2006-12-04

Subject: Aquecimento global já está a causar extinções

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Aquecimento global já está a causar extinções

 

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Seja para onde for que se olhe, os cientistas estão a descobrir que o aquecimento global já está a matar espécies, e a um ritmo muito superior do que se tinha inicialmente previsto.

"O que me surpreende é que tenha acontecido tão depressa", diz a bióloga Camille Parmesan da Universidade do Texas, Austin, principal autora deste novo estudo sobre os efeitos do aquecimento global.

Parmesan e a maioria dos outros cientistas não estavam à espera de ver extinção de espécies devida ao aquecimento global até 2020 mas as populações de sapos, borboletas, corais oceânicos e aves polares já se estão a extinguir por esse motivo.

Os cientistas tinham razão acerca de as espécies irem sofrer, especialmente plantas e animais que vivem com margens estreitas de temperatura e os que vivem nos climas frios, como os pólos ou o topo de montanhas. "As espécies que dependem do gelo oceânico, como os ursos polares, as focas aneladas, os pinguins imperador e de Adélie, e os anfíbios das florestas das nuvens estão a revelar extinções maciças", diz Parmesan.

A sua análise compila 866 estudos científicos sobre o efeito das alterações climáticas nas espécies marinhas, terrestres e de água doce e surge na edição de Dezembro da revista Annual Review of Ecology, Evolution, and Systematics.

Bill Fraser, ecologista do Polar Oceans Research Group em Sheridan, Montana, comenta: "Já não se trata de se uma espécie ou ecossistema está a sofrer alterações climáticas. O estudo de Parmesan torna evidente que a situação é quase global. A escala é tão vasta que não o podemos continuar a ignorar, vão surgir consequências severas."

Muitas espécies, por exemplo, já alteraram o seu habitat em resposta à subida das temperaturas. Vários tipos de borboletas e aves de climas temperados têm-se mantido a par das mudanças deslocando-se para latitudes ou altitudes mais elevadas, onde as temperaturas permanecem dentro das suas zonas de conforto.

"A Suécia e a Finlândia, por exemplo, estão a ganhar diversidade de espécies porque as borboletas estão a mover-se para norte, para zonas onde nunca tinham estado antes", explica Parmesan.

Mas muitas espécies ficaram já sem habitat adequado ou estão a ser vítimas de pragas ou doenças, enquanto outras estão a sofrer com eventos climáticos extremos como o El Niño. O El Niño de 1997-1998 levou à extinção de 16% dos corais do mundo, o que, por sua vez, ameaça muitas espécies de peixes.

Para espécies como o coral, as alterações extremas de temperatura que são causadas pelo aquecimento global são uma preocupação maior que a subida das temperaturas.

 

Também os sapos arlequim, nativos da floresta das nuvens da Costa Rica estão a ser atingidos com particular intensidade. Em Janeiro, J. Alan Pounds, cientista residente da Reserva Monteverde na Costa Rica, relatou que cerca de 2/3 das 110 espécies de sapo arlequim conhecidas tinham sido devastadas por um fungo patogénico. O fungo floresce em temperaturas mais elevadas, o que também torna os sapos mais susceptíveis à infecção.

No Antárctico, três décadas de declínio do gelo marinho levaram à redução das algas do gelo e, por sua vez, reduziu a quantidade de krill, alimento essencial para muitos peixes, mamíferos e aves marinhos. "Prevemos que o pinguim de Adélie se torne localmente extinto muito em breve", diz Fraser.

A espécie já praticamente desapareceu dos seus locais de nidificação mais a norte no Antárctico. A população da ilha de Anvers, por exemplo, declinou mais de 70%, de 16 mil casais reprodutores há 30 anos para 3500 actualmente. Já este ano, a população de pinguins de Adélie da ilha de Litchfield desapareceu por completo. "É a primeira vez em 700 anos que a ilha não tem pinguins", comenta Fraser.

Os ursos polares que vivem na zona da Baía de Hudson, o habitat mais a sul da espécie, são menos e mais debilitados pois não têm o gelo para alcançar a comida de que necessitam. "O gelo árctico está a reduzir-se em área e espessura, de tal forma que em alguns locais não suportam o peso de um urso polar", diz Parmesan.

Todo este sofrimento para os animais dá-nos pistas para o que espera os humanos, acrescenta Fraser. "O planeta aqueceu e arrefeceu no passado mas nunca vimos este tipo de aquecimento, acompanhado pela presença de 6,5 biliões de pessoas que dependem destes ecossistemas, quer gostemos ou não de o admitir." 

 

 

Saber mais:

Entrevista com Al Gore - "It Is Not Too Late to Stop This Crisis"

Alterações climáticas estão a acelerar evolução?

Morte de anfíbios associada ao aquecimento global

Aquecimento na Sibéria causa alarme

 

 

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