2006-11-02

Subject: Vinho permite glutonice sem sentimento de culpa?

 

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Em destaque:

Vinho permite glutonice sem sentimento de culpa?

 

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Uma substância química encontrada no vinho tinto pode tornar a glutonice livre de sentimentos de culpa uma realidade, sugere um estudo internacional agora conhecido. 

Quando dado a ratos, a substância contrapõe alguns dos efeitos de uma dieta de altas calorias, melhorando a sua saúde e aumentado a longevidade, ainda que não impedisse os ratos de ganhar peso. Ainda assim, a descoberta pode vir a ajudar as pessoas obesas no futuro.

A molécula, conhecida por resveratrol, encontra-se nas uvas vermelhas ou no vinho tinto e já tinha demonstrado em estudos anteriores efeitos anti-envelhecimento em alguns organismos, prolongando a vida de leveduras em 60%, em vermes nemátodos e moscas em 30% e em peixes em cerca de 60%. Também tinha sido sugerido que os efeitos benéficos para a saúde do vinho tinto eram devidos à presença do resveratrol.

Para investigar os efeitos da molécula em mamíferos, os investigadores analisaram ratos de meia-idade alimentados com uma dieta rica em calorias, das quais 60% eram provenientes de gorduras.

Estes ratos partilhavam muitos dos problemas dos humanos que têm uma dieta equivalente, incluindo a obesidade, resistência à insulina e problemas cardíacos.

Descobriram que os ratos a quem foi fornecido resveratrol juntamente com o alimento não perderam peso mas sofreram uma redução dos níveis de glicose, ficaram com corações e fígados mais saudáveis e uma melhor função motora, quando comparados com ratos com a mesma dieta mas sem esse suplemento.

A saúde dos ratos estava quase em linha com a de ratos alimentados com uma dieta vulgar, descobriram os investigadores. Também verificaram que a molécula estava a aumentar a expectativa de vida dos animais, pois o resveratrol estava a reduzir o risco de morte em cerca de 31%, colocando-os a par dos ratos vulgares.

A equipa de investigadores analisou ratos alimentados com uma dieta normal (à esquerda), ratos alimentados com uma dieta rica em calorias (ao meio) e ratos alimentados com uma dieta rica em calorias suplementada com resveratrol (à direita).

O mecanismo exacto de actuação da molécula ainda não é conhecido mas os investigadores acreditam que active o gene SIRT1, associado a uma família de proteínas que se considera relacionadas com a longevidade.

O responsável pelo estudo, Rafael de Cabo do National Institute on Aging da Harvard Medical School, comenta: "Após seis meses, o resveratrol impediu a maioria dos efeitos negativos da dieta rica em calorias nos ratos." O seu colega David Sinclair, professor associado da patologia na Harvard Medical School, diz: "O leque de efeitos de saúde que observámos nos ratos obesos tratados com resveratrol são indicadores clínicos positivos e podem significar os possamos aplicar a doenças associadas à idade em humanos, como a diabetes do tipo 2, as doenças do coração e o cancro, mas só o tempo e mais investigações o dirão."

Um artigo que acompanha a apresentação destes resultados, escrito por Peter Rabinovitch da Universidade de Washington, diz que as descobertas são potencialmente boas notícias para o Homem mas acrescenta uma nota de cautela.

"A segurança do resveratrol em altas doses no Homem, comparáveis às usadas pelos investigadores, é desconhecida, especialmente ao longo dos anos pois efeitos secundários relativamente modestos podem acumular-se e originar consequências dramáticas. Por agora, recomendo a paciência, aproveite um bom copo de vinho tinto, pois só tem 0,3% da dose relativa dada aos ratos glutões."

Steve Bloom, chefe de um grupo de investigação sobre a obesidade do Imperial College de Londres, refere: "Começamos com a ideia de que há uma vantagem evolutiva na expectativa de vida de cada espécie e que está associada à escassez ou abundância de comida.

 

"Se há abundância de comida, vive-se uma vida muito activa por pouco tempo e depois morre-se, mas se não há muita comida (dado que a reprodução requer muita energia) é melhor manter um número reduzido de animais vivos durante mais tempo."

"Há um sistema de regulação e parece que o resveratrol ultrapassa este sistema ou pode ser um componente endógeno desse mesmo sistema. Este estudo é extremamente interessante, pode ser o avanço científico de ano, com vastas possibilidades no tratamento de humanos." 

 

Outras Notícias:

Governo Indiano alertado relativamente a arroz GM

 

Os comerciantes de arroz e os ambientalistas emitiram um forte alerta para o governo indiano num encontro realizado em Delhi: dizem que os testes com arroz geneticamente modificado (GM) podem causar problemas às exportações e colocar em perigo o modo de vida de milhões de agricultores mais pobres.

Os responsáveis por esta campanha estão preocupados com o facto de as colheitas comerciais de arroz poderem ser contaminadas por estirpes GM, o que afectaria as exportações pois poderá conduzir a restrições à venda de cereais indianos no estrangeiro.

A Índia é um dos maiores exportadores mundiais do conhecido arroz Basmati, de bago longo e aromático.

Testes em pequena escala de estirpes GM têm vindo a ser realizados, em 10 localizações espalhadas por todo o país, desde 2005. O governo permitiu a realização dos testes apesar dos protestos contra outras experiências noutro tipo de alimentos GM, como a mostarda e a beringela. 

No mês passado, no entanto, o Supremo Tribunal suspendeu os novos testes em todas as colheitas enquanto se aguardam novas audiências em tribunal.

Representantes dos maiores comerciantes de arroz do país uniram forças com uma importante organização de agricultores e com a organização ambientalista Greenpeace, para criticar a política do governo numa conferência de imprensa realizada em Delhi.

Todos apelaram ao governo para que garanta que o arroz indiano permanece livre de modificações genéticas. O presidente da All India Exporters' Association, Anil Adhlakha, referiu que os testes eram caso para graves preocupações.

No sábado, perto de 400 agricultores em protesto pegaram fogo a uma quinta no estado de Haryana, onde os testes estão a decorrer.

A associação dos agricultores diz que o arroz indiano alcança muito bom preço no mercado de exportação e insistem que qualquer rejeição ou dúvida acerca do estatuto de livre de modificações genéticas do arroz indiano no mercado global vai afectar o seu lucro.

Salientam a decisão da União Europeia de impor testes compulsivos a todos os carregamentos de arroz de grão longo dos Estados Unidos, após se descobrir que as remessas comerciais estavam contaminadas com estirpes GM. 

 

 

Saber mais:

Greenpeace

Nature

Harvard Medical School

Culturas agrícolas podem produzir o seu próprio adubo

 

 

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