2006-07-18

Subject: Clones devem ter sentimento de individualidade

 

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Clones devem ter sentimento de individualidade

 

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Um ser humano clonado provavelmente ia considerar-se um indivíduo, sugere um novo estudo agora dado a conhecer. Os cientistas tiraram as suas conclusões após entrevistar gémeos idênticos acerca da sua experiência na partilha de exactamente os mesmos genes com uma outra pessoa.

Segundo a equipa de cientistas ingleses e austríacos, os gémeos acreditam que os seus genes desempenham um papel limitado na modelação da sua identidade, como escrevem no artigo a ser publicado em breve na revista Social Science and Medicine

A co-autora Barbara Prainsack, da Universidade de Viena, que trabalhou com Tim Spector, da Unidade de Investigação sobre Gémeos do Hospital de St Thomas em Londres, explica: "O nascimento da ovelha Dolly desencadeou muitas questões acerca do que seria ser um clone mas como não temos clones, entrevistámos gémeos idênticos."

Os gémeos idênticos formam-se quando um único óvulo, fertilizado por um único espermatozóide, se divide em dois embriões, separados mas geneticamente iguais.

Os investigadores consideram que como os gémeos, como os potenciais clones, partilham os mesmos genes, são o único método existente de estudar os sentimentos que um clone pode vir a sentir mas também salientam que os gémeos diferem dos clones porque nascem ao mesmo tempo, enquanto os clones diferem na idade.

Os cientistas realizaram 17 entrevistas com gémeos idênticos, gémeos falsos e irmão não gémeos.

Os gémeos idênticos referiram que ser gémeo de alguém não compromete a sua individualidade, apesar de salientarem que as pessoas têm muitas vezes preconceitos relativamente a serem um de um par e não indivíduos.

Os entrevistados consideravam o ser gémeo idêntico uma benção e não preferiam ser gémeos não idênticos ou apenas irmãos. Acreditam que os seus genes não tiveram grande peso na sua relação com o seu gémeo e com a sua identidade.

Os gémeos consideravam factores como a criação no mesmo ambiente, a partilha de grande parte da vida e o serem tratados de forma semelhante pelos pais mais importantes nesses aspectos. Um dos entrevistados disse: "Passámos 20 anos juntos logo foi uma experiência muito íntima, o que não mudou nos anos seguintes em que estivemos separados. É por isso que não acho que a genética tenha feito grande diferença."

 

A partir destas descobertas os cientistas penam poder assumir que um clone não iria sentir a sua individualidade comprometida pela partilha de genes com outra pessoa e que a sua relação com  seu co-clone seria uma benção, não uma situação negativa.

Prainsack disse: "De acordo com as pessoas geneticamente idênticas no nosso estudo, o problema não seria o ser geneticamente igual mas antes o motivo porque alguém iria determinar o genoma de outra pessoa. O debate acerca da clonagem sairia beneficiado se se saísse da questão da igualdade genética e se analisasse mais as razões sociais porque a criação deliberada de seres humanos com umas certas características genéticas seria prejudicial para a sociedade."

Robin Lovell-Badge, geneticista do Instituto Nacional de Investigação Médica do Medical Research Council de Londres comenta: "Clonagem reprodutiva humana não é segura e não deve ser tentada com os conhecimentos e técnicas actuais. Na minha opinião, não existem, sequer, motivos suficientemente fortes que justifiquem a tentativa."

"No entanto, este estudo é ainda assim muito interessante, apesar de pequeno, pois mostra que não devemos ter ideias preconcebidas acerca de indivíduos geneticamente iguais a viver entre nós." 

 

 

Saber mais:

Social Science and Medicine

The Twin Unit

Clones podem ajudar na cura de doenças neurológicas motoras

 

 

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