2006-07-17

Subject: Crias de suricata vão à escola aprender a comer

 

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Crias de suricata vão à escola aprender a comer

 

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As crias de suricata não aprendem a comer animais perigosos, como escorpiões e cobras, sozinhos, são antes ensinados pelos adultos, descobriram os cientistas.

Os animais adultos trazem animais mortos às crias mais novas mas à medida que estas vão crescendo os ajudantes incapacitam as presas que entregam e finalmente coagem os juvenis a caçar por si próprios.

Escrevendo para a revista Science, os cientistas sugerem que os suricatas são apenas o segundo animal não humano a ensinar os seus juvenis de forma activa, tanto quanto se conhece.

A única outra demonstração clara de um comportamento de ensino em espécies que não o Homo sapiens é, dizem eles, a descoberta este ano de que as formigas podem ajudar os seus parceiros a localizar comida.

Os cientistas da Universidade de Cambridge passaram vários anos a trabalhar com os suricatas na África do Sul. 

Estes animais vivem em grupos com até 40 indivíduos, em condições de secura extrema. A maioria dos indivíduos do grupo é aparentada com o casal dominante, responsável pela maioria da descendência produzida.

Por esse motivo, há muitos adultos ajudantes, e não há dúvida que ajudam. "Os ajudantes apresentam gradualmente presas vivas às crias", diz Alex Thornton. "Assim, quando as crias são muito pequenas recebem presas mortas, como escorpiões, lagartos e aranhas. À medida que crescem, os ajudantes trazem-lhes presas incapacitadas, como escorpiões sem ferrão na cauda, por exemplo."

"Finalmente, quando as crias estão prestes a atingir a independência, os adultos dão-lhes comida viva, com a qual têm que lidar por si próprias. Parece que estas alterações no comportamento dos ajudantes são uma resposta a alterações nos gritos de pedido de comida dos juvenis."

Para investigar se o processo de ensino realmente ajudava as crias a lidar com escorpiões potencialmente venenosos, o grupo de Thornton realizou diversas experiências.

 

Numa delas utilizaram três grupos de crias da mesma ninhada. Ao longo de um período de quatro dias, um grupo recebeu escorpiões vivos sem ferrão, outro grupo recebeu escorpiões mortos e o terceiro grupo, o controlo, recebeu ovos cozidos.

"Quando no quarto dia testámos todos os grupos com um escorpião vivo", explica Thornton, "não foi surpresa que o grupo que tinha praticado com o escorpião vivo foi o melhor a lidar com a situação."

Ensinar pode ser, nitidamente, um benefício evolutivo pois permite transferir capacidades e informação que ajuda a manter os juvenis vivos mas também tem um custo para o adulto, que gasta tempo e esforço que poderia estar a usar para encontrar comida para si próprio.

Clique para ouvir os gritos de uma cria de suricata (Imagem @ Andrew Radford)Assim, o ensino pode ser esperado apenas em situações em que as crias teriam dificuldade em absorver informação apenas a observar o comportamento dos adultos.

Os suricatas podem ser uma dessas espécies, em que os grupos sociais significam que existem adultos ajudantes disponíveis para ajudar com a educação dos jovens.

"É dispendioso em suricatas mas penso que os benefícios do ensino largamente ultrapassam os custos", diz Thornton. "As crias precisam de aprender como lidar com as presas complicadas, é imperativo, ou provavelmente não sobreviveriam até à fase adulta. Não penso que o ensino seja restrito aos suricatas, acho que deve ser bem mais comum do que nos apercebemos até agora." 

 

 

Saber mais:

Science

Universidade de Cambridge

 

 

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