2006-11-21

Subject: Evidências a favor da proibição da pesca de arrasto são "esmagadoras"

 

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Evidências a favor da proibição da pesca de arrasto são "esmagadoras"

 

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Os cientistas consideram que as evidências a favor da implementação de uma moratória sobre a utilização de técnicas pesadas de arrasto em águas profundas são agora esmagadoras e devem ser postas em acção imediatamente.

Um novo relatório preparado pelas Nações Unidas indica que este tipo de equipamento está a fazer danos imensos aos ecossistemas em volta dos montes submarinos. A sua análise mostra que o arrasto de fundo está a ser utilizado em locais que são lar de corais e outros organismos particularmente sensíveis.

A discussão sobre este tema foi retomada na semana passada nas Nações Unidas e será concluída a 21 de Novembro.

"No mínimo queremos um acordo este ano que congele a expansão das pescas de arrasto de fundo", diz Matthew Gianni da Deep Sea Conservation Coalition. "Também queremos ver estabelecida uma inversão do ónus da prova, ou seja, não se pode pescar em águas profundas utilizando artes de fundo a não ser que se prove que não se vai danificar os ecossistemas em que a pesca irá decorrer."

O arrasto de fundo utiliza redes gigantes mantidas no fundo com rolamentos de aço ou com pesos. Os navios arrastam-nas ao longo do fundo do mar para capturar espécies como o olho-de-vidro Hoplostethus atlanticus, o alfonsim Beryx splendens ou a dourada espinhosa Neocyttus rhomboidalis.

A técnica é muito eficiente mas destroi tudo no seu caminho, arrancando corais e esponjas do fundo do oceano, arrasando habitats de que os peixes e outros organismos dependem.

Esta prática é realizada por relativamente poucos navios, talvez não mais de 200 em todo o mundo, e representa cerca de 0,2% das capturas mundiais de pescado.

Isto significa que a escala de destruição está totalmente desproporcionada em relação aos ganhos em termos de valor de capturas, salienta Alex Rogers, investigador sénior da Zoological Society de Londres. "É o equivalente a abater florestas antigas para recolher esquilos. É uma prática que em terra simplesmente nunca seria aceitável."

Rogers, juntamente com colegas da Nova Zelândia, Austrália, Estados Unidos e Canadá, preparou um relatório para o Centro de Monitorização da Conservação Ambiental do Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP-WCMC), onde examina a vulnerabilidade dos montes submarinos às práticas destrutivas das pescas.

 

Os cientistas pensam que existam 100 mil ou mais montes submarinos nos oceanos do mundo, que atraem agregações de plâncton que é a base da cadeia alimentar dos ecossistemas marinhos, num processo conhecido por "focagem trófica".

Os habitats predominantes nestes ecossistemas de profundidade (mil ou dois mil metros ou mais) são vastas "florestas" de corais de crescimento lento e grandes densidades de peixes, agora alvo dos arrastões industriais.

"Mas se existem espécies que não devíamos realmente pescar, estas fazem parte dessa lista", diz Rogers. "O olho-de-vidro vive mais de 150 anos, não atingem a maturidade antes dos 30 ou 40 anos de idade e a sua reprodução é muito esporádica, o que os torna muito vulneráveis à sobre-exploração pesqueira."

A equipa comparou a distribuição de peixes capturados por arrasto comercial, o esforço de pesca e os habitats de corais em montanhas submarinas.

Esta comparação mostra uma larga banda nos Atlântico, Pacífico e Índico sul, entre os 20º e os 60º sul onde as actividades de arrasto de fundo terão um impacto particularmente danoso.

Os activistas da conservação dos oceanos estão preocupados pois vastas partes desta banda estão fora de águas nacionais ou da autoridade de regulamentos regionais das pescas. Pretendem implementar uma gestão destas zonas o mais rápido possível.

A maioria do arrasto de fundo é feito por frotas de países do hemisfério norte, nações desenvolvidas. A União Europeia é responsável pelo maior esforço nesta área, com a Espanha a operar a maioria dos navios. 

 

 

Saber mais:

ZSL

Deep Sea Conservation Coalition

Greenpeace

 

 

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