2007-01-18

Subject: Preocupação ressurge com a morte de macacos por acção do vírus da gripe de 1918

 

Bem-vindo(a) a mais uma edição do boletim informativo  News of the Wild

Este boletim é mantido por simbiotica.org, a Rede Simbiótica de Biologia e Conservação da Natureza

Mantenha-se informado das últimas novidades e troque ideias com todos os que fazem parte desta imensa rede!

 

Em destaque:

Preocupação ressurge com a morte de macacos por acção do vírus da gripe de 1918

 

  Questões ou comentários para: webmaster@simbiotica.org

Dê a rede simbiotica.org a conhecer a um amigo!!

O vírus da gripe de 1918, que matou perto de 50 milhões de pessoas, mostrou-se fatal para macacos infectados em laboratório.

O estudo segue-se à controversa publicação na revista Nature de sequência genética do vírus em 2005, bem como de um artigo na revista Science que descrevia a recriação do vírus a partir de um cadáver e a sua potência em ratos.

Alguns cientistas questionam a sensatez de reconstruir um vírus tão mortal, pondo em dúvida se os benefícios realmente suplantam os riscos.

Aqueles que desenvolveram o estudo em macacos dizem que sim, pois a melhor compreensão da forma como actua num sistema semelhante ao humano pode ajudar os cientistas a tratar pandemias futuras. O estudo foi desenvolvido em laboratórios para perigo biológico de nível 4 na Public Health Agency do Canadá em Winnipeg. 

Yoshihiro Kawaoka, da Universidade de Wisconsin-Madison infectou macacos com o vírus de 1918 ou com uma estirpe contemporânea do vírus da gripe. Enquanto os vírus contemporâneo apenas causou sintomas benignos nos pulmões, o vírus de 1918 espalhou-se rapidamente por todo o sistema respiratório e os macacos morreram no espaço de dias. Os danos são paralelos aos relatados em humanos em 1918.

A equipa de investigadores relata que o vírus de 1918 levou a que o sistema imunitário dos macacos entrasse em funcionamento acelerado, levando as proteínas imunitárias a ser expressadas a níveis anormalmente altos e a atacar o próprio corpo, o que os imunologistas chamam uma tempestade de citoquinas.

A investigação sugere que a gripe de 1918 funciona de forma semelhante aos outros vírus, como o Nilo, que também provoca uma reacção auto-imune maciça. Isto sugere que o caminho em direcção ao tratamento, diz Michael Gale, virulogista da Universidade do Texas, Southwestern Medical Center. Drogas que têm como alvo respostas imunitárias excessivamente zelosas, como as que controlam a proteína imunitária interleucina-6, estão já a ser desenvolvidas para outras doenças. Versões afinadas podem também funcionar para a gripe pandémica.

Mas apesar da promessa de tratamentos, os resultados ecoam o que já tinha sido descoberto em ratos, e Gale sente que há uma questão mais importante a ser desenvolvida. "A patogenia é interessante", diz ele, "mas a questão central é: como é que se propaga de forma tão eficiente?"

A equipa da Mount Sinai School of Medicine já começou a sua investigação. Peter Palese está a trabalhar com Adolfo Garcia-Sastre e Jeffery Taubenberger, que primeiro reconstruiu o vírus, para descobrir como se propaga. Trabalhando com fuinhas, descobriram que a alteração de apenas um ou dois aminoácidos na sequência da gripe é suficiente para impedir a transmissão. Eles vão publicar os resultados do seu estudo na revista Science em breve.

 

Identificar que secções do genoma são responsáveis pela transmissão "têm imenso valor preditivo sobre se as estirpes se irão tornar pandémicas ou não", diz Guus Rimmelzwaan do Centro Nacional da Gripe da Organização Mundial de Saúde em Roterdão, Holanda.

O próximo passo para a equipa de Kawaoka será em linhas semelhantes, vão trocar secções no genoma do vírus para tentar estabelecer exactamente quais as zonas que o tornam tão letal.

Mas os últimos resultados não sossegaram os receios de todos. Richard Ebright, bacteriologista da Universidade Rutgers, Nova Jérsia, acredita que o vírus nunca deveria ter sido recriado. "A implicação chave é que o material está agora presente em pelo menos duas localizações", explica ele. O novo estudo, argumenta ele, aumenta o risco de que o vírus escape e estabelece "um perigoso precedente" para outros laboratórios.

Ebright considera que a publicação do estudo na revista Nature, quando investigação semelhante em patogénios mais mundanos surge regularmente em revistas de menor impacto, pode, por si só, aumentar o risco de proliferação pois tenta outros grupos a trabalhar em patogénios de alto risco apenas pela busca de reconhecimento. 

Pontos de vista semelhantes foram expressos off the record por outros cientistas. Ritu Dhand, editor-chefe para as ciências biológicas da Nature, defende a decisão de publicar com o argumento que o vírus de 1918 é diferente de outros e obter mais conhecimento sobre o que o torna tão virulento tem todo o interesse para a ciência.

Gale concorda que a compreensão da estirpe de 1918 pode trazer grandes benefícios para a saúde pública mas considera que pode haver formas melhores de o estudar e admite que alguma desta investigação pode ser realizada tanto com base no interesse histórico como com base nos benefícios para a saúde.

Jens Kuhn, virulogista da Harvard Medical School e conselheiro sobre o controlo de armas, também está dividido. "Tudo o que digo arranja-me 'inimigos', de um ou de outro lado", diz ele, "estou muitas vezes dividido entre os dois mundos." 

 

 

Saber mais:

1918 influenza pandemic web focus

Ressuscitado vírus da gripe espanhola de 1918

Ratos revelam o segredo da gripe espanhola

 

 

Comentar esta notícia           Imprimir

 

Recebeu este boletim através de um amigo??

Faça a sua própria subscrição aqui!!

Se não deseja voltar a receber o boletim News of the Wild clique aqui!!

@ simbiotica.org, 2007


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com