2006-10-04

Subject: Piolhos do mar das aquaculturas matam salmão selvagem

 

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Piolhos do mar das aquaculturas matam salmão selvagem

 

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Nuvens de piolhos do mar que se libertam das aquaculturas infectam e matam até 95% dos juvenis de salmão selvagem que nadam perto delas no seu percurso para o mar, revela um novo estudo.

A descoberta vem reforçar as evidências de que a aquacultura em gaiolas ou redes subaquáticas é perigosa para as populações selvagens de peixe.

A industria de criação de peixe tem mantido um fornecimento regular de salmão barato nas prateleiras dos supermercados ao mesmo tempo que as populações selvagens quase desapareceram nas últimas décadas, devido à pesca excessiva. 

Ainda assim, as aquaculturas são controversas, nomeadamente sobre se as suas práticas estimulam a propagação de doenças fatais para as populações de salmão selvagem. A resposta parece ser sim, sugere o novo estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences acerca das quintas de criação canadianas.

"Os resultados vão de certeza intensificar o debate", escreve Ray Hilborn, especialista em pescas da Universidade de Washington em Seattle, num comentário que acompanha o artigo.

Os piolhos do mar são comuns nos salmões adultos mas com 7 a 18 Kg de peso e uma forte cobertura de escamas, os peixes adultos não são ameaçados pelos minúsculos piolhos. Os juvenis, no entanto, têm apenas cerca de 2,5 cm de comprimento e não têm escamas.

"Os piolhos causam severos danos no corpo do peixe", diz Martin Krkošek, biólogo matemático da Universidade de Alberta em Edmonton, Canadá. "A sua actividade de alimentação resulta em enormes lesões e feridas abertas, que levam eventualmente à morte do peixe."

Na natureza, o ciclo de vida migratório do salmão separa os adultos dos juvenis, a maioria dos adultos estão em mar aberto quando os juvenis nadam dos rios onde nasceram para o oceano. Como resultado, os juvenis selvagens raramente estão expostos aos piolhos, diz Krkošek.

 

Mas as aquaculturas contendo centenas de milhar de salmões adultos em cercados de rede localizam-se em canais estreitos e enseadas abrigadas ao longo das rotas migratórias dos salmões em águas costeiras da British Columbia, Canadá.

As nuvens de piolhos formam-se em volta dos cercados, forçando os juvenis a nadar através delas para passar para o mar, explica Krkošek. "As quintas estão a alterar a ecologia deste parasita."

Krkošek liderou o estudo, que usou um modelo matemático para estimar o impacto das quintas de criação de peixe nas populações de salmão, combinando dados sobre taxas de infecção com o efeito dos piolhos no peixe. Descobriu que a mortalidade do salmão selvagem devido aos piolhos das quintas andava entre 9 a 95%, dependendo da época do ano.

Segundo os investigadores, os piolhos selvagens, sem origem nas quintas, infectam alguns juvenis antes de eles alcançarem as quintas mas as taxas de infecção devidas a encontros naturais estão limitadas a cerca de 5% da população e a um piolho por peixe.

"Depois de passarem pelas quintas, tem-se mais de 90% de prevalência no final da época da migração, quando passam mais peixes, com algumas populações 100% infectadas e muitos animais com 20, 30, 40 piolhos", diz Krkošek.

De acordo com Krkošek, outros peixes criados em aquacultura podem estar a transmitir doenças para os seus primos selvagens, e se assim for as aquaculturas marinhas podem não ser a melhor forma de contrariar os efeitos da sobre-exploração dos stocks.

 

 

Saber mais:

Nova esperança para o salmão do Atlântico

Salmão de aquacultura não é comida saudável

 

 

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