2006-07-04

Subject: "Recuperação milagrosa" mostra resistência do cérebro

 

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"Recuperação milagrosa" mostra resistência do cérebro

 

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A espantosa recuperação de um homem que passou quase duas décadas num estado que pode ser considerado de praticamente inconsciência revelou os poderes ainda não reconhecidos de recuperação do cérebro.

Terry Wallis tornou-se uma estrela dos órgãos de comunicação social em 2003, quando emergiu de um estado de consciência mínima (ECM) em que tinha passado 19 anos, desde a ocorrência de graves danos cerebrais num acidente automóvel. 

Na altura, a sua "recuperação milagrosa" foi um mistério. Os investigadores que examinaram o seu cérebro pensam agora que a sua recuperação foi devida ao lento mas tenaz novo crescimento das áreas afectadas, permitindo, em última análise, a recuperação de algumas das suas faculdades.

Pacientes em ECM estão "acordados" mas não conseguem produzir movimentos coordenados ou falar, sendo incapazes de expressar os seus pensamentos e sentimentos. Mas após a sua recuperação, Wallis voltou a ter a capacidade de falar e os seus movimentos, ainda que gravemente afectados, mostraram uma melhoria dramática e espantosa.

Isto aconteceu porque o seu cérebro lentamente fez novamente crescer as ligações nervosas que foram destruídas no seu acidente, dizem os investigadores, liderados por Henning Voss da Universidade de Cornell em Nova Iorque.

A equipa de Voss comparou imagens de scanner do cérebro de Wallis com as de outros pacientes com ECM que não mostraram melhorias durante seis anos após a lesão cerebral traumática e com 20 indivíduos saudáveis. Os resultados revelaram níveis de actividade em locais específicos da matéria branca do cérebro, largamente composta por axónios mielinizados.

Apesar de não estar ao nível da actividade de um indivíduo saudável, a actividade nessas zonas era significativamente mais alta no cérebro de Wallis do que nos restantes pacientes com ECM, sugerindo que os neurónios de Wallis tinham restaurado parcialmente as ligações que lhe permitem que se mova e fale, dizem os investigadores.

Entre as regiões que mostram esta actividade mais elevada estava uma zona conhecida por precuneus, importante para a consciência acordada, acrescentam eles. Em cérebros saudáveis, a actividade nesta região diminui durante o sono e sob anestesia geral.

Sem imagens semelhantes do tempo em que Wallis estava no seu estado degenerativo, os investigadores não sabem qual a taxa de recuperação do seu cérebro ou até onde pode ir essa recuperação. No entanto, os danos foram tão severos que Voss diz "penso que não há grandes perspectivas de uma recuperação completa".

A descoberta salienta o que ainda tem que ser aprendido e descoberto acerca da resposta cerebral ao trauma, comenta Steven Laureys, neurologista da Universidade de Liége, Bélgica. Apesar de Wallis ter estado em ECM durante quase duas décadas, a situação apenas foi formalmente classificada em 2002.

 

Os médicos são muitas vezes tentados a assumir que o cérebro apenas pode recuperar durante os primeiros dias ou meses após o dano, o que os leva a desistir de doentes a longo-prazo. "Pensa-se que são casos sem esperança", diz Laureys, "mas este caso força-nos a rever este dogma tão antigo. Apesar de este ser claramente um paciente excepcional, mostra que é crucial estudar mais." Pacientes com consciência limitada não devem deixar de ter cuidados e terapia que os ajude, diz Laureys.

Apesar da nova descoberta não sugerir uma forma de ajudar ou acelerar a recuperação do cérebro, deve recordar aos médicos que este tipo de recuperação é possível, acrescenta Laureys. "Há muito niilismo terapêutico", diz ele, "é difícil encontrar centros dispostos a aceitar pacientes e a fornecer-lhes reabilitação e uma terapia agressiva."

Também permanece pouco claro se o cérebro é capaz de uma resistência semelhante em pacientes com situações mais graves, como o coma ou o estado vegetativo permanente (EVP), em que o paciente não comunica de todo e não tem mais que respostas reflexas. "Há uma enorme diferença entre estes dois estados", salienta Voss.

Os neurologistas estão relutantes em declarar que o EVP, a situação no centro do controverso debate em torno da paciente americana Terri Schiavo, pode ser verdadeiramente permanente. Já este ano, os investigadores fizeram a bizarra descoberta de que alguns doentes em EVP podiam ser acordados com um simples comprimido para dormir (veja 'Sleeping pills offer wake-up call to vegetative patients').

Ainda assim, a tendência é para assumir que as probabilidades de recuperação diminuem com o passar do tempo, uma assunção que pode vir a ser alterada com esta descoberta, espera Laureys. "Essa é a verdadeira mensagem aqui", diz ele. 

 

 

Saber mais:

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