2007-02-21

Subject: Uma visão nebulosa da nebulosidade?

 

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Uma visão nebulosa da nebulosidade?

 

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As evidências de satélite de que a cobertura de nuvens está a diminuir podem não passar de nuvens passageiras, a tendência pode ser simplesmente o resultado da posição dos satélites.

Dados do International Satellite Cloud Climatology Project (ISCCP) mostravam que a cobertura de nuvens tinha diminuído em 4% nos últimos 20 anos. As nuvens aumentam a capacidade da Terra de reflectir a luz do Sol de volta para o espaço, arrefecendo o planeta, logo a redução da cobertura de nuvens foi associada ao aquecimento global.

Mas Amato Evan, da Universidade do Wisconsin em Madison, analisaram mais de perto os dados do ISCCP e notaram que o coberto de nuvens diminui abruptamente quando os satélites são deslocados, relata ele na revista Geophysical Research Letters.

À medida que mais satélites foram sendo lançados, desde meados da década de 80 até à de 90, cada satélite ficava com um menor campo de visão, olhando apenas em frente em vez de em ângulo e quando vistas desta forma as nuvens parecem menores.

Evan alega que a alteração do ponto de vista explica a grande quebra na nebulosidade ao longo dos últimos 20 anos sugerida pelos dados do ISCCP e que inferir qualquer tipo de tendência global a partir destes dados será um erro. "Não temos menos nuvens na Terra, só parece que sim quando vemos os dados do ISCCP."

William Russow, do City College de Nova Iorque e chefe do centro de processamento global do ISCCP, admite que a deslocação dos satélites deve ter tido algum efeito mas considera que Evan não mediu exactamente a dimensão desse efeito e que exagerou nas suas conclusões. "Apesar de existir um efeito, não se pode tirar uma conclusão bombástica como essa", diz ele.

O investigador do clima Martin Wild, do Institute for Atmospheric and Climate Science em Zurique, utiliza dados como os recolhidos pelo ISCCP para estudar alterações na quantidade de luz que atinge a superfície da Terra. A poluição, por exemplo, que reflecte a luz solar, pensa-se que mascare os efeitos de aquecimento dos gases de efeito de estufa.

 

As nuvens são uma das mais importantes influências nas temperaturas globais, diz Wild, e conhecer o seu destino é importante para a avaliação dos modelos de alterações climáticas.

Se Evan tem razão, então todas as tendências que dependem desses dados podem ser postas em causa. "É muito preocupante, temos uma grande incerteza no conhecimento dos últimos 10 ou 20 anos", diz Wild. "Se estes dados têm problemas, o nosso conhecimento tem problemas."

Evan está convicto que o seu trabalho não reforça a posição dos cépticos das alterações climáticas, pelo contrário, diz ele: "Este estudo remove um dos argumentos usados pelos cépticos do aquecimento global."

Se a cobertura de nuvens se tivesse alterado substancialmente, então poderia existir o argumento que eram as nuvens, e não o efeito de estufa, que estão a causar as alterações climáticas. Mas se esta situação é apenas um artefacto da recolha de dados, a nebulosidade manteve-se constante. "Não podemos explicar o aquecimento global com base nas observações da quantidade de nuvens", diz Evan.

 

 

Saber mais:

International Satellite Cloud Climatology Project

Céus terrestres estão mais límpidos

Ozono árctico pode atingir níveis mínimos

Maior simulação climática de sempre prevê subida de temperaturas até 11ºC

 

 

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