2006-10-14

Subject: Apenas um gene de diferença entre cães grandes e pequenos?

 

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Apenas um gene de diferença entre cães grandes e pequenos?

 

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Um único gene pode explicar a enorme diferença de tamanho entre um minúsculo Terrier a ladrar no parque e um maciço mastim que se limita a ignorá-lo.

Nate Sutter, geneticista do National Human Genome Research Institute em Bethesda, Maryland, queria saber a razão porque os cães grandes, como os cães pastores, podem crescer até 50 vezes mais que outros membros da sua própria espécie, como os chihuahuas. Foi por isso que começou a analisar os animais grandes e pequenos de uma raça, o cão de água português.

Cientistas da equipa tiraram raios-X de 500 cães de água portugueses e realizaram 91 medidas dos seus esqueletos. Com base nesses dados, os investigadores classificaram os cães de água como grandes ou pequenos para a sua raça.

De seguida procuraram diferenças no DNA entre os cães de água grandes e pequeno, o que é uma tarefa relativamente fácil: um consórcio de cientistas que inclui Sutter publicaram a sequência de DNA do genoma canino a Dezembro passado, localizando os locais de variação numa dada raça. Existem menos locais com esse grau de variação nos cães de raça pura do que no Homem.

A equipa descobriu que uma das poucas diferenças entre os dois tipos de cão de água ocorria num gene chamado "factor de crescimento semelhante à insulina" ou Igf-1.

Este é um dos muitos genes que já se sabe influenciam o tamanho em ratos: quando Igf-1 é destruído, os animais transforma-se em ratos miniatura, logo a equipa ponderou imediatamente a hipótese de este gene também ser responsável pelo tamanho dos cães.

Para responder a esta questão, os cientistas analisaram de perto o gene Igf-1 em 75 cães de água portugueses e em 350 outros cães de raças muito grandes ou muito pequenas (desde Yorkshire terriers a São Bernardos). Também examinaram o gene em canídeos selvagens, como lobos e raposas, parentes distantes dos cães domésticos.

Descobriram que quase todas as 18 raças pequenas apresentavam uma variação igual à do cão de água português pequeno do gene mas quase nenhuma das 15 raças gigantes a apresentavam.

 

Isso sugeria que o gene desempenha um papel central no controlo do tamanho do corpo do cão, disse Sutter a 11 de Outubro no encontro anual da American Society of Human Genetics em Nova Orleães, Louisiana. Se os investigadores quiserem obter um chihuahua gigante agora sabem por onde começar.

O gene parece funcionar definindo que quantidade do factor de crescimento os cães produzem. Nos cães de água portugueses, os animais menores produzem menos factor de crescimento que os grandes.

A versão 'pequena' do gene Igf-1 parece ter-se formado há muito, diz Sutter. Quando o Homem começou a criar cães minúsculos seleccionou, inadvertidamente, esta versão do gene e ao longo do tempo os processos de criação fixaram a variante 'pequena' nas raças de cães pequenos.

O estudo prova até que ponto os estudos genéticos em cães podem ser, diz Sutter. Como os criadores de cães sabem a história individual de cada cão da ninhada e porque os cães são de raça pura (perderam muita da sua variabilidade genética), é mais fácil descobrir a causa de características como o tamanho do que é em pessoas.

Outros membros do grupo de Sutter, liderados por Elaine Ostrander, também estão à procura da causa de doenças como o cancro. Sutter diz que espera que tenham igual sucesso.

"O poder das populações de cães é que são capazes de fornecer uma história genética simples acerca de uma característica genética precisa", diz ele, "Penso que também vamos descobrir isto com outras características complexas." 

 

 

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