2006-07-25

Subject: Mundo precisa de uma nova organização de defesa da natureza?

 

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Mundo precisa de uma nova organização de defesa da natureza?

 

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O mundo precisa de uma nova organização global dedicada a estancar a actual perda das espécies animais e vegetais, esta é a ideia avançada por um grupo de eminentes académicos na mais recente edição da revista Nature.

Eles apelam ao estabelecimento de um Painel Intergovernamental sobre Biodiversidade (PIB), da mesma forma que existe o Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (PIAC). 

@ Robert and Carolyn Buchanan.Estudos recentes mostram uma contínua perda de biodiversidade, com os hipopótamos e os ursos polares a serem recentemente acrescentados à lista de espécies ameaçadas. A Red List de espécies ameaçadas de 2006 mostra mais de 16 mil plantas e animais a deslizar em direcção ao esquecimento, incluindo um terço dos anfíbios e um quarto dos mamíferos. 

"A comunidade internacional está a falhar os seus objectivos relativamente à biodiversidade", diz Alfred Oteng-Yeboah do Council for Scientific and Industrial Research (CSIR), a entidade científica conselheira do governo do Gana. "Assim, vemos a nova organização como um modo de dirigir as acções e garantir que as pessoas se envolvem nas actividade que vão permitir parar a perda de biodiversidade."

Oteng-Yeboah é um dos 19 signatários da carta publicada na revista Nature, onde também se incluem o antigo presidente do IPCC Robert Watson do World Bank e Peter Raven, director do Missouri Botanical Garden.

A Convenção sobre a Diversidade Biológica, surgida da cimeira da Terra no Rio de Janeiro em 1992, compromete os governos a alcançar uma redução significativa da taxa de perda de espécies e ecossistemas até 2010 mas, ano após ano e com a publicação das sucessivas Red Lists e de outros relatórios científicos conceituados, torna-se cada vez mais claro que o progresso não suficientemente rápido para permitir que se alcance esse objectivo.

É igualmente claro o efeito demolidor sobre o modo de vida das populações humanas, particularmente nas nações em vias de desenvolvimento, como a carta da Nature refere: "Dado que a perda de biodiversidade é essencialmente irreversível, coloca sérias ameaças ao desenvolvimento sustentado e à qualidade de vida das gerações futuras."

A Avaliação dos Ecossistemas do Milénio, um vasto programa internacional de investigação que começou a comunicar as suas descobertas o ano passado, descobriu que dois terços dos "serviços prestados pelos ecossistemas", os benefícios que o Homem retira do mundo natural, estão a ser rapidamente erodidos.

Mesmo que esses serviços pudessem ser protegidos, a maioria das vezes não o são, muitas vezes porque os políticos não actuam de acordo com a ciência actual.

"Um dos exemplos mais dramáticos é o mangal", diz Jeffrey McNeely, cientista-chefe da World Conservation Union (IUCN). "Os cientistas, incluindo economistas, já deixaram muito claro que os mangais são incrivelmente valiosos como são, muito mais do que como viveiros de camarão, mas por motivos políticos, os mangais são convertidos em instalações para a produção barata de camarão para exportação, à custa da protecção ambiental a longo prazo."

Já existem várias organizações mundiais com o objectivo de reduzir a perda de biodiversidade, incluindo o Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP), a Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB) e a IUCN, que publica as Red Lists.

Todas elas envolvem a maioria dos governos mundiais e a IUCN em particular está associada a organizações conservacionistas nas esferas académica e não governamental.

 

Quais são as ameaças?

Actividades humanas ameaçam 99% das espécies presentes na Red List

Perda e degradação do habitat são as principais ameaças, afectando mais de 80% das aves, mamíferos e anfíbios listados

Alterações climáticas são cada vez mais reconhecidas como uma séria ameaça

Outras questões relacionadas com as actividades humanas incluem a introdução de espécies exóticas, a sobre-exploração e a poluição

Iniciativas para construir uma nova aliança global sobre a biodiversidade já decorrem há alguns anos, tendo recebido um forte impulso no ano passado por parte do presidente francês Jacques Chirac, que falou em prol do conceito na conferência de Paris.

Mesmo pelos padrões da comunidade conservacionista habituada à retórica, o nome da iniciativa (Processo Consultivo relativo à Criação de um Mecanismo Internacional de Perícia Científica sobre Biodiversidade - IMOSEB) é realmente impressionante mas agora, através da carta da Nature, o conceito adquiriu um nova nome, o Painel Internacional sobre Biodiversidade (PIB).

Jeffrey McNeely, que não é signatário, apoia a ideia pois acredita que a questão central é integrar a ciência com a política, numa entidade que possa coordenar e delegar investigação com o envolvimento dos governos que iriam decidir implementar as suas recomendações.

No entanto, diz ele, seria necessário dinheiro e vontade política a um nível que os governos ainda não aplicaram relativamente à biodiversidade. "Nós na IUCN adoraríamos ser capazes de desempenhar este papel mas ninguém nos financia de forma a o podermos fazer. Para ser realista, estamos dispostos a fazer parte de um grupo maior de instituições e governos que estejam dispostos a aplicar os fundos necessários para tornar isto realidade."

O novo organismo proposto, o IMOSEB ou PIB, pode surgir do processo em curso de reforma das Nações Unidas, que também pode alterar o mandato da UNEP.

No final, o sucesso de qualquer tentativa internacional de controlar a perda de biodiversidade terá menos a ver com estruturas internas do que com a vontade de financiar e regular por parte dos governos.

O paralelo com as alterações climáticas faz-nos lembrar o Protocolo de Kyoto, que tenta, entre outras coisas, sancionar os governos que não cumprem os objectivos relativos às emissões de gases de efeito de estufa.

Deverá, ou poderá, um acordo semelhante sobre a biodiversidade emergir alguma vez? Se assim fosse, não seria essa abordagem agressiva rapidamente suavizada, como aconteceu com Kyoto, quando realidades políticas se tornassem claras? 

 

 

Saber mais:

IUCN - the World Conservation Union

CSIR

Imoseb

Red List

 

 

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