2006-11-24

Subject: Proibição do arrasto de águas profundas bloqueada

 

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Proibição do arrasto de águas profundas bloqueada

 

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As negociações das Nações Unidas sobre as pescas terminaram sem uma proibição global dos métodos de arrasto que destroem os recifes de coral e os berçários de peixes.

Os grupos conservacionistas e alguns governos fizeram uma campanha activa a favor da proibição do arrasto de fundo, que faz deslizar pesadas redes e pesos de chumbo sobre tudo o que está no fundo, mas os negociadores apenas chegaram a acordo na implementação de um conjunto limitado de medidas de precaução.

No mês passado, cientistas de nomeada alertaram para o perigo de deixar de haver peixe oceânico no espaço de 50 anos, se as práticas de pesca actuais continuarem. 

As negociações que decorreram na sede das Nações Unidas em Nova Iorque tinham como objectivo garantir um acordo a apresentar perante a Assembleia Geral, no próximo mês. A discussão central era o arrasto de fundo, considerado de modo geral como uma prática altamente destrutiva.

Tem como alvo espécies de crescimento lento, como o olho-de-vidro, que demora décadas a alcançar a idade reprodutora. Essas espécies são especialmente vulneráveis à sobre-exploração pois têm pouca capacidade de reposição do seu efectivo.

Desde há 3 anos que os grupos conservacionistas têm vindo a tentar forçar uma moratória das Nações Unidas sobre o arrasto de fundo e pelo terceiro ano consecutivo foram desapontados.

"Tinhamos sempre esperança que as espantosas criaturas e habitats dos mares profundos tivessem um presente de Natal antecipado esta semana", disse Bryce Beukers-Stewart, responsável pela política de pescas da Marine Conservation Society. "Mas mais uma vez os interesses políticos e económicos a curto prazo foram mais fortes que o bom senso."

Onze nações têm frotas de arrasto de fundo, sendo a maior a espanhola mas estudos têm indicado que nenhuma seria comercialmente viável sem subsídios governamentais.

Em 2004 um relatório compilado pela World Conservation Union (IUCN) e outras organizações de defesa dos oceanos concluiu que o arrasto de fundo era "... altamente destrutivo para a biodiversidade associada aos montes submarinos e ecossistemas coralíferos de água profunda e ... causador de riscos significativos para esta biodiversidade, incluindo o risco de extinção de espécies".

No mesmo ano, 1100 cientistas colocaram o seu nome numa petição em apoio da exigência de uma moratória.

 

Todas estas evidências científicas não conseguiram convencer um número suficiente de delegados das Nações Unidas de que a moratória era necessária e crucial.

O eventual acordo que avança para a Assembleia Geral mandata os governos a adoptar "medidas de precaução" unilaterais que assegurem que os seus arrastões de fundo não causem danos significativos aos ecossistemas marinhos.

Em áreas cobertas por Organizações Regionais de Gestão de Pescas, as "medidas de precaução" devem estar estabelecidas até ao final de 2008.

"O acordo final tem mais buracos e escapatórias que a camisola de um pescador", comentou irritada a conselheira de política dos oceanos da Greenpeace, Karen Sack. Os grupos conservacionistas acusam a Islândia, em particular, de bloquear a implementação de maior protecção. Este país já está debaixo do fogo conservacionista devido à retoma da caça comercial à baleia.

"A comunidade internacional deve estar ultrajada com o facto de a Islândia, sozinha, poder ser capaz de afundar a protecção dos mares profundos e a segurança alimentar das gerações futuras", diz Sack.

No mês passado, uma equipa internacional de cientistas, após ter recolhido um vasto leque de evidências de numerosas fontes, alertou para o facto de à taxa actual de depleção não restarem populações viáveis de peixe no mar em meados do século. 

 

 

Saber mais:

Marine Conservation Society

Greenpeace

Evidências a favor da proibição da pesca de arrasto são "esmagadoras"

Salvem os peixes grandes

Nova recomendação para a proibição total da pesca do bacalhau em 2007

 

 

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