2006-07-02

Subject: Comércio de carne selvagem vigiado no ocidente

 

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Comércio de carne selvagem vigiado no ocidente

 

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Babuínos, antílopes duiker e ratos dos canaviais podem ser comprados ao quilo em mercados de todas as grandes cidades da América do Norte e da Europa, relatam os cientistas no encontro da Society for Conservation Biology que decorre em Jose, Califórnia.

Ainda que a carne que vai aparecendo em cidades como Nova Iorque e Londres seja apenas uma migalha do negócio de carne selvagem, salienta a elevada procura que ainda existe para carne caçada ilegalmente, dizem os ecologistas.

A carne selvagem (animais selvagens caçados para serem comidos) pode ser problemática quando os animais mortos estão ameaçados de extinção ou são portadores de doenças. A grande preocupação em volta da carne selvagem centra-se na África central e ocidental, onde os grandes primatas estão entre os animais comidos e onde representa uma séria ameaça a muitas populações animais.

Justin Brashares, um ecologista da conservação da Universidade da Califórnia, Berkeley, tem investigado o comércio de carne selvagem desde há uma década. 

Quando esteve em Nova Iorque, há dois anos, começou a conversar com o condutor de um taxi de origem ganesa. "Deve sentir falta disso", lembra-se Brashares de dizer ao homem. "Nem por isso, porque posso continuar a obtê-la", respondeu o taxista.

Assim começou uma investigação em que voluntários africanos expatriados foram recrutados para circular nos mercados de carne selvagem de Nova Iorque, Londres, Bruxelas, Paris, Toronto, Montreal e Chicago, relatando o tipo, condições e quantidade de carne selvagem africana que estava disponível.

Os resultados dos primeiros 20 meses de estudo, relatados no encontro da Society for Conservation Biology, mostram que cerca de 6 mil quilogramas de carne caçada ilegalmente foram transaccionadas nos 7 mercados por mês.

E isso é apenas uma migalhinha, diz Brashares, do que deve estar a circular para fora de África em direcção à Europa e à América do Norte. O comércio intercontinental, por sua vez, é também uma migalhinha (menos de 1% estima ele) do total das matanças para obtenção de carne selvagem, a maioria da qual permanece no país de origem.

 

A maioria da carne no estudo foi encontrada já cortada e fumada mas cerca de 27% era crua e 21% não tinha sofrido qualquer processamento. "Tem-se animais que chegam inteiros em sacos de plástico", diz Brashares. Esta carne crua é um risco sanitário, acrescenta ele.

"Alguns agentes infecciosos conseguem fazer a viagem, outros não", diz Nathan Wolfe, imunologista da Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health de Baltimore, Maryland, que estuda doenças que atravessam a barreira da carne selvagem para o Homem. "O antraz, por exemplo, é algo que pode fazer a viagem. Só depende do grau de frescura da carne."

Brashares não conhece a maioria dos seus voluntários nem sabe a localização exacta dos mercados que estão a vigiar discretamente. Para assegurar que a informação é válida, Brashares pede a dois batedores totalmente independentes para avaliarem cada local.

Brashares diz que a carne selvagem é mais cara que a carne de vaca logo os compradores devem armazená-la para ocasiões especiais ou cerimoniais. "Não posso dizer apenas 'não me interessa qual é a vossa tradição'", diz Brashares. Ele especula que um pequeno mas legal comércio, combinado com a quebra da caça ilegal em larga escala, poderão, um dia, fornecer a procura cultural para este tipo de carne de forma mais controlada.

Até esse dia, os saudosos africanos irão provavelmente continuar a virar-se para estes mercados negros. "Querem trazer para casa a comida que a sua família recorda", diz Brashares.

 

 

Saber mais:

CITES

Força de Intervenção sobre o Comércio de Carne Selvagem

"Carne selvagem" responsável pela propagação de novos vírus

Pescas associadas ao comércio de carne selvagem

"Carne selvagem" ameaça diversidade

 

 

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