2004-01-04

Subject: Pesca tradicional no Senegal ameaçada por barcos europeus

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Pesca tradicional no Senegal ameaçada por barcos europeus

 

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Os navios-fábrica que pescam ao largo da costa ocidental africana estão a capturar todo o peixe existente nessas águas, deixando os pescadores locais à beira do desespero. 

Os navios, com bandeira europeia, estão a trabalhar em águas senegalesas ao abrigo de um contracto de 64 milhões de euros com a duração de 4 anos, celebrado entre a União Europeia e o governo senegalês, que considera que o dinheiro que recebe é fundamental para o desenvolvimento do país. 

No entanto, os pescadores locais queixam-se cada vez mais de que não há peixe para eles. Consideram que as frotas europeias, após terem devastado os stocks pesqueiros no Atlântico norte, estão agora a invadir as águas africanas, onde têm tido a mesma atitude, deixando os locais à fome. 

Os arrastões europeus, navios de aço e com mais de um convés, ultrapassando em 20 vezes o barco de pesca tradicional da zona (com cerca de 30 metros de comprimento), podem recolher de uma vez só peixe no valor de dezenas de milhares de euros nos mercados europeus.  Por seu lado, os pescadores locais ganham cerca de 0,5 € por dia, se tiverem sorte. Muitos barcos, fazem uma jornada de 160 Km e 14 horas para não capturar um único peixe. 

Os pescadores senegaleses, cuja arte da pesca pouco mais modernizações tem que um motor fora de borda e redes de fibra sintética, consideram que a sua herança natural está a desaparecer no interior dos porões refrigerados de aço dos arrastões. 

A World Wildlife Fund considera que a diminuição dos stocks pesqueiros ao largo da costa ocidental de África está intimamente associada à pesca autorizada dos navios da União, bem como à pesca ilegal feita por navios russos e asiáticos. Os navios de bandeira estrangeira são os principais responsáveis pela sobre-exploração dos recursos pesqueiros, que deveriam estar a fornecer alimento a África, agora e no futuro, refere o relatório anual do WWF já em 2002. 

No entanto, os senegaleses não podem ser isentos de culpas nesta situação, referem os conservacionistas, alguns por capturarem peixe miúdo, em vez de o devolver ao mar para se desenvolver, outros pela utilização de dinamite em substituição de redes e anzóis. Apenas uma certeza existe: há demasiados pescadores para demasiadamente pouco peixe, concluem os conservacionistas. 

 

A União Europeia defende a sua frota, referindo que o contracto celebrado impõe um limite à captura de muitas espécies (que são supervisionados por observadores presentes em todos os navios) e que os navios europeus fornecem trabalho a muitos senegaleses. O contracto de 4 anos, que prolonga um acordo originalmente assinado na década de 80 do século passado, a União pago 16 milhões de euros por ano ao Senegal, um dos países mais pobres do mundo. 

O pacto obriga a que 3 milhões de euros das receitas anuais do país sejam gastos no desenvolvimento de métodos responsáveis e sustentáveis de pesca em águas senegalesas. Este facto irá contribuir significativamente para uma melhoria da gestão dos recursos marinhos no Senegal, refere Gregor Kreuzhuber, porta-voz do gabinete do comissário europeu da agricultura e pescas. 

Moustapha Thiam, director assistente do Departamento de Pescas senegalês considera crucial para o governo local o dinheiro que recebe da União. Mas as populações locais não notam nenhum benefício destas verbas, onde 600000 pessoas dependem da pesca. País quente da orla do Sahara, o Senegal pouco mais produz que amendoim, algodão e cimento, pelo que o peixe é uma fonte crucial de receita, alimento e faz parte da sua cultura. 

Em 1997, as embarcações tradicionais senegalesas e os arrastões estrangeiros capturaram 453000 toneladas de peixe em águas territoriais senegalesas, segundo números do governo. No final de 2001, as capturas tinham caído para 396000 toneladas. Os stocks de atum, considerados indicadores da saúde geral do ambiente marinho, quase desapareceram por completo, refere o World Wildlife Fund. 

 

 

Saber mais: 

WWF recommendations for the 2004 fish quotas

The battle for West Africa's fish

Senegal and EU finally agree on fishing deal

 

 

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@ Born to be Wild, 2004


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