2006-11-15

Subject: Terá sido inevitável o surgimento da Vida na Terra?

 

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Terá sido inevitável o surgimento da Vida na Terra?

 

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O surgimento da Vida na Terra parece ter enfrentado tantos obstáculos (obter os ingredientes correctos, por exemplo, e organizá-los em formas de vida durante o bombardeamento com meteoritos) que os cientistas frequentemente se sentem forçados a olhar para a situação como vagamente miraculosa mas agora dois investigadores americanos sugerem que, pelo contrário, pode ter sido inevitável.

Eles argumentam que a Vida era a consequência necessária do acumular de energia disponível devida aos processos geológicos da Terra primitiva. A Vida surgiu neste ambiente, dizem, da mesma forma que os relâmpagos aliviam o acumular de cargas eléctricas nas nuvens de trovoada.

Por outras palavras, dizem o biólogo Harold Morowitz da Universidade George Mason em Fairfax, Virginia, e o físico Eric Smith do New Mexico's Santa Fe Institute, o ambiente geológico "forçou a Vida a existir".

Este modo de ver a situação implica que não só a Vida tinha que surgir na Terra, como que o mesmo irá acontecer em qualquer planeta com condições semelhantes. Smith e Morowitz esperam, em última análise, prever os primeiros passos da origem da Vida com base em leis da física e da química apenas.

Morowitz e Smith admitem que ainda não têm as ferramentas teóricas para fundamentar os seus argumentos ou para demonstrar que forma esta "Vida inevitável" deve ter mas, argumentam eles, deve ter usado os mesmos processos químicos que conduzem o nosso metabolismo mas ao contrário.

Uma fonte de energia geológica seriam os polifosfatos, criados através do vulcanismo. Estas moléculas funcionam como baterias, muito parecidas com as que as células actuais utilizam (ATP).

Outra fonte teriam sido as moléculas de hidrogénio, provavelmente abundantes na atmosfera primitiva, ainda que actualmente estejam praticamente ausentes. O hidrogénio pode ter sido gerado, por exemplo, por reacções entre a água do mar e o ferro dissolvido.

As reacções exoenergéticas entre o hidrogénio e o dióxido de carbono, lançado para a atmosfera pelos vulcões, podem produzir moléculas orgânicas complexas, as percursoras dos sistemas vivos.

No nosso metabolismo, uma série de reacções bioquímicas, conhecidas por ciclo do ácido cítrico, degradam compostos orgânicos dos alimentos em dióxido de carbono e energia. Horowitz e Smith dizem que os reservatórios de energia da Terra jovem podem ter feito funcionar o ciclo do ácido cítrico ao contrário, semeando os tijolos da Vida e, ao mesmo tempo, aliviando a "pressão energética" do ambiente.

 

Eventualmente estes processos teriam ficado alojados no interior de células, tornando o fluxo de energia mais eficiente. 

A ideia é "instrutiva e inspiradora", diz Michael Russell, especialista em origem da Vida do California Institute of Technology em Pasadena. A Vida, concorda ele, é "um sistema químico que retira e dissipa energia química".

Russell usou ideias semelhantes para argumentar que a Vida "teria surgido usando as mesmas vias em qualquer planeta rochoso, húmido e solarengo". O local mais provável onde isso ocorreria, acredita ele, é nos vulcões miniatura no fundo dos oceanos, conhecidos por fontes hidrotermais, onde os ingredientes e condições são perfeitas para o desenvolvimento da maquinaria química para a recolha de energia.

Os processos bioquímicos dos organismos vivos são altamente organizados. Os cientistas há muito que se interrogam sobre a forma como tais sistemas surgiram espontaneamente, quando a segunda lei da termodinâmica diz que o universo gera desordem crescente.

A resposta, de modo geral, é que bolsas de ordem surgiram à custa do aumento da desordem em seu redor. Horowitz e Smith pensam que essa ordem surge porque é um melhor "para-raios" para descarregar o excesso de energia.

Assim, dizem eles, apesar das importantes extinções que foram ocorrendo ao longo do tempo geológico, cada uma quase obliterando todas as formas de vida, a Vida ela própria nunca esteve em risco de desaparecer, pois uma Terra com Vida será sempre mais estável que uma estéril. Os investigadores chamam a este processo um "colapso para a Vida", que na sua perspectiva é tão inevitável como flocos de neve em ar frio e húmido. 

 

 

Saber mais:

Energy Flow and the Organization of Life

Michael Russell's origin of life

Terá a Terra semeado Vida pelo Sistema Solar?

Teoria sobre a origem da vida testada

 

 

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