele acrescenta: "É provável que a variação no gene tenha surgido num indivíduo algures no norte da Europa, e forneceu uma tal vantagem adaptativa que se espalhou rapidamente. Esta é, provavelmente, a característica genética singular mais vantajosa na espécie humana a surgir nos últimos 30 mil anos."

Anna Denny, cientista da British Nutrition Foundation, diz que a 'deficiência de lactase' afecta cerca de 5% da população europeia, proporção que aumenta em algumas minorias étnicas.

Em algumas partes do mundo, como na Ásia e África, a vasta maioria das pessoas apresentam uma intolerância à lactose, ainda que em grau variado.

Uma vez diagnosticada, a forma mais comum de controlar os sintomas é restringir a quantidade de produtos lácteos ingeridos diariamente, pois os nutricionistas considerarem que a eliminação total desses nutrientes não é, geralmente, necessária.

Anna Denny comenta: "A intolerância à lactose tem tendência a estar relacionada com a dose ingerida e algumas pessoas são mais sensíveis que outras, logo apenas cerca de um terço das pessoas com deficiência de lactase são realmente intolerantes à lactose."

"Doentes com intolerância à lactose severa ainda assim conseguem, quase sempre, comer um iogurte, queijos duros e leite com teor inferior de lactose, e são todos encorajados a mante-los na sua dieta porque são uma importante fonte de cálcio e outros nutrientes." 

 

 

Saber mais:

Proceedings of the National Academy of Sciences

UCL

 

 

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