2004-01-02

Subject: Matilhas de mabecos reintroduzidas em África

News of the Wild

 

Bem-vindo(a) a mais uma edição do boletim informativo  News of the  Wild

Este boletim é mantido pelo site Born to be Wild, para que não esqueça o seu lado selvagem ...

 

Em destaque:

Matilhas de mabecos reintroduzidas em África

 

  Questões ou comentários para: borntobewild@clix.pt

Dê o site Born to be Wild a conhecer a um amigo!!

 

Em 1914, o caçador R. C. F. Maugham escreveu: Será um dia maravilhoso ... quando se descobrirem os meios ... para a exterminação total desta criatura desnecessária e maligna. 

O mabeco Lycaon pictus, também conhecido por cão selvagem africano, lobo pintado ou cão do Cabo, está hoje a sofrer o resultado desse tipo de perseguição humana. Os mabecos estão listados como criticamente ameaçados pela World Conservation Union (IUCN), pois apenas restam cerca de 5000 em bolsas isoladas de habitat, quando em tempos podiam ser encontrados em toda a África sub-sahariana. 

Em 1997, 2000, and 2003, conservacionistas reintroduziram várias matilhas de mabecos na zona de Hluhluwe-iMfolozi na esperança de reforçar o seu efectivo. 

Os mabecos adultos, com a grandes orelhas arredondadas e o dorso malhado de negro, branco, castanho e amarelado, pesam até 25 Kg e atingem os 60 cm de altura, embora com a constituição delicada de um galgo. São animais extremamente sociais, com toda a matilha, que pode ter até 20 cães, a caçar, brincar e alimentar-se em conjunto. Nunca abandonam um cão e reforçam permanentemente estes laços de grupo. 

Em cada matilha, apenas um casal se reproduz, os restantes membros apenas ajudam na criação da ninhada, que pode atingir os 20 cãezinhos, uma das maiores de todos os carnívoros. Estes nómadas viajam até 30 Km num único dia e têm territórios muito vastos, em média 600-800 Km2

A reintrodução de animais tem sido até agora uma espécie de caixa negra: os governos colocam terras de lado, outros "despejam" para lá animais e todos se sentem felizes. Se o efectivo populacional aumenta, então tudo foi um sucesso, se tal não acontece, ninguém quer saber o que correu mal. 

 

O Predator Project verifica a fisiologia e o nível de stress, através de estudos hormonais, dos mabecos, antes e depois da reintrodução. Os dejectos são analisados em busca de subprodutos de corticosteróides, hormonas libertadas pelas glândulas supra-renais em períodos de stress. 

Um pouco de stress, como resposta adaptativa que fornece mais energia, não é um problema, mas stress contínuo provoca problemas imunitários, deixando os cães sujeitos à raiva, esgana e outras doenças transportadas pelos cães domésticos da zona. 

Os cães reintroduzidos estão também a ser seguidos com a ajuda de coleiras satélite, que os investigadores esperam poder colocar também em hienas e leões, de forma a compreender como a competição com estes predadores afecta a reprodução e sobrevivência dos cães. 

A reintrodução é muito melhor que a gestão de populações em cativeiro, mas, a longo prazo, não terá qualquer utilidade se não resultar em maiores e melhor protegidas reservas ou se alterar o padrão de utilização das terras. Estas populações de mabecos não serão sustentáveis se a área disponível não for suficientemente grande, refere Scott Creel, um ecologista comportamental da Universidade de Montana. 

A África do Sul tem uma longa história de reintroduções, refere, sabe-se bem o que funciona e o que não funciona. Apesar de não ser garantida a sobrevivência destas matilhas, é importante que estes esforços continuem, pois o aumento do efectivo geral dos mabecos é crucial como seguro contra doenças, no futuro, conclui. 

Talvez mesma agora já se note uma diferença de atitude para com o mabeco; em tempos, os rancheiros matavam os cães à vista mas agora têm aumentado as chamadas para o parque, quando um cão é visto fora da sua área

 
 

 

Saber mais: 

Rabies in African Wild Dogs

African Wild Dog (Lycaon pictus)

 

 

Comentar esta notícia           Imprimir

 

Recebeu este boletim através de um amigo??

Faça a sua própria subscrição aqui!!

Se não deseja receber o boletim Born to be Wild clique aqui!!

Respeitar os animais é respeitarmo-nos a nós próprios!

@ Born to be Wild, 2003


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com