2006-11-30

Subject: Corrente do Golfo enfraquecida durante a Pequena Idade do Gelo

 

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Corrente do Golfo enfraquecida durante a Pequena Idade do Gelo

 

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A Corrente do Golfo, a corrente oceânica que permite que haja clima ameno à região do Atlântico norte, foi significativamente enfraquecida durante o período conhecido pela Pequena Idade do Gelo, revelam novas investigações.

A descoberta apoia a noção de que um enfraquecimento das correntes oceânicas, como muitos temem que possa acontecer num futuro próximo, pode ter consequências significativas para o clima.

Desde 1200 até 1850, período durante o qual as temperaturas médias no hemisfério norte desceram cerca de 1°C, a força da Corrente do Golfo também abrandou cerca de 10%, relatam os oceanógrafos.

A Corrente do Golfo, que faz parte de um vasto padrão de correntes conhecidas por "tapete rolante oceânico", leva águas superficiais quentes do Atlântico tropical para nordeste em direcção à Europa. A redução do fluxo da corrente que ocorreu durante o período medieval fez com que menos calor fosse transportado, contribuindo para as condições de idade do gelo que persistiram até aos tempos vitorianos.

"Isto dá-nos uma ideia do alcance natural da força da corrente. Se a alteração for maior no futuro então, talvez, algo pouco normal está a acontecer", diz David Lund do Institute of Technology de Pasadena, que liderou a investigação que decorreu no Massachusetts, no Institute of Technology e na Woods Hole Oceanographic Institution.

Uma corrente do Golfo enfraquecida terá consequências graves nos climas temperados no hemisfério norte, já muitos estudos previram, mas os oceanógrafos consideram muito pouco provável que deixe completamente de circular, como se via no filme The Day After Tomorrow. "Isso é definitivamente um absurdo", diz Lund.

Mas a mais recente investigação do grupo de Lund mostra que o que pode acontecer se a Corrente do Golfo estiver enfraquecida. Ele e os seus colegas estudaram os vestígios de foraminíferos em sedimentos ao largo da costa da Florida, onde se inicia a Corrente do Golfo. Alterações na composição de isótopos de oxigénio nas suas conchas reflectem alterações na temperatura e salinidade da água, o que, por sua vez, revela a densidade da água em que viviam.

Mapear a densidade da água entre a Florida e as Bahamas dá aos investigadores uma imagem de a que velocidade a corrente se deslocava entre elas. Lund e a sua equipa relatam as suas descobertas, que remontam a perto de mil anos no passado, na edição desta semana da revista Nature.

Lund e os seus colegas pensam que a Corrente do Golfo ter enfraquecido foi causado pela mudança da zona de chuvas tropicais que geralmente alimenta com água doce o Atlântico ao largo da costa da Florida. Esta chuva fornece uma camada superior menos densa de água que desencadeia o movimento para norte da corrente superficial. As suas medidas mostram que, durante o período em que a corrente estava mais fraca, as águas eram mais salgadas, sugerindo que continham menos água doce da chuva.

 

O abrandamento da corrente desta forma pode, no entanto, corrigir-se a si mesmo pois, diz Lund, pois a quantidade extra de salinidade da água deve ajudar a que se afunde na extremidade norte do ciclo, conduzindo a metade do fundo da circulação oceânica e voltando a impulsionar a corrente.

Este processo está em contraste com os temores actuais acerca da Corrente do Golfo. Os climatólogos estão preocupados com o facto de o degelo continuado da Groenlândia esteja a despejar demasiada água doce na extremidade norte do sistema de circulação, onde as águas frias normalmente se afundam e conduzem a metade do fundo da corrente, águas densas que se deslocam para sul ao longo do fundo do oceano. 

Demasiada água doce na extremidade norte torna a água menos densa e menos provável que se afunde, abrandando a corrente. Alguns temem que este processo não se corrija a si próprio mas conduza a um descontrolo que abrande a corrente ainda mais.

Os investigadores que medem as correntes oceânicas dizem que a Corrente do Golfo não mostra sinais claros de enfraquecimento. No mês passado, um encontro científico sobre o tema resultou em relatórios públicos de que a Corrente do Golfo tinha parado por completo durante 10 dias em 2004. Mas como Harry Bryden da Universidade de Southampton, que liderou o estudo, explica, a paragem temporária ocorreu realmente nas correntes mais profundas que são apenas uma parte do complexo sistema de circulação. A Corrente do Golfo, diz ele, não foi afectada.

Mas grandes alterações podem estar no nosso futuro. "Agora, com a acumulação de dióxido de carbono na atmosfera, estamos numa situação de que não temos analogias", diz Lund. Com o aquecimento global e o degelo dos pólos, é impossível dizer o que pode acontecer às correntes. "Simplesmente não sabemos." 

 

 

Saber mais:

Woods Hole Oceanographic Institution

Hadley Centre for Climate Prediction and Research

Correntes oceânicas no Atlântico norte mostram sinais de enfraquecimento

Crise climática pode estar a menos de 10 anos

 

 

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