2006-12-17

Subject: Experiências em animais: um bom guia para os estudos clínicos?

News of the Wild - simbiotica.org

 

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Em destaque:

Experiências em animais: um bom guia para os estudos clínicos?

 

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Até que ponto são úteis as experiências com animais na previsão do resultado de testes clínicos em humanos de novos medicamentos?

Os activistas dos direitos dos animais há muito que alegam que as diferenças entre humanos e outros animais tornam as experiências com espécies como os ratos praticamente inúteis. A maioria dos cientistas discorda, alegando que o desenvolvimento de medicamentos seria impossível sem testes iniciais em animais.

Agora uma equipa de investigadores médicos publicou na revista BMJ resultados que tentam ser a primeira tentativa de produzir uma resposta científica quantitativa à questão e dão que pensar a todos os que trabalham com animais.

Os autores dizem que salientam no seu estudo problemas sérios com a forma como as experiências com animais são transferidas para testes com humanos. Apenas metade da pequena amostra de testes analisados pela equipa até agora produziram os mesmos resultados em pessoas e animais.

A equipa salienta que não pretende que o estudo seja um argumento contra a realização de testes em animais mas ainda assim é provável que seja aproveitado pelos activistas.

Os investigadores começaram por olhar para seis conjuntos de testes clínicos que tinham produzido respostas definitivas para se tratamentos específicos para enfartes e ferimentos na cabeça eram úteis ou não. Seguidamente avaliaram se os estudos animais prévios tinham tido resultados semelhantes aos humanos. Os resultados dizem que apenas houve concordância em 3 dos seis casos.

Quando a equipa investigou as razões para isso, revelou uma série de problemas com os dados animais. Muitos estudos não colocaram aleatoriamente os animais em grupos de controlo e tratamento, um problema que condiciona os testes clínicos. A comparação de experiências sobre um tratamento para o enfarte também sugeriu que os estudos que mostravam resultados negativos têm maior probabilidade de não serem publicados, alterando as impressões de eficácia.

Trabalho num modelo de ferimento na cabeça foi minado pela utilização de um modelo que não correspondia aos testes clínicos posteriores. Os roedores eram feridos e tratados cinco minutos depois, diz Ian Roberts, autor do estudo e epidemiologista da London School of Hygiene and Tropical Medicine. Nos testes clínicos, baseados nas entradas no hospital, os pacientes eram tipicamente tratados no espaço de 3 horas após o ferimento.

 

Apesar dos resultados poderem ser vistos como evidências de que os estudos com animais não fornecem informação útil aos testes clínicos, os autores salientam que os seus resultados mostram apenas que é preciso mais tempo para pensar como vamos traduzir a investigação de uma esfera para a outra. Modelos melhor concebidos e mais atenção às publicações tendenciosas são duas das prioridades, dizem.

Outros investigadores questionam-se se os resultados são realmente tão alarmantes como soam. Robert Lechler, imunologista do Kings College de Londres, considera que os que concebem os testes clínicos já estão conscientes das limitações dos modelos animais. Ele diz que os cientistas aplicam um "filtro inteligente" quando analisam esses testes e que comparações cruas entre os resultados de estudos com animais e com humanos não detectam esse facto.

Mas Peter Sandercock, neurologista da Universidade de Edimburgo e autor do estudo, considera que o artigo mostra o que tem que ser feito nesta frente. Se esse tipo de filtro é aplicado, os modelos animais de ferimentos na cabeça teriam sido repetidos mas melhor concebidos antes do início dos estudos humanos. "Não se trata de uma polémica contra os testes em animais", salienta Sandercock. "Mas precisamos de estar atentos ao facto de haver resultados tendenciosos nos testes com animais." 

 

 

Saber mais:

Testes em animais recebem apoios renovados

Semana Mundial dos Animais em Laboratório

Governo britânico limita fortemente tácticas de activistas dos direitos dos animais

Cientistas questionam o interesse das experiências em animais

 

 

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