2006-10-05

Subject: Insectos fêmea toleram namorados chatos

 

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Insectos fêmea toleram namorados chatos

 

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O amor é mesmo uma luta: fêmea come grilo e macho come através da fêmea!

Na confusão do mundo amoroso dos insectos, ter um namorado percevejo-de-água australiano Phoreticovelia disparata é do piorio.

As fêmeas têm que transportar os machos às costas durante semanas, alimentando-os a partir de uma glândula especial localizada exactamente onde a boca do macho se encontra.

Porquê que elas aturam tal comportamento?

Os cientistas dizem agora que a fêmea tem este comportamento porque se não fornecesse guloseimas suficientes ao seu companheiro aproveitador o mais provável era ele subir-lhe para o dorso e roubar-lhe a comida directamente do probóscide. 

O macho do percevejo-de-água australiano viola uma tradição há muito honrada no reino animal, em que o macho é suposto presentear a fêmea, e não o contrário.

A aranha macho da espécie Pisaura mirabilis, por exemplo, presenteia a fêmea com presas, envolvidas em seda claro, para a distrair enquanto copula. O macho do grilo listrado, por sua vez, permite à fêmea que lhe roa a pata como guloseima nutritiva.

Os machos oferecem presentes porque estão a competir por um recurso limitado: óvulos. Em contraste, diz o ecologista Gören Arnqvist da Universidade de Uppsala, Suécia, raramente é um problema para as fêmeas obterem esperma em quantidade suficiente.

Vista a questão nesta luz, simplesmente não faz sentido que a fêmea do percevejo-de-água australiano doe recursos valiosos ao seu parceiro.

O fenómeno é tão invulgar que o seu nome comum australiano (insecto Zeus) deriva não da estatura do deus grego pois têm apenas alguns milímetros de comprimento mas da mitológica refeição que Zeus fez da sua primeira mulher, Métis.

A generosidade feminina podia ser explicada se houvessem mais fêmeas que machos na população, forçando as fêmeas a competir por um parceiro. "Se os machos fossem um bem raro", explica Arnqvist, "então quando a fêmea encontrasse um macho estaria disposta a pagar-lhe para o manter, como uma espécie de saco de esperma vivo."

 

Mas Arnqvist e a sua equipa realizaram um censo das populações selvagens do percevejo-de-água australiano e descobriram que os machos ultrapassam as fêmeas em pelo menos 20%. Numa situação dessas, os machos deviam levar às fêmeas o equivalente nos insectos a flores e chocolates.

Para determinar porque as fêmeas se dão ao trabalho de alimentar os seus parceiros, a equipa de Arnqvist selou manualmente a glândula no dorso das fêmeas, cobrindo-a com tinta para modelos. De seguida compararam o comportamento dos machos que eram alimentados com os que tinham que lutar pelo jantar.

Descobriram que todos os machos roubavam comida das suas parceiras mas os machos esfomeados, privados das guloseimas oferecidas voluntariamente pelas parceiras, recorriam ao roubo com maior frequência.

John Alcock, biólogo da Universidade Estadual do Arizona e que estuda o comportamento de acasalamento dos insectos, admira o trabalho de Arnqvist mas acrescenta que deve haver algo mais por trás da situação. "A fêmea dá o presente para proteger o seu alimento", diz Alcock, "mas também está a utilizar a sua comida para produzir o presente."

Arnqvist sugere que talvez a fêmea esteja a alimentar o macho com nutrientes baratos, que não lhe roubam muita energia a produzir. É possível, refere Alcock, mas não ficaria, então, o macho descontente com o alimento de baixa qualidade? "Se a comida é baratucha, os machos fartar-se-iam e continuariam a roubar comida da boca da fêmea", alega Alcock.

Bernard Crespi, biólogo evolucionista da Universidade Simon Frasier na Colúmbia Britânica, Canadá, considera que talvez a fêmea esteja a ser um pouco dissimulada. "As fêmeas devem estar a dar ao macho o mínimo possível", diz Crespi. "Algo enganador, como a comida rápida que nos faz sentir que estamos a receber mais nutrientes do na realidade estamos."

De regresso à Suécia, Arnqvist já está atarefado a analisar o conteúdo das secreções glandulares das fêmeas para determinar até que ponto elas estão a ser generosas com os seus parceiros penduras. 

 

 

Saber mais:

Gören Arnqvist

Insectos seduzem parceiras com bijuteria

 

 

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