2007-02-06

Subject: São as memórias reprimidas um desenvolvimento recente?

 

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São as memórias reprimidas um desenvolvimento recente?

 

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A ideia de que as memórias reprimidas, quando acontecimentos traumáticos são eliminados da memória consciente de uma pessoa para mais tarde ressurgirem, tem um passado atribulado. Alguns já as citaram como evidências em tribunal mas outros consideram-nas folclore psiquiátrico.

Um novo estudo acrescenta uma camada literária de evidências ao debate. Para perceber à quanto tempo a ideia das memórias reprimidas anda por aí, um grupo de psicólogos e de estudiosos de literatura voltou-se para os escritos históricos.

Não conseguiram encontram uma única descrição de memórias reprimidas, também conhecidas como amnésia dissociativa, em escritos ficcionais ou factuais antes de 1800.

Harrison Pope, da Harvard Medical School de Boston, Massachusetts, e os seus colegas usaram o poder da Internet para recolher informação, fazendo publicidade em mais de 30 websites e grupos de discussão a um prémio de US$1000 para a primeira pessoa que encontrasse um exemplo de memórias reprimidas após um acontecimento traumático num trabalho publicado antes de 1800.

Se esses casos existissem, pensavam eles, os indivíduos, através da história, teriam sido disso testemunhas e teriam escrito sobre isso na literatura da época. Outros fenómenos psicológicos, como a demência ou visões, têm sido documentados ao longo das eras desta forma, sem que se note uma data particular em que a condição emerge repentinamente.

Mas apesar de mais de 100 pessoas terem respondido, nenhuma recebeu o prémio. Houve alguns casos que estiveram muito próximo, explica Pope, como o rei Dushyanta, uma personagem de uma peça do século IV do poeta sanscrito Kalidasa, que se esquece que estava apaixonado pela sua mulher Shakuntala em resultado de uma maldição. Mas este exemplo não é válido, diz Pope, pois a memória não se refere a um evento traumático.

Escrevendo na revista Psychological Medicine, a equipa sugere que as memórias reprimidas não são uma realidade neurológica mas uma invenção cultural do tempo em que as teorias freudianas da mente inconsciente dominaram a psicologia do século XIX. "Estou razoavelmente confiante de que se existisse um caso, este teria sido encontrado", diz Pope.

A ideia de vasculhar a literatura histórica em busca de exemplos ocorreu a Pope quando lia a novela de 1897 de Rudyard Kipling Capitão Coragem aos filhos. A personagem principal desenvolve amnésia após perder a família numa cheia mas um acontecimento posterior traz repentinamente a memória de volta.

 

Outros psicólogos estão menos seguros acerca da validade da técnica. As memórias reprimidas são uma estratégia vulgarmente vista em crianças que tentam lidar com maus tratos, diz Chris Brewin, um psicólogo do University College de Londres. O foco da literatura pode ter sido apenas os adultos, salienta ele, o lugar errado para procurar estas experiências. Não ter encontrado exemplos não significa necessariamente que a condição não seja real.

Poderiam as buscas literárias em moldes semelhantes ajudar a desmistificar outras disputas acerca de outras condições psicológicas? "A técnica só se aplicaria a coisas que sejam fáceis de reconhecer", diz Pope. Não seria muito directo, acrescenta ele, para procurar por algo com sintomas pouco específicos, como o síndroma do déficit de atenção e hiperactividade ou o autismo.

Pope rapidamente acrescenta que as suas descobertas não significam que não haja necessidade de tratamento. Mesmo as coisas que não têm bases biológicas têm que ser enfrentadas, diz ele.

Ainda assim, a ideia de que não se trata de um problema neurológico tem implicações nas alegações legais, diz ele. Alerta para que as pessoas que sentem que têm memórias reprimidas podem não estar a recordar verdadeiros acontecimentos. 

 

 

Saber mais:

Research Project

Harrison Pope

 

 

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