2007-01-04

Subject: Terá uma seca a nível mundial dizimado culturas antigas?

 

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Terá uma seca a nível mundial dizimado culturas antigas?

 

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Viviam no esplendor, a meio mundo de distância uma da outra, mas desapareceram ambas no espaço de poucas décadas. Agora, uma nova teoria sugere que o declínio da dinastia Tang da China e da civilização Maia do México pode ter sido devido à mesma seca mundial.

Sedimentos recolhidos do lago Huguang Maar no sudeste da China sugerem que a monção asiática de Verão foi mais fraca durante os séculos VIII e XIX D.C., a época em que a dinastia Tang esmoreceu. De forma intrigante, o mesmo padrão foi encontrado nos sedimentos da bacia Cariaco ao largo da costa da Venezuela, sugerindo que uma seca semelhante pode ter ocorrido no México vizinho.

Os eventos podem ambos ser o resultado de uma mudança para sul dos padrões de precipitação que privou os trópicos nortenhos das suas chuvas de Verão, sugere Gerald Haug do National Research Centre for Geosciences de Potsdam, Alemanha. As privações causadas por esta seca podem ter sido o factor chave do declínio destas duas culturas.

De momento, não passa de uma teoria admite o colega de Haug, Larry Peterson, da Universidade de Miami, Florida. "Os registos são muito intrigantes mas não passam de uma correlação no tempo."

Ainda assim, os paralelos são notáveis. A dinastia Tang, considerada o ponto alto da civilização chinesa, começou a desvanecer-se em meados do século VIII e caiu em 907 D.C. depois de uma série de rebeliões. Da mesma forma, os Maias, que produziram os primeiros registos escritos conhecidos das Américas, eram mais de 15 milhões em meados do século VIII mas restava apenas um quarto desse número em 830 D.C. e desapareceram completamente em 909 D.C..

O desaparecimento das chuvas de Verão podem ter contribuído para estas quedas vertiginosas, sugere Peterson. "A realeza Maia era considerada divina e o povo confiava que lhes providenciassem chuvas." Para além de destruir as culturas agrícolas, a falta de chuva também deve ter prejudicado a credibilidade dos líderes da época, sugere ele.

Os investigadores estimaram a força das chuvas de Verão na China estudando os depósitos de minerais de titânio do lago Huguang Maar. Estes sedimentos são transportados pelos ventos da monção de Inverno, que já foram antes associados a chuvas de Verão mais fracas. O declínio dos Tang coincide com um período de ventos mais fortes, logo de chuvas inferiores, um padrão que já tinham visto nos sedimentos venezuelanos.

 

A alteração climática deve estar associada a um desvio total da zona de convergência intertropical (ZCIT), uma banda de forte chuva tropical que se desloca em resposta a fenómenos periódicos como o El Niño, que também enfraquece as monções no sudeste asiático. Haug suspeita que estes padrões de precipitação se deslocaram para sul em massa, reduzindo a precipitação média de Verão através das zonas tropicais do hemisfério norte durante dois séculos. 

O tempo dos declínios e as alterações climáticas formam uma interessante coincidência mas outros factores não podem ser eliminados, diz Patrick Culbert, antropólogo da Universidade do Arizona, Tucson, perito em história Maia. "Os Maias tinham um excesso populacional e de exploração de recursos e morreram por isso", diz ele. "A população estava a crescer exponencialmente há 2000 anos."

É pouco provável que a seca tenha sido o único factor no declínio destas culturas, admite Peterson. Os Tang, por exemplo, foram fortemente atingidos por uma derrota militar na guerra com os árabes em 751 D.C., causando perturbação e rebeliões. "Não digo que estavam a morrer de sede mas se tinham problemas com os recursos ambientais, podem ter sido um factor desencadeador da sua extinção", diz Peterson. 

 

 

Saber mais:

GeoForschungsZentrum Potsdam

 

 

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