2007-01-20

Subject: Até onde pode um carnívoro crescer?

 

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Até onde pode um carnívoro crescer?

 

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O maior urso polar alguma vez medido pesava uns impressionantes 1002 quilogramas.

A razão porque não existem leões de três toneladas a perseguir elefantes através do Serengeti é, dizem os cientistas, que os mamíferos terrestres carnívoros têm um tamanho máximo de cerca de 1100 quilogramas. Acima deste peso, os custos da sobrevivência ultrapassam os benefícios de ser capaz de abater presas grandes.

O resultado dá uma nova perspectiva sobre a forma como os grandes carnívoros são particularmente vulneráveis à extinção e traz mais más notícias para os ursos polares. Não basta que o gelo árctico se esteja a derreter sob as suas patas, como o maior carnívoro terrestre da actualidade também vive num precipício metabólico, mal conseguindo capturar comida suficiente para suportar o seu arcaboiço, diz Chris Carbone do Institute of Zoology, Londres.

À medida que se tornam maiores, os mamíferos carnívoros mostram uma impressionante alteração nos seus hábitos alimentares. "Espécies abaixo dos 20 Kg alimentam-se de organismos bem pequenos", diz Carbone, imagine um texugo escavando em busca de minhocas. "Espécies acima dos 20 Kg mudam drasticamente de táctica e alimentam-se de presas mais ou menos do seu tamanho", imagine uma chita a perseguir uma gazela.

Para perceber os detalhes da forma como esta transição ocorre, a equipa de investigadores analisou de perto os custos e os benefícios de cada uma das estratégias, compilando medidas de gastos energéticos e taxas de alimentação nas diferentes espécies.

As presas pequenas são abundantes e fáceis de apanhar mas cada item capturado não passa de um lanche. Para um animal com mais de exactamente 14,5 Kg os investigadores descobriram que uma refeição maior, ainda que ocasional, é mais eficiente. Quilo a quilo, os caçadores de caça grossa queimam mais do dobro da energia por dia que os carnívoros menores mas a enorme quantidade de calorias de uma única captura compensa para estes caçadores de grandes dimensões.

Os custos de um corpo grande, no entanto, aumentam mais rapidamente que os lucros obtidos com as capturas cada vez maiores. Perto da marca dos 1000 Kg, os carnívoros vão à falência, relata a equipa na última edição da revista PLoS Biology. "Temos que ser fortes e musculosos o suficiente para capturar presas grandes", explica Carbone, "mas a taxa de alimentação não é capaz de sustentar carnívoros acima de um certo tamanho."

 

Os ursos polares pesam cerca de 500 Kg, apesar de o maior animal registado ter 1002 Kg. Os maiores mamíferos carnívoros terrestres conhecidos, como o urso de focinho curto Arctodus simus, que viveu nas Américas até há cerca de 10 mil anos, estima-se que tenham pesado entre 800 e 1000 Kg.

Os herbívoros, que não têm que despender muita energia a perseguir o seu abundante alimento, estima-se que tenham atingido as 15 toneladas, como o grupo do indricotério, parente dos rinocerontes e que viveu entre 30 e 10 milhões de anos atrás. Pareciam-se um pouco com girafas gigantes e pensa-se que tenham sido o maior mamífero terrestre que alguma vez viveu.

Os répteis carnívoros atingiram tamanhos muito superiores, é claro, com o Tyrannosaurus rex a pesar cerca de 5 toneladas mas alguns estimam que o seu metabolismo seria o equivalente ao de um mamífero de uma tonelada.

O registo fóssil sugere que animais grandes e ferozes são os primeiros a sofrer na pele os tempos difíceis, diz o ecologista John Gittleman da Universidade da Virginia, Charlottesville. "É provável que tenhamos perdido muitos carnívoros de grandes dimensões, como os ursos de focinho curto e os tigres dente de sabre, devido aos custos energéticos da grande dimensão, associados ao declínio das presas."

O mesmo princípio ajuda a explicar porque motivo tantos grandes carnívoros actuais, os seus problemas aumentados pela perda de habitat e caça, estão nos seus últimos cartuchos, acrescenta ele. "A conservação tem que analisar as razões biológicas para os carnívoros estarem a enfrentar a extinção. Este estudo mostra que os custos metabólicos são relevantes para estes problemas." 

 

 

Saber mais:

Chris Carbone

In the Beat of a Heart - Life Energy and the Unity of Nature

 

 

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