2006-12-09

Subject: Investigação revela inferno das quintas de peles em Portugal

News of the Wild - simbiotica.org

 

Bem-vindo(a) a mais uma edição do boletim informativo  News of the Wild

Este boletim é mantido por simbiotica.org, a Rede Simbiótica de Biologia e Conservação da Natureza

Mantenha-se informado das últimas novidades e troque ideias com todos os que fazem parte desta imensa rede!

 

Em destaque:

Investigação revela inferno das quintas de peles em Portugal

 

  Questões ou comentários para: webmaster@simbiotica.org

Dê a rede simbiotica.org a conhecer a um amigo!!

Investigadores sob disfarce da organização de defesa dos animais ANIMAL entraram no mundo secreto das quintas de coelhos em Portugal para expor a realidade que o governo e as autoridades afirmam não ter conhecimento.

Peles de coelho produzidas em Portugal desta forma são enviadas para a China, via Espanha, de onde regressam aos mercados europeus, incluindo o português.

No final de Outubro, investigadores da ANIMAL conseguiram acesso a locais e a informações até aqui escondidos, falando com agentes-chave desta indústria e usando câmaras ocultas para captar em vídeo provas da violência a que as verdadeiras “vítimas da moda” neste Inverno são sujeitas.

Muitas quintas de coelhos, tal como locais de abate, foram visitados pelos investigadores, que cedo perceberam quão secreto é o círculo de produção de pêlo em Portugal, bem como até que ponto é lucrativo, sob o disfarce da produção da carne de coelho.

Os coelhos mantidos em jaulas miseráveis são mortos com apenas 6 semanas idade (ou com 3 a 5 meses, se criados apenas pelo pêlo), com a taxa de mortalidade desde logo elevada devido às condições em que são mantidos. São sujeitos a métodos agressivos inseminação artificial, o transporte e manuseio é violento e descuidado, seguido de um abate sem atordoamento eficaz, em que a pelagem é arrancada com o animal ainda consciente.

Estes factos resumem, em termos gerais, o que os investigadores observaram, filmaram e documentaram, e que agora é apresentado no vídeo “As Verdadeiras Vítimas da Moda” (clique aqui para ver o vídeo), acompanhado de um relatório escrito, que a ANIMAL leva, a partir de hoje, ao conhecimento do público. 

Agentes-chave envolvidos na produção de pêlo de coelho em Portugal disseram aos investigadores da ANIMAL que os coelhos são criados e mortos em Portugal, sendo depois enviados para Espanha, de onde é mais barato exportá-los para a China. Aí, as peles são tratadas a muito baixo custo, sendo depois exportadas de volta para a União Europeia, tanto para fornecer o mercado português (de longe, o tipo de pêlo mais usado em Portugal e na Europa) e os de países como Itália, França, Alemanha e Reino Unido.

Esta investigação também revelou que outro tipo de coelho, como os coelhos Chinchila Rex, são criados em Portugal e muitas vezes vendidos como se se tratasse de pêlo de Chinchila. O lucro, aqui, é muito mais elevado, uma vez que os coelhos têm mais ninhadas por ano que as chinchilas.

Para Miguel Moutinho, Presidente da ANIMAL, “Esta investigação assume uma importância máxima, não só porque nos permite revelar o sofrimento a que os coelhos são expostos (...) para alimentarem a oferta de estilistas e cadeias retalhistas sem ética, mas também porque clarifica que o pêlo de coelho não é um produto derivado da produção de carne de coelho, uma vez que a procura pública pelo pêlo de coelho é completamente independente da procura pela carne destes animais”. 

O Ministério da Agricultura, através do Gabinete do Ministro e em articulação com a Direcção-Geral de Veterinária, afirmou, a 12 de Outubro (muito pouco tempo antes do início desta investigação) e em resposta a um requerimento do Deputado Luís Carloto Marques, que “A Direcção Geral de Veterinária não conhece a existência e funcionamento de quaisquer unidades, centros ou quintas de criação e/ou abate de animais para extracção do seu pêlo, nem existem normas legais para o seu funcionamento”.

 

Esta investigação prova, por um lado, que o Governo não controla de todo este comércio secreto e, por outro lado, mostra que as autoridades nem sequer têm noção de que existem dois decretos-lei diferentes aplicáveis a esta área: o Decreto-Lei n.º 64/2000, de 22 de Abril, relativo à protecção dos animais nas explorações pecuárias (incluindo de animais mantidos para produção de pele com ou sem pêlo), e o Decreto-Lei n.º 28/96, de 2 de Abril, relativo à protecção dos animais no abate ou occisão (incluindo de animais destinados ao aproveitamento da sua pele e pêlo). 

Estes diplomas estabelecem de que modo devem os animais ser mantidos nas quintas de peles, e especificamente como devem ser mortos (tendo referências até ao modo como raposas, chinchilas e martas devem ser mortas, incluindo o uso da electrocussão e de câmaras de gás, que são métodos regulamentares segundo este decreto-lei).

A ANIMAL espera que esta investigação ajude a alcançar uma proibição total da captura e/ou criação e morte de animais apenas para extracção do seu pêlo, e espera também que esta exposição leve o Governo a intervir numa área de que parece ter tido desconhecimento até agora e que tem permanecido sem qualquer controlo aparente.

Esta investigação também detectou um esquema de criação de chinchilas desenvolvido pela empresa, Exporpele, que contrata pessoas para criações domésticas de chinchilas numa alargada rede de criadores domésticos. Depois de mortos, os animais são novamente compradas pela Exporpele, que introduz as peles nos mercados.

A ANIMAL aliou-se a organizações suas parceiras – nos EUA, com a Anti-Fur Society e a RabbitWise: Rabbit Advocates USA, e, em França, com a Fourrure Torture –, para expor este comércio a nível internacional. Os resultados desta investigação foram hoje divulgados publicamente em Portugal, em França e nos Estados Unidos da América, marcando o primeiro passo de uma nova campanha contra a produção, comércio e uso de pêlo.

Neste Inverno, pergunte a si mesmo: "Quem são as verdadeiras vítimas da moda?" 

A ANIMAL é uma organização não-governamental que desenvolve campanhas de educação e informação do público acerca dos animais, das suas características e necessidades, e do modo como estes são negativamente afectados pelas diversas indústrias que os exploram. 

Além destas acções de educação, a ANIMAL desenvolve também campanhas de alerta e protesto, investigações e denúncias, de forma a promover o respeito pelos direitos dos animais e pela sua protecção.

 

 

Saber mais:

As Verdadeiras Vítimas da Moda (contém imagens que podem ser consideradas chocantes)

ANIMAL

A arrepiante realidade das quintas de peles da China

Chacina de animais retomada em nome da moda

 

 

Comentar esta notícia           Imprimir

 

Recebeu este boletim através de um amigo??

Faça a sua própria subscrição aqui!!

Se não deseja voltar a receber o boletim News of the Wild clique aqui!!

@ simbiotica.org, 2006


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com