2006-07-13

Subject: Rinoceronte negro do oeste extinto?

 

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Rinoceronte negro do oeste extinto?

 

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O rinoceronte negro do oeste de África parece ter-se extinguido, segundo a World Conservation Union (IUCN). Uma missão ao seu último habitat conhecido no norte dos Camarões não encontrou nem rinocerontes, nem qualquer sinal da sua existência.

Esta subespécie de rinoceronte negro sofreu forte declínio nas últimas décadas, devido principalmente à caça furtiva, que também tem levado o rinoceronte branco do norte à beira da extinção.

Na África oriental e do sul o número de subespécies aparentadas têm vindo a aumentar devido à aplicação de medidas eficazes de protecção mas após duas décadas de alertas, o rinoceronte negro do oeste parece ter encontrado o seu fim, de acordo com as descobertas de uma expedição importante, realizada por 3 especialistas este ano.

"Os investigadores montaram 48 missões de campo, patrulhando uma área de 2500 Km e trabalhando bloco a bloco", explicou Richard Emslie, responsável científico do grupo do rinoceronte negro da Comissão para a Sobrevivência das Espécies da IUCN. 

"Procuraram dejectos, por sinais de alimentação característicos do rinoceronte e não encontraram nada que indicasse uma presença continuada na zona destes animais. Pelo contrário, encontraram inúmeros sinais de caça furtiva, o que é muito mais desconcertante."

Mesmo antes deste último senso, as perspectivas desta subespécie já pareciam muito negras.

Em 2002 o seu efectivo era tão baixo como 10 animais, distribuídos por uma área imensa, o que tornava a reprodução ainda mais difícil.

"Com um efectivo populacional tão baixo, a má sorte pode desempenhar um papel muito mais importante, como por exemplo se apenas nascem crias macho num dado ano", comenta Emslie.

Durante os últimos 150 anos, o efectivo de todas as espécies e subespécies de rinocerontes caiu a pique em todas as regiões de África.

O rinoceronte branco do sul atingiu o mínimo em 1895, com uma única população de apenas 30 indivíduos num dos parques de caça da África do Sul.

Desde então, a reprodução em cativeiro e medias eficazes de protecção trouxeram o seu número para perto de 15 mil e muitos grupos foram reintroduzidos em outros países.

O declínio do rinoceronte negro veio mais tarde. A população total do continente era de cerca de 100 mil animais em 1900 mas caiu para um mínimo de 2400 em 1995.

 

Rinocerontes africanos

Rinoceronte branco do sul Ceratotherium simum simum - 14500 e a aumentar 

Rinoceronte branco do norte Ceratotherium simum cottoni - restam quatro animais

Rinoceronte negro do centro-sul Diceros bicornis minor - 1900 e a aumentar

Rinoceronte negro do sudoeste Diceros bicornis bicornis - 1200 e a aumentar

Rinoceronte negro do leste Diceros bicornis michaeli - 650 e a aumentar

Rinoceronte negro do oeste Diceros bicornis longipes - teme-se que já esteja extinto

Novamente, medidas de protecção e programas de reprodução estão a recuperar os stocks mas apenas, até agora, para perto de 3600 animais. Os sucessos principais têm sido na África do Sul e em alguns países do oriente africano que também estão a reintroduzir e a manter populações.

É uma história completamente diferente na África ocidental, onde a caça furtiva, muitas vezes alimentada pelas armas e pela pobreza devidas à guerra cível, tem sido mais difícil de controlar.

Do rinoceronte branco do norte restam apenas quatro indivíduos no que permanece do seu habitat único na República Democrática do Congo e agora, aparentemente, o rinoceronte negro do oeste africano desapareceu completamente.

Apesar de geneticamente distinto, esta subespécie pode ser suficientemente parecida nas suas necessidades de alimento e habitat para que os animais possam ser reintroduzidos na África ocidental a partir de outras zonas do continente.

Mas para isso será necessário obter condições políticas e económicas estáveis, os recursos para combater os caçadores furtivos e o compromisso de envolver as populações locais na conservação dos animais.

Mesmo que tal seja alcançável algures no futuro nos Camarões, parece que um dos grandes ícones da fauna selvagem africana já perdeu um valioso ramo da sua árvore familiar. 

 

 

Saber mais:

IUCN

Aprovada caça limitada ao rinoceronte negro

Namíbia e África do Sul pelo fim da proibição da caça ao rinoceronte negro

Caça furtiva dizima fauna do Zimbabwe

 

 

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