2007-01-12

Subject: Encontrada família para flor gigante

 

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Encontrada família para flor gigante

 

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Com flores que cheiram a carne podre e com mais de um metro de diâmetro, a Rafflesia arnoldii é difícil de ignorar nas florestas tropicais onde cresce mas levou aos taxonomistas perto de 200 anos, desde que a planta foi primeiro descrita, a encontrar o seu lugar na árvore filogenética vegetal.

Saber quais são os parentes mais próximos desta planta não só resolve um mistério com séculos mas pode ajudar os cientistas a perceber como evoluiu o gigantismo floral.

A posição taxonómica da planta, bem como a de outras espécies da família Rafflesiaceae, tem sido difícil de localizar devido à falta de pistas genéticas e morfológicas, diz Charles Davis da Universidade de Harvard em Cambridge, Massachusetts.

As plantas são parasitas, utilizando filamentos tipo hifa para recolher nutrientes e água dos tecidos hospedeiros, logo não têm folhas ou caules, as características morfológicas normalmente usadas na identificação das plantas.

Mesmo o DNA tem-se mostrado inútil na classificação desta família. O DNA dos cloroplastos, vulgarmente utilizado para identificar as relações entre espécies por ser fácil de extrair e por evoluir a uma taxa que permite aos cientistas avaliar as alterações evolutivas (suficientemente rápido para que a variação seja facilmente detectada mas não tão rápida que as mais recentes apaguem as mais antigas), não serve de muito pois os genes de alimentação são redundantes nestas plantas e por isso desaparecem ou estão fortemente truncados.

Mas Davis enfrentou o desafio taxonómico analisando o DNA mitocondrial e não o dos cloroplastos.

Os estudos em larga escala com DNA mitocondrial já tinham mostrado que os membros da família Rafflesiaceae fazem parte da ordem Malpighiales mas a análise de 11500 pares de bases do DNA de mais de 100 espécies que representam todas as famílias das Malpighiales permitiu a Davis mostrar que as Rafflesiaceae estão entre as Euphorbiaceae.

As euforbiáceas incluem mais de 6 mil espécies, quase todas com flores pequenas, muitas vezes com milímetros de comprimento.

 

"Encontrar as Rafflesiaceae juntamente com uma família de flores pequenas deixou-nos boquiabertos", diz Daniel Nickrent da Universidade do Southern Illinois em Carbondale, um co-autor do estudo publicado na revista Science. "A escala das alterações é inaudita no reino das plantas e mesmo no resto do mundo biológico", concorda Nickrent.

Todas as Rafflesiaceae têm flores gigantes que cheiram a carne podre, com a R. arnoldii a maior de todas. As plantas devem ter sofrido uma pressão evolutiva para formar flores maiores e maiores de forma a apregoar melhor o seu forte odor a moscas polinizadoras distantes nas condições húmidas e estagnadas da floresta tropical, explica Nikrent.

Analisando o registo fóssil das Euphorbiaceae, os investigadores mostraram que a flor gigante evoluiu durante um período de 46 milhões de anos após as Rafflesiacea divergirem mas antes de se terem diversificado. Infelizmente, no entanto, não há fósseis de Rafflesiaceae logo é impossível determinar se a dramática alteração de tamanho da flor ocorreu numa pequena parte deste período ou de forma gradual, diz Doug Soltis, botânico da Universidade da Florida em Gainesville.

Conhecer o estatuto taxonómico das Rafflesiaceae pode ainda, no entanto, ser um importante primeiro passo para compreender que genes do desenvolvimento estão envolvidos no gigantismo floral. "Se conhecermos os parentes mais próximos da Rafflesia, podemos fazer perguntas mais específicas do ponto de vista de genética do desenvolvimento, porque sabemos com que comparar", diz Soltis.

 

 

Saber mais:

Nickrent's parasite page

 

 

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