2007-01-19

Subject: Pontapés da marca de grande penalidade são apenas uma questão mental

 

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Pontapés da marca de grande penalidade são apenas uma questão mental

 

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David Trézéguet sabe bem como a pressão psicológica é um factor importante na marcação de pontapés da marca de grande penalidade

Numa tarde de Verão do ano passado, mais de um bilião de par de olhos estavam fixos no jogador de futebol David Trézéguet à medida que ele se dirigia para a marca de grande penalidade para marcar pela França, no desempate contra a Itália na decisão do Campeonato do Mundo. Um ponta de lança com um talento excepcional, ele inexplicavelmente remata contra a barra e a França perde.

Avancemos rapidamente seis meses e os psicólogos dizem que conseguem explicar o porquê: a pressão foi demais para ele. Os seus resultados indicam que o peso psicológico da marcação de grandes penalidades é o principal factor para decidir se o jogador marca ou não, mais do que a fatiga, perícia ou experiência, tão cruciais noutros aspectos do jogo.

Essa é a razão porque alguns dos jogadores mais dotados do mundo falham nesta situação, diz Geir Jordet, psicólogo desportivo da Universidade de Groningen, Holanda. "Os jogadores preparam-se para os aspectos físicos mas não para os mentais do jogo."

O formato de uma sessão de penalidades e simples: cada equipa escolhe cinco jogadores, que se revezam para rematar a partir da marca de grande penalidade. O lado que mais marcar depois dos seus cinco remates ganha, se houver empate seguem-se penalidades 'morte súbita', até que um dos lados ganhe vantagem.

Jordet e a sua equipa analisaram 41 marcações, num total de 409 penalidades, do Mundial, Liga dos Campeões e Copa América entre 1976 e 2004. Avaliaram os efeitos da posição dos jogadores (ponta de lança, meio-campo ou defesa) e o nível de fatiga (número de minutos jogados antes do desempate por penalidades) nas suas hipóteses de sucesso.

Estas coisas fazem diferença mas o principal factor que afecta o resultado é a ordem em que os jogadores rematam, relatam na revista Journal of Sports Sciences. Para o primeiro pontapé, quando a pressão é relativamente baixa, uma média de 87% dos remates são bem sucedidos mas o sucesso cai para 73% para o quarto remate, quando a pressão é mais elevada. 

Os resultados são ainda mais dramáticos nas situações em que a pressão é mais elevada. Quando falhar um remate significa a derrota de toda a equipa, o sucesso afunda-se para os 52% mas quando um pontapé bem sucedido garante a vitória, 93% dos remates acertam.

O resultado faz sentido, diz Jordet. Afinal, trata-se dos melhores jogadores do mundo, pagos milionariamente logo seria de esperar que fossem capazes de acertar um alvo do tamanho de uma porta de celeiro a uma distância de alguns metros. A psicologia permanece um factor muito importante.

 

Alguns jogadores e treinadores acreditam que um pontapé da marca de grande penalidade é uma lotaria, com a sorte a desempenhar o papel mais importante na decisão final mas esta visão é contraproducente, considera Jordet. A pior coisa para a posição psicológica de um jogador é acreditar que um falhanço deles terá consequências desastrosas e de que não têm qualquer controlo sobre a situação.

Noutro estudo, Jordet e a sua equipa entrevistaram jogadores profissionais de futebol holandeses e suecos e descobriram os que jogavam na lotaria tinham maior probabilidade de falhar que aqueles que eram confiantes e acreditavam que o seu destino estava nas suas mãos.

O seleccionador nacional holandês, Marco van Basten, já pediu a Jordet ajuda para treinar a equipa, que ao longo dos anos tem um recorde abismal em desempates por penalidades.

As complexidades das penalidades já levaram alguns treinadores a desistir de treinar para elas. Antes do Mundial de 1998, o seleccionador inglês Glenn Hoddle declarou que a sua equipa não iria praticar penalidades porque a pressão da marcação é impossível de simular. A Inglaterra foi afastada do torneio depois de ter perdido no desempate por penalidades.

Jordet sugere que os jogadores ensaiem toda a rotina, incluindo a caminhada solitária do círculo central para o seu remate. Ele também pensa que a imprensa deve publicar os resultados destas marcações, para aumentar a pressão durante os treinos.

Também salienta que os jogadores devem ter uma rotina fixa para bloquear os pensamentos de fracasso, semelhante à usada no rugby por Jonny Wilkinson, que fez o remate que levou a Inglaterra à vitória na Taça do Mundo em 2003.

Mais recentemente, a equipa de Jordet descobriu que os jogadores que fazem uma pausa de menos de meio segundo antes de começar a sua corrida apenas têm sucesso 63% das vezes, enquanto aqueles que demoram um pouco mais a focar-se têm uma taxa de sucesso de 81%. Esta situação reforça a importância de uma rotina sólida para acalmar os nervos, dizem. 

 

 

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