2007-02-25

Subject: Uma década depois de Dolly ...

 

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Uma década depois de Dolly ...

 

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A revelação de Dolly há 10 anos marcou o início de uma nova era para a ciência. Uma simples ovelha Finn Dorset voltou de cabeça para baixo a crença generalizada de que a clonagem de mamíferos a partir de células adultas era uma impossibilidade científica.

Dolly, que foi criada no Roslin Institute de Edimburgo, nasceu na realidade a 5 de Julho de 1996 apesar da sua chegada apenas ter sido revelada a 21 de Fevereiro de 1997.

Mas na década que entretanto passou, terá a ciência da duplicação correspondido às expectativas e onde nos poderá conduzir no futuro próximo?

"Estou ligeiramente desapontado com o facto de que, tecnicamente, a clonagem está apenas ligeiramente melhor do que estava originalmente", explica Ian Wilmut, um dos criadores de Dolly, agora a trabalhar na Universidade de Edimburgo.

Foram precisas 277 tentativas para criar uma ovelha em 1997 e hoje, em média, são precisas 150 a 200 tentativas para obter um clone. Melhor mas não muito melhor. Parece que a transferência de núcleos, o processo utilizado para criar Dolly e seus pares, não é assim tão eficiente.

A técnica envolve a remoção do núcleo de uma célula dadora animal e transferi-lo para um óvulo fertilizado de que se removeu o material genético. Acrescenta-se um choque eléctrico e/ou químicos e pronto! o ovo começa a sua transformação em embrião fotocópia.

A parte problemática é conseguir que a célula dadora, por exemplo uma célula de pele, se "esqueça" que é uma célula de pele e comece a comportar-se como uma célula estaminal.

"Para ser sincero, penso que ainda devíamos estar surpreendidos por a clonagem funcionar de todo. Antes de Dolly, as pessoas pensavam que era impossível", diz Wilmut. Agora, a investigação está a caminho de compreender a reprogramação celular.

Wolf Reik, do Babraham Institute em Cambridge, diz: "Estamos a começar a identificar certas enzimas que destroem esta memória já existente mas está a tornar-se aparente que há vários factores envolvidos. Para melhorar a eficácia da clonagem temos que ter estas combinações críticas e aplicá-las à célula, de forma a persuadi-la a perder essa memória e começar de novo."

Mas conseguir isso para uma espécie não significa resolver as complexidades da clonagem pois o desenvolvimento embrionário inicial das diferentes espécies de mamíferos varia de forma incrível.

Teruhiko Wakayama, do Centro de Biologia do Desenvolvimento de Riken, Japão, fez parte de uma equipa que criou o primeiro rato clonado, Cumulin, nascido em 1997 e refere: "A clonagem do rato é muito mais difícil do que criar uma vaca, ovelha ou porco clonados. Apenas alguns laboratórios conseguem clonar ratos continuamente, outros apenas conseguem obter blastocistos clonados." Segundo ele, isto acontece porque cada espécie tem uma "receita" específica de transferência nuclear para o sucesso da clonagem. 

No entanto, apesar do sucesso da clonagem continuar baixo, isso não significa que a tecnologia tenha estagnado, os cientistas ainda vislumbram grande potencial científico e comercial.

James Robl é um dos criadores dos bezerros clonados George e Charlie, nascidos em 1998. Os bezerros não eram apenas clones, também tinham sido modificados geneticamente.

Alterar o DAN de um animal de forma a criar características especiais não é fácil e, em algumas espécies, a clonagem para a obtenção de cópias destas alterações bem sucedidas é a única forma viável de o conseguir.

Alguns cientistas estão a utilizar este processo para criar animais com órgãos que possam ser transplantados para humanos mas mais perto de resultados conclusivos está o trabalho que tenciona criar animais capazes de produzir medicamentos.

Robl, presidente da Hematech, com sede no South Dakota, diz: "Nós na Hematech fazemos clonagem em grande escala, só no ano passado transferimos 4 mil embriões clonados. Conseguimos fazer modificações genéticas muito complicadas nestes animais, o que nos permitiu fazer progressos substanciais em direcção ao nosso objectivo de criar uma vaca que produza anticorpos policlonais humanos para aplicações terapêuticas."

 

A clonagem animal também está a ser considerada comercialmente para a agricultura. Nos Estados Unidos, a Food and Drink Administration anunciou recentemente que a utilização de carne de vacas, porcos e cabras clonados era "tão segura como a carne que comemos todos os dias".

Keith Campbell, um dos criadores de Dolly, agora a trabalhar na Universidade de Nottingham, refere: "A ideia é utilizar a clonagem para introduzir modificações genéticas benéficas nos animais ou para a reprodução de animais geneticamente superiores para serem reintroduzidos nas populações, uma situação que teria alguns benefícios. Por exemplo, se conseguíssemos criar animais resistentes a certas doenças, teríamos animais com melhor qualidade de vida, agricultores mais satisfeitos e não precisaríamos de encher os animais de antibióticos."

Ainda assim, ele acredita que a aceitação do público, ou a falta dela, pode retardar a introdução destes animais no mercado.

Enquanto muitos esforços se concentram na investigação em animais, a perspectiva de clonar um humano tem sido a que mais tem atraído atenção e muita investigação já se foca na clonagem terapêutica, que utiliza a transferência nuclear para criar uma célula estaminal e não um embrião inteiro.

Até agora, os cientistas foram incapazes de produzir linhagens de células estaminais humanas mas a esperança é que uma vez que se consiga criar uma irá ajudar os cientistas a compreender e talvez curar um vasto leque de doenças humanas.

Alan Trounson, director do Instituto de Reprodução e Desenvolvimento da Universidade de Monash, Austrália, considera-se cautelosamente optimista acerca da clonagem terapêutica mas "ainda é incrivelmente ineficaz e considero que ainda nunca foi realmente bem sucedida".

Parte do problema, diz ele, é o grande número de zigotos necessários para o desenvolvimento da técnica, que não estão facilmente disponíveis.

Em termos de clonagem reprodutiva, os humanos estão ausentes de forma muito notável da lista de organismos já clonados mas Ian Wilmut não o considera errado. "É uma pena que ainda não tenhamos consigo chegar a um acordo para proibir a nível mundial a clonagem reprodutiva humana, de forma a que seja considerada um crime contra a humanidade."

Dolly morreu em 2003 mas permanece, empalhada, no Royal Museum de Edimburgo para ser admirada pelos visitantes e curiosos.

 

 

Saber mais:

Galeria de animais clonados (BBC)

Células adultas diferenciadas são capazes de produzir clones

Coreia do Sul apresenta primeiro cão clonado

Clonado garanhão campeão

Criador de Dolly autorizado a clonar embriões humanos

Primeiros insectos clonados

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