2006-09-24

Subject: Eléctrodos no cérebro desencadeiam visões

 

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Eléctrodos no cérebro desencadeiam visões

 

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A simples estimulação do cérebro pode levar a mente a pregar partidas complexas e arrepiantes a si própria, descobriram os neurologistas.

Inserindo eléctrodos em localizações específicas do cérebro, os investigadores conseguiram induzir a sensação de que um ser-sombra ilusório perseguia o paciente e imitava todos os seus movimentos.

Os médicos que tratavam uma doente com 22 anos que sofria de epilepsia descobriram que quando estimulavam uma região cerebral conhecida por junção temporoparietal esquerda a paciente sentia a presença de uma figura sinistra atrás de si. Suspeitaram que o efeito era devido à mente projectar os seus próprios movimentos num fantasma criado pelo cérebro, um efeito já observado em doentes com graves perturbações psiquiátricas.

"Foi espantoso, ela percebia que a tal "pessoa" tinha a mesma postura que ela mas ainda assim não fazia a ligação", explica Olaf Blanke da École Polytechnique Fédérale de Lausanne da Suíça, que liderou a pesquisa. "Para ela continuava a ser uma pessoa diferente, um ser extraterrestre, tal qual o que se observa nos esquizofrénicos."

A paciente não tinha historial de problemas psiquiátricos logo os resultados sugerem que este tipo de ilusão, apesar de ser um aparente sintoma complexo em psiquiatria, pode ser causado por um simples clique no cérebro. O mecanismo pode ajudar a explicar os sentimentos esquizofrénicos como a paranóia, o controlo por extraterrestres e a noção de certas partes do nosso corpo pertencem a outras pessoas.

O fenómeno também pode estar associado a experiências extracorporais relatadas por muitas pessoas. Anteriormente o grupo de Blanke já tinha demonstrado que estimulação cerebral semelhante podia induzir a sensação de elevação acima do corpo (ver 'Electrodes trigger out-of-body experience').

Os médicos estavam a investigar o cérebro da paciente em preparação para uma operação de remoção de tecido de cicatriz que estava a causar os persistentes ataques epilépticos. Até um terço dos epilépticos adultos estão em situação semelhante e não podem ser ajudados com drogas.

A equipa inseriu eléctrodos directamente no cérebro do paciente para detectar rigorosamente as regiões que controlam a linguagem e o movimento da mão direita, de forma a garantir que não seriam danificadas na operação. Mas ao fazê-lo acidentalmente interferiram com a região cerebral que coordena as diferentes informações sensoriais, dando à pessoa informação sensorial acerca da posição do corpo no espaço.

 

"Há grande quantidade de informação que vem do corpo para o cérebro", explica Blanke. Se estamos a falar ao telefone, por exemplo, ouvimos a nossa própria voz, sentimos o oscultador na mão e recebemos feed-back dos músculos dos braços que nos diz em que posição estamos. O nosso cérebro integra a informação e forma uma imagem de onde o nosso corpo está e o que está a fazer.

Mas no caso desta paciente, essa integração parece ter ficado baralhada, diz Blanke. Durante os poucos segundos de duração do estímulo, ela descreveu a sensação de ter uma homem-sombra atrás dela e, quando lhe foi pedido que se inclinasse para a frente e abraçasse os joelhos, disse que sentiu que o ser se estava a inclinar sobre ela para a agarrar.

A sensação persistiu mesmo depois de os investigadores terem salientado que era apenas um truque da sua mente e projectando os seus próprios movimentos. "Ela sabia que era assim mas continuava a sentir-se assustada, ainda se voltava para trás para verificar se não estava lá ninguém", recorda Blanke.

Este trabalho pode ajudar a compreender a esquizofrenia. Blanke salienta que esta doença inclui frequentemente problemas com a percepção do próprio corpo. Em experiências em que os pacientes vêem uma imagem de si próprios em que um dos braços está dobrado de forma anormal, por exemplo, os esquizofrénicos imediatamente dizem que o braço não é o seu. Os voluntários normais apenas o referem quando a dobra do braço é mais de 90° para além do normal.

Outros investigadores alertam para o facto de se tratar apenas de uma experiência, o que terá pouco impacto na compreensão deste tipo de sintoma. "A esquizofrenia é um síndroma e não um único fenómeno", diz Sabine Bahn, psiquiatra da Universidade de Cambridge.

Blanke planeia repetir a experiência com outros voluntários. 

 

 

Saber mais:

École Polytechnique Fédérale de Lausanne

 

 

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