2007-02-20

Subject: Arrefecimento brusco condenou os Neanderthal

 

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Arrefecimento brusco condenou os Neanderthal

 

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Um arrefecimento brusco pode ter sido a gota de água que extinguiu os nossos primos evolutivos, os Neanderthal, revela um novo estudo. 

Pensa-se que estes humanos ancestrais desapareceram na maioria da Europa há cerca de 35 mil anos e novos dados agora conhecidos a partir do seu último refúgio no sul da Península Ibérica indicam que a última população foi provavelmente destruída por uma vaga de frio há cerca de 24 mil anos.

Investigadores espanhóis e do Museu de Gibraltar referem que uma alteração climática pode ter causado uma seca, aumentando a pressão sobre a última população sobrevivente de Neanderthal, reduzindo o seu suprimento de água potável e matando os animais que caçavam.

Núcleos sedimentares escavados a partir do fundo marinho perto das ilhas Baleares mostram que a temperatura média das águas superficiais se afundaram para os 8ºC, enquanto as temperaturas actuais na mesma região variam entre os 14ºC e os 20ºC.

Para além disso, aumentou a quantidade de areia depositada no mar e a quantidade de águas fluviais que corriam para o mar diminuiu drasticamente.

Os Homens de Neanderthal surgem no registo fóssil há cerca de 350 mil anos e, no seu auge, estes caçadores fisicamente poderosos dominaram um vasto território, desde o Reino Unido e Península Ibérica até Israel a sul e Uzbequistão no leste.

Já a nossa própria espécie, Homo sapiens, evoluiu em África e substituiu os Neanderthal depois de penetrar na Europa há cerca de 40 mil anos.

Durante a última Idade de Gelo, a Península Ibérica foi um refúgio onde os Neanderthal viveram durante vários milhares de anos após terem desaparecido do resto da Europa.

Estes humanos Homo neanderthalensis sobreviveram em bolsas isoladas durante as idades do gelo anteriores, recuperando quando as condições melhoravam. Mas uma das últimas idades do gelo parece ter sido caracterizada por várias e rápidas alterações severas no clima, culminando com um pico há 30 mil anos.

O sul da Península Ibérica parece ter estado afastada do pior destas alterações mas há cerca de 24 mil anos, as condições deterioraram-se mesmo nesse paraíso.

Este evento foi o mais severo que a região teve desde há 250 mil anos, relata Clive Finlayson, do Museu de Gibraltar, e Francisco Jimenez-Espejo, da Universidade de Granada. As suas descobertas foram publicadas na revista Quaternary Science Reviews.

"Parece muito severo e muito rápido", diz Finlayson. "Organismos como as oliveiras e os carvalhos que estão connosco ainda hoje conseguiram sobreviver mas uma população muito fragmentada e pressionada como a dos Neanderthal, e talvez outros elementos da fauna da época, não foram capazes."

A causa deste arrefecimento podem ter sido as alterações cíclicas da posição da Terra em relação ao Sol, os chamados ciclos de Milankovitch.

Mas uma rara combinação de ar polar gelado soprando pelo Vale do Reno e ar do Sahara soprando para norte ajudaram a arrefecer esta parte do Mediterrâneo, contribuindo para as condições extremamente severas.

A caverna de Gorham em Gibraltar mostra evidência de ocupação por grupos de Neanderthal até há cerca de 24 mil anos mas depois disso os investigadores não conseguem encontrar sinais da sua presença.

 

No entanto, num interessante novo desenvolvimento, os cientistas também relatam agora uma outra localização, no sudeste espanhol, que revelou evidências de uma sobrevivência tardia dos Neanderthal.

Num estudo publicado na revista Geobios, José Carrion, da Universidade de Murcia, analisou pólen recolhido do solo na gruta de Carihuela para determinar de que forma a vegetação se tinha alterado na área nos últimos 15 mil anos.

No decorrer deste trabalho, também obteve datas para as amostras de sedimento da gruta, usando datação por carbono radioactivo e por urânio-tório. As camadas de sedimento que contêm ferramentas de pedra fabricadas pelos Neanderthal datam de há 45 mil anos até há 21 mil anos.

As datas por carbono radioactivo são "cruas" e não correspondem exactamente a datas de calendário logo não podem ser directamente comparadas com as de Gibraltar, que foram calibradas com datas de calendário.

Os ossos de Neanderthal foram escavados nestas unidades sedimentares, incluindo um fragmento de crânio masculino potencialmente muito recente. Mas Carrion está extremamente relutante em retirar conclusões definitivas acerca da localização com base nestas evidências.

Os arqueólogos espanhóis realizaram uma escavação detalhada na gruta de Carihuela entre 1979 e 1992 mas a actualmente a gruta está encerrada devido a disputas entre os governos nacional e regional acerca dos direitos de escavação.

"Os ossos humanos foram recuperados em diversas campanhas de escavação ao longo de 50 anos. A relação entre eles e as datas que forneci têm que ser tratadas com precaução", diz Carrion.

Ele acrescenta que os sedimentos em partes da caverna podem ter sido remexidos, misturando ossos velhos com material mais recente. Ele sugere que Carihuela seja re-escavada para resolver alguma da controvérsia que rodeia o local.

Ainda assim, Clive Finlayson sugere que as datas tardias de Neanderthal em Carihuela podem concordar com as encontradas em Gibraltar, depois de devidamente calibradas. 

 

 

Saber mais:

Universidade de Murcia

Geobios

Ter-se-ão os Homens modernos e de Neanderthal cruzado entre si?

Homens de Neanderthal eram adultos aos 15 anos

Homens de Neanderthal eram como nós

 

 

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